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Frank Engel: “Suponho que tudo vai mudar” com a covid-19
Luxemburgo 3 min. 21.10.2020

Frank Engel: “Suponho que tudo vai mudar” com a covid-19

Frank Engel: “Suponho que tudo vai mudar” com a covid-19

Luxemburgo 3 min. 21.10.2020

Frank Engel: “Suponho que tudo vai mudar” com a covid-19

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
“Há cerca de 125 mil pessoas que adquiriram nacionalidade luxemburguesa, que contribuíram para que o país seja o que é hoje” que têm que ser trazidos para a vida política. A convicção é do líder do CSV, Frank Engel, em entrevista ao Contacto. Sem querer aprofundar a polémica sobre a tributação das fortunas diz que agora a hora é de “ultrapassar as clivagens” e seguir em frente.

 Na sua intervenção falou da necessidade de atrair mais emigrantes para a vida política. Como pretende fazê-lo?

Primeiro que tudo há que os encontrar. Porque hoje temos uma comunidade muito importante de 125 mil pessoas, que adquiriram a nacionalidade luxemburguesa, e que não conhecemos e que não nos conhecem. São pessoas que não dominam a língua luxemburguesa para poder participar no debate político. São pessoas com uma trajetória de trabalho e de vida social, diferente dos luxemburgueses, porque se misturam muito pouco. Por isso é difícil chegar-lhes. Mas temos que o fazer! Porque são pessoas que contribuíram para que o país seja o que é hoje em dia e que se tornaram cidadãos e que votam e que devem votar. Por isso é importante associá-los à reflexão e ao debate políticos.

Pensa que é necessário alterar a lei?

Não é uma lei que vai resolver este assunto, mas sim o empenho e a determinação. É preciso colocar-nos em conjunto com estes novos membros que conhecem as associações, as redes, os hábitos das pessoas que agora têm um passaporte luxemburguês e se questionam onde posso encontrar e desempenhar o meu papel. E nós vamos encontrá-los!

Que balanço faz deste primeiro congresso digital?

Foi o primeiro congresso digital e penso que funcionou. O que me deixa muito satisfeito, porque as votações funcionaram. Neste sentido funcionou como um treino para um próximo congresso que poderá ter que realizar-se, de novo, de forma digital e em que será preciso votar. Foi importante constatar que o conseguimos fazer. Por outro lado permite-nos estar preparado para novos desafios se este vírus não nos deixar.

Qual é a sua previsão, quando pensa que este problema poderá desaparecer?

Não faço a mínima ideia. Porque se fizermos qualquer coisa hoje, relativamente à situação de ontem, amanhã vamos nos deparar com uma situação que já mudou, entretanto. Mesmo que façamos novas restrições neste momento. Enquanto não houver uma vacina, enquanto não houver um medicamento com eficácia reconhecida, é provável que vamos continuar a viver com restrições.

E o mundo nunca mais vai ser o mesmo. Tudo vai mudar…

Suponho que tudo vai mudar. Suponho que veremos uma realidade diferente, com ritmos e diferentes formas de intervenção. Mais conscientes da nossa fragilidade face à natureza, que no fim contas determina o que nos acontece. Mesmo que vençamos este vírus, quem nos garante que no próximo ano, não teremos aqui um novo intruso da mesma natureza ou similar? Espero que ganhemos a consciência que tudo isto, pode estar ligado à forma como exploramos o planeta e o ser humano. Porque há fortes razões para pensar que se não tivéssemos jogado com qualquer coisa, ou se um sistema político na China não nos tivesse impedido de nos ocuparmos desde o início de investigarmos o vírus antes que ele se propagasse, poderia ter sido muito melhor. Mas havia a honra do Partido Comunista. Um pouco mais de modéstia faria bem a todos.

Acha que o partido sai deste congresso pacificado?

Penso que o partido tem o desejo de avançar e de ultrapassar as clivagens que nos marcaram durante o verão. Mas as coisas não são assim tão simples e há vontade para se fazer este debate entre os membros e teremos que analisar e que o fazer. 

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