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Como o Luxemburgo passou de 107 para 787 casos numa só semana?
Luxemburgo 4 min. 08.07.2021
Explosão de casos

Como o Luxemburgo passou de 107 para 787 casos numa só semana?

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Como o Luxemburgo passou de 107 para 787 casos numa só semana?

Foto: AFP
Luxemburgo 4 min. 08.07.2021
Explosão de casos

Como o Luxemburgo passou de 107 para 787 casos numa só semana?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Em sete dias, os casos aumentaram 635% no país. Conheça as razões a poucas horas da ministra da saúde poder anunciar novas medidas. E as previsões dos cientistas.

Bastaram sete dias com a véspera de um feriado nacional e focos de infeção para as infeções dispararem assustadoramente no Luxemburgo. Dos 107 casos registados na semana precedente passou-se para 787 novas infeções entre 28 de junho e 4 de julho, mais 635% de novas infeções!

Também os contactos diretos passaram de 353 para 2.228, na última semana, mais 531%! E a taxa de positividade aumentou de 17 casos por 100 mil pessoas, para 124 casos por 100 mil. Numa só semana! A grande maioria das infeções (43%) sucederam na população entre os 20-29 anos, aquela que, geralmente mais sai à noite.

As saídas na véspera do feriado nacional associados ao não respeito pelas regras de prevenção e medidas em vigor foram responsáveis por uma boa parte da subida em flecha destes casos, como assumiram a ministra da Saúde Paulette Lenert e o ministro da Segurança Interna, Henri Kox, numa resposta parlamentar urgente, no dia 7 de julho, precisamente sobre o aumento dos casos covid associados à festa nacional. Os dois governantes confirmaram na resposta aos deputados Gilles Roth et Laurent Mosar, do CSV que de acordo com as informações obtidas numerosas infeções registadas foram associadas às saídas noturnas na véspera do feriado.


'Lei covid' expira a 15 de julho. Governo decide esta quinta-feira que medidas vão vigorar
Acompanhe a conferência de imprensa no Contacto a partir das 14h.

'Superclusters' na véspera do feriado

No rastreamento de contactos 307 pessoas entre os 18 e os 40 anos que testaram positivas admitiram ter saído a 22 de julho e destas 245 referem ter estado num de 29 estabelecimentos da capital, indicam os ministros. Um deles foi referido 109 vezes pelas pessoas infetadas. Muitas destas pessoas referiram que muitos destes locais de diversão no exterior estavam cheios e que não respeitavam as regras de distanciamento, as pessoas não tinham máscara nem se cumpriam as regras sanitárias.


Regresso da vida noturna e feriado da Festa Nacional ligados à subida de casos de covid-19
Rastreio dos novos casos e dos seus contactos mostra uma associação entre essas situações e a origem das novas contaminações, segundo os dados das autoridades de saúde.

Outros dos contactos foram infetados por amigos com quem saíram na véspera de feriado, que, entretanto, tinham testado positivo. Estes estabelecimentos e locais de ajuntamentos formaram 'clusters' de infeção, alguns foram até de infeção pela variante brasileira. Estes focos de contágio proporcionaram que o vírus rapidamente contagiasse e se propagasse mais rapidamente entre a população.

Neste momento, as atividades de lazer, como as saídas noturnas  são o contexto mais frequente de transmissão de infeções, com 33,6%, e só em segundo lugar surge o círculo familiar (9,8%), que durante tantos meses foi o primeiro foco de infeção. Contudo, com a abertura dos espaços públicos, nomeadamente à noite, e a permissão de contactos sociais o lazer passou a liderar.

No dia 20 de junho entre os 347 testes realizados na testagem em larga escala no país, nenhuma pessoa testou positiva à covid-19, e no dia 21 entre os 7.453 testes, apenas 12 foram positivos. Uma semana depois do feriado nacional, dia 29 já houve 92 positivos entre os 4386 testes realizados, e dia 30 entre os 5115 resultaram 108 testes positivos. Desde então tem aumentado. Na quarta-feira houve 201 novas infeções.

Apesar das hospitalizações serem poucas graças à vacinação, uma delas é o primeiro-ministro, este aumento de infeções não deixa de ser motivo de preocupação.


Atividades de lazer tornaram-se o maior foco de infeção no Luxemburgo
Na análise semanal do Governo, constata-se um aumento significativo de casos positivos no Grão-Ducado (mais 635%). Já a presença da variante Delta manteve-se estável na passada semana.

Risco de novo pico em outubro

No último relatório da 'task force' covid, os investigadores alertaram para o risco de um novo pico de casos precisamente ao maior poder de transmissão, 50% e de contágio, de cerca de 40% da variante delta, e ao surgimento de clusters no país, que funcionam como “ superspreaders” (super-propagadores) como os que apareceram durante a véspera do feriado nacional e o da escola da polícia do Luxemburgo, onde 12 recrutas ficaram infetados e mais de 200 alunos foram colocados em quarentena, e a escola encerrada. 

Ou ainda os jogos do campeonato da Europa 2020 com público nos estádios. A Escócia, por exemplo, já veio alertar que mais de 2000 escoceses que foram ver os jogos ao estádio ou ficaram nos arredores foram infetados e a Dinamarca, fala em 300 casos de adeptos contagiados.


Luxemburgo. Aumento de novos casos em pessoas com menos de 30 anos
Segundo relatório das autoridades sanitárias, a taxa de incidência entre eos 15 e 29 anos aumentou consideravelmente.

Os cientistas apelam à vacinação, ao máximo respeito pelo cumprimento das regras, uso de máscara e distanciamento social e pelas medidas em vigor, para que se consiga contrariar a subida da curva das infeções, e para que no regresso das férias, o Luxemburgo não viva de novo uma situação preocupante. Se a população se descuidar no início de outubro, pode haver um novo pico com uma média de 480 casos/dia, isto com base nos dados dos últimos três dias de junho.  

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