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Europeias. Starsky Flor quer "reforçar poder de decisão dos cidadãos"
Luxemburgo 3 min. 22.05.2019

Europeias. Starsky Flor quer "reforçar poder de decisão dos cidadãos"

Europeias. Starsky Flor quer "reforçar poder de decisão dos cidadãos"

Foto: Chris Karaba / Contacto
Luxemburgo 3 min. 22.05.2019

Europeias. Starsky Flor quer "reforçar poder de decisão dos cidadãos"

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Cabeça de lista às eleições europeias e copresidente do Partido Pirata, Starsky Flor propõe a criação de um salário mínimo para a União.

Foi em função das suas origens que desenvolveu interesse pela política?

A política interessou-me sempre, lia os jornais em jovem e, no liceu, estive cada vez mais atento. Quando comecei a trabalhar envolvi-me ainda mais. No Partido Pirata entrei em 2013. Conheci Sven Clement, segui a sua evolução e percebi que, como presidente, estava próximo dos cidadãos. Convidou-me, filiei-me e passei a identificar-me com um partido aberto e com propostas novas. Trabalhámos juntos e isso aproximou-nos.

O que representa para si o desafio de lutar pela entrada do Partido Pirata no Parlamento Europeu?

Olhando ao meu percurso, vejo que as nossas ideias são boas, as pessoas seguem-nos e isso dá-nos mais força para participar. Em 2013 não quis participar nas eleições porque me faltava experiência e, em 2017, nas comunais, não fui eleito, mas tivemos bons resultados, melhores do que o esperado, debatendo e estando perto das pessoas. Tornei-me conselheiro municipal em Pétange, mas mudei-me e deixei o lugar a outro. Nesta campanha, mostramos ser um partido pró-Europa com um sistema que já é positivo mas que queremos melhorar. É preciso mostrar às pessoas que a Europa existe para todos os cidadãos, seja qual for a sua nacionalidade. Uma Europa mais justa e social, mais evoluída, que tenha um salário mínimo para toda a União. Quando foi criada, a paz era o seu principal objetivo. É preciso que continue nesse caminho, mas que se reforce o poder de decisão dos cidadãos e a democracia. Por exemplo, a eleição do Presidente do Parlamento deve ser direta, defendemos o reforço dos referendos a nível europeu e transparência nas negociações e decisões políticas com acesso dos cidadãos a este trabalho e aos documentos.

Como analisa os perigos dos populistas e dos extremistas e em que medida ameaçam o projeto europeu?

Trata-se de uma ameaça, de facto, porque jogam com os medos das pessoas. Tentam cortar a Europa ao meio, dividindo as pessoas e jogando com os seus receios. E isso não pode ser.

Um dos maiores desafios destas eleições é evitar o crescimento da extrema-direita: receia que isso não se concretize?

É um perigo e devemos afastar os populismos com as suas mentiras e as suas formas de manipulação. O desafio reside precisamente em mostrar que a Europa não é isso e que é preciso não ter medo e contrariar o populismo, dando mais informação às pessoas e conseguindo ser mais justo e mais social. Mas também não podemos esquecer temas como a necessidade de uma economia forte e resistente às crises, a eficiência na digitalização, a proteção do ambiente, dos recursos e dos animais, a defesa das energias renováveis.

No meio de tudo isto, o Brexit gera ainda mais incertezas...

Logo à cabeça, o Brexit é algo de negativo. Com este exemplo pudemos perceber aquilo de que o populismo é capaz, dando má informação às pessoas e fornecendo uma imagem da Europa que não é verdadeira. É também por isto que queremos transmitir as nossas ideias e convidar as pessoas para as discutirem, porque só assim se faz uma campanha equilibrada. Não se pode confiar às cegas em tudo o que nos dizem.

Quando olha para os próximos anos, o que deve esperar-se do projeto europeu?

Estou otimista. Se os principais partidos continuarem a fazer campanhas pró-europeias, poderemos reduzir a dimensão dos populismos, melhorando o projeto europeu, apesar da sua crise atual, mesmo que haja sempre extrema-direita.

A Europa tem enfrentado enormes dificuldades com a questão das migrações e dos refugiados: como analisa a situação?

Não se trata de um problema com as migrações, mas sim da questão dos refugiados, embora se misturem. É preciso encontrar meios para receber as pessoas que fogem da guerra e devemos encontrar soluções juntos e não deixar países isolados, pois aquilo que se passa no Mediterrâneo, com pessoas que morrem todos os dias, é uma catástrofe. Temos de dar-lhes lugares, condições de trabalho e de integração. Cruzo-me com muita gente e não falta quem me diga que, depois das guerras, pretende voltar ao seu país. E vale a pena não esquecer a História, pois houve sempre quem precisasse de fugir e ser recebido noutro país. Queremos uma Europa sem fronteiras em que ninguém seja excluído e tenha igual- dade de direitos e oportunidades.


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