Europeias. Tilly Metz considera que "UE é como o amor e não pode ser dada por garantida"
Europeias. Tilly Metz considera que "UE é como o amor e não pode ser dada por garantida"
A cabeça de lista e eurodeputada do Déi Gréng fala sobre a necessidade de defender valores como a solidariedade, a coesão e a justiça social no contexto das eleições do próximo dia 26. E, contestando a ideia de um Exército europeu, insiste na ideia de “falar a uma só voz” também na Defesa.
Começou num grupo de trabalho sobre educação em 2001, foi porta-voz do Déi Gréng entre 2004 e 2009, burgomestre de Weiler-la-Tour entre 2005 e 2011 e conselheira municipal na capital a partir de 2017. Trabalhou na área das minorias e das pessoas com necessidades especiais e mantém essa ligação. Em julho rendeu Claude Turmes no Parlamento Europeu quando este foi chamado ao Governo e integra três comissões.
Os eleitores vão ser mais exigentes com o partido, depois do bom resultado nas legislativas?
As pessoas sabem que o projeto europeu é específico, mas querem conteúdo e propostas sobre temas como as mudanças climáticas, a biodiversidade, a proteção da Natureza, mostrando-se exigentes. Talvez isso seja mais importante do que os cabeças de lista.
Houve manifestações recentes no país e no mundo sobre as questões climáticas: como é que essas opiniões podem ser materializadas não só na legislação europeia, mas também em atos?
Há diretivas sobre as reduções de CO2 com objetivos bem claros até 2030 para uma diminuição de 40% e do aumento da eficiência energética de 32,5% no mesmo período. Há também objetivos claros e diretivas quanto ao investimento nas energias renováveis, além de mais transparência na autorização de uso de produtos químicos na alimentação e também sobre a utilização de biodiesel com base no óleo de palma e nos riscos inerentes, além da proteção aos animais. Para o Parlamento Europeu os objetivos são claros. E, na sequência do plano Juncker, a sustentabilidade está acima de tudo, havendo planos para um orçamento da União que tenha em conta, de um modo transversal, a concretização dos objetivos climáticos.
Falam de uma Europa justa, social e humana: como é que isso se constrói?
Quando perguntamos aos jovens por que razão foi criada a União, uma das respostas mais frequentes é por motivos comerciais. Não – era garantir a paz, ter um projeto de solidariedade e de vida em comum, de união na diversidade. Se agora, em alguns países da União, como a Hungria, a Polónia ou a Itália, o Estado de direito, os Direitos Humanos ou o respeito pelas minorias são colocados em causa é preciso que a União dê sinais bem claros a todos com uma avaliação regular, tendo por base os critérios do Tratado de Copenhaga. Para nós, Déi Gréng, a União Europeia é, acima de tudo, uma comunidade de valores que aceitamos defender. Digo sempre que é um pouco como no amor: quando pensamos que está garantido e que não precisamos de o defender, é o momento em que mais está em risco. A União Europeia, como o amor, não pode ser dada por garantida. E em fases de crise como a dos refugiados é ainda mais importante defender juntos valores como a solidariedade.
Foi detida na Bélgica, durante uma ação numa base norte-americana em Kleine Brogel contra o armazenamento de bombas atómicas. Ora, isto também não é a Europa...
Foi um ato de desobediência civil refletido e preparado para sensibilizar as pessoas no sentido de saberem que temos bombas atómicas muito potentes na União, muita gente não o sabe e isso não é garantia de segurança. Não o fizemos por questões mediáticas, mas porque os Estados Unidos vão sair do tratado INF com a Rússia e arrisca-se uma nova corrida às armas. A ideia era colocar em evidência o perigo do cancelamento do INF, mas fomos pacíficos e não destruímos nada... Em matéria de defesa, no Parlamento Europeu temos defendido uma política mais coerente, mas, pelo menos para já, trata-se de questões decididas pelos diferentes países em termos de Conselho. Não estamos preparados para um Exército europeu, mas para deveres de mediação e de garantes da paz. Os Estados Unidos vão sair do tratado INF com a Rússia e a Europa está no meio.
Nesse contexto, sem um Exército europeu, como se garante a defesa europeia?
Não digo que isso nunca venha a acontecer, mas talvez cada país possa especializar-se numa área e haver melhor coordenação. Não podemos dizer que não exista já muito investimento neste campo, pois a União está no segundo lugar aí. No fundo, falar sempre a uma voz e controlar também os contratos de venda de armamento para não sermos hipócritas.
A subida da extrema-direita tem sido apontada como um foco de preocupação para estas eleições. Tem medo que isso suceda?
Usam o populismo como arma e apresentam respostas simplistas a problemas muito complexos. O nosso desafio é explicar às pessoas que as questões complexas não têm respostas simples e lutar contra a desinformação. Porque foi isso que levou à vitória de Bolsonaro no Brasil ou do Brexit. Confio no eleitorado e, se estivermos perto das pessoas e lhes explicarmos as vantagens da União, mesmo que haja uma ligeira subida dos extremistas, desde que os partidos progressistas se unam, eles serão sempre uma minoria. É preciso melhorar alguns aspetos, ter uma política migratória mais coerente, assegurar a coesão e a justiça social. Porque Bruxelas somos todos nós e a decisão pertence aos eleitores que pode ver o Parlamento Europeu em ação desde que queira, indo ao encontro dos deputados.
Como fica o projeto europeu em função do Brexit?
É um caso em que todos perdem, uma situação desastrosa e caótica. Temos de esperar para ver o que vai dar. Sempre defendemos um segundo referendo, porque no primeiro muitos jovens não puderam participar e outros foram enganados pela retórica populista. Ainda assim, vão continuar a ser parceiros privilegiados da União. Existe incerteza, mas, se houvesse um segundo referendo, seria fulcral uma resposta bem clara.
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