Escolha as suas informações

Festival das Migrações não é "festival de lixo", respondem organizadores

Festival das Migrações não é "festival de lixo", respondem organizadores

Foto: Benu Village Esch
Luxemburgo 2 min. 22.03.2019

Festival das Migrações não é "festival de lixo", respondem organizadores

O Comité de Ligação das Associações Estrangeiras (CLAE), que organiza o popular Festival das Migrações, reage às acusações de uma associação ambientalista.

A história conta-se em poucas palavras. Um dia após o Festival das Migrações, uma associação ambientalista de Esch-sur-Alzette publicou uma série de fotos no Facebook com os restos deixados pelos visitantes, apontando o dedo ao CLAE, que organiza o evento. "Ficámos chocados por ver esta festa culinária em que uma data de louça descartável, incluindo canecas, copos, talheres, pratos, palhas e guardanapos, foram distribuídos em grandes quantidades, para serem brevemente utilizados e deitados em caixotes do lixo", escreveu a associação Benu Village Esch no Facebook. "A coisa perversa em relação a esta situação é que muitos dos países que propunham comida e bebida neste festival serão de novo inundados com o nosso lixo nas próximas semanas".

O post, que foi partilhado mais de setenta vezes, foi noticiado pela RTL. O artigo tinha o título "Festival das Migrações: visitantes denunciam 'festival de lixo'", e indignou o CLAE.

A federação de associações de estrangeiros, que organiza o festival há 36 anos, reagiu numa carta aberta divulgada esta quinta-feira. "Somos muitos, de várias gerações, a trabalhar pelo direito e o reconhecimento das culturas das pessoas e famílias que imigraram para o Luxemburgo. Que deceção e violência ver um artigo sobre o nosso Festival das Migrações reduzido a duas ou três fotos de caixotes do lixo", escreve o CLAE.  

A federação associativa diz que o autor do post, Georges Kieffer, da associação Benu Village, os contactou durante o festival. Nessa altura, os organizadores propuseram-lhe "um encontro após o evento", "porque não havia tempo nesse fim de semana para debater sobre a reciclagem e o uso de plástico" no festival. "Não tivemos tempo de lhe explicar que já introduzimos copos recicláveis há dois anos", que "discutimos o problema da reciclagem há vários anos" e que "há mais de dez anos que pedimos à autarquia da cidade do Luxemburgo que instale caixotes para triar o lixo", afirma o CLAE, sublinhando que pediu "sem sucesso a vários agentes de reciclagem" apoio nesta tarefa.

"A ecologia deveria reunir as questões sociais, culturais, interculturais, ambientais. Mas aqui não se trata de ecologia", acusa a associação. "Toda a gente percebeu que esta pessoa [o autor do post] quer fazer publicidade à nossa custa". "Se tivesse um pouco de coragem. teria ido fotografar os caixotes do lixo das grandes festas nacionais, de alguns Ministérios, ou da rua onde vive", responde o CLAE.

A federação de estrangeiros considera que se trata de uma "denúncia sem tentar compreeender". "Esta filosofia de quem dá lições impede qualquer construção comum, partilhada", tornando a ecologia "desumana" e "perversa", acusa o CLAE. Para a federação, reduzir "as relações com o outro, as dificuldades sociais, culturais [e] sociais à reciclagem e ao plástico, numa recusa de diálogo construtivo", é "estigmatizar" o festival, pondo "o lixo" à frente dos humanos e da sua história. E defende que, em vez de apontar o dedo aos caixotes do lixo, o autor do post devia ter em conta as dificuldades dos organizadores para financiar e organizar o festival "há várias décadas". "Em poucas linhas, o nosso festival da cidadania é convertido num 'festival de lixo'", lamenta o CLAE, que pergunta: "Será o festival da imigração que suja o país?".