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Europeias. Nicolas Schmit quer "tornar a Europa mais social"
Luxemburgo 4 min. 22.05.2019 Do nosso arquivo online

Europeias. Nicolas Schmit quer "tornar a Europa mais social"

Europeias. Nicolas Schmit quer "tornar a Europa mais social"

Foto: Pierre Matgé
Luxemburgo 4 min. 22.05.2019 Do nosso arquivo online

Europeias. Nicolas Schmit quer "tornar a Europa mais social"

Paulo Pereira
Paulo Pereira
O ex-ministro do Trabalho e cabeça de lista do LSAP admite que o objetivo é ser comissário europeu, mas promete vigilância sobre a área social, se for eleito.

É um político experiente, foi ministro dos Assuntos Europeus e, durante quase dez anos, tutelou a pasta do Trabalho. Mesmo sendo já sabido que o objetivo é ser comissário europeu, que contributo pode dar ao Parlamento Europeu se for eleito?

Entre 2004 e 2009 fui ministro dos Assuntos Europeus, fui também ministro para o Parlamento Europeu durante a nossa presidência em 2015, conheço bem a instituição. Fui ainda presidente dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais Socialistas no Conselho da União Europeia, o EPSCO. Tenho estado sempre muito envolvido em temas europeus e sociais, segui de perto o grande dossier do pilar dos direitos sociais. Não escondo que a ideia não é ficar muito tempo no Parlamento se for eleito, pois está previsto que o Governo luxemburguês me proponha para comissário europeu. Mas irei para o Parlamento se for eleito no início de julho, pois há decisões importantes a tomar, como é o caso da eleição do Presidente da Comissão. Para mim, os dossiers sociais são fundamentais.

E progrediram nesta legislatura?

Apesar de não ser do meu partido, tenho de ser correto: houve uma certa promoção do social sob a presidência de Jean-Claude Juncker, depois do ’blackout’ na presidência de Durão Barroso. Não foi apenas pela posição de Juncker em tratar o social com atenção, mas também a contrapartida da sua eleição, porque houve uma espécie de contrato entre os socialistas e o PPE nesse sentido. Fizeram-se diretivas importantes, como a dos destacamentos de trabalhadores, a dos transportes, o pilar dos direitos sociais, a da conciliação entre vida privada e profissional, a dos contratos de trabalho. E podia continuar a lista, portanto, houve progressos assinaláveis.

No entanto, há caminho para fazer...

Sem dúvida, há muito para fazer, embora tenhamos essa ferramenta que é o pilar dos direitos sociais e temos de continuar a colocá-los em ação. O meu papel, no Parlamento ou noutro lado, é manter-me vigilante na defesa do social como prioridade da agenda política. Porque vivemos uma crise séria da União Europeia, com questões como o Brexit ou o populismo, e é preciso que o cidadão saiba que a Europa é primeiro para ele, para melhorar as suas condições de vida e de trabalho, a sua segurança, incluindo no mundo do trabalho e com as novas tecnologias.

No programa eleitoral, a solidariedade é vista como valor fulcral: por que razão está em perda na União?

Atravessámos um período de enorme dificuldade com a crise financeira e das dívidas soberanas, mas também as políticas duras de austeridade que atingiram sobretudo os cidadãos menos ricos de países como Portugal ou a Grécia. Tudo isto foi um pouco imposto pela União Europeia e por um certo número de Estados-membros que desempenharam um papel decisivo na definição destas políticas. A solidariedade não foi colocada de lado, mas a que foi mostrada aos países em dificuldades não esteve à altura. É preciso devolver este valor à linha da frente, porque está em causa o sucesso da Europa e de cada um de nós, é um investimento na estabilidade da União e da democracia na Europa. Porque pessoas instáveis vão apoiar as forças desestabilizadoras da União e devemos redescobrir o poder da solidariedade no contexto do bem comum.

Falou há pouco dos populismos: receia o crescimento da extrema-direita nestas eleições?

Inquieta-me, sem dúvida. Mas não simplificaria a situação falando da extrema-direita contra tudo o resto. Bem sei que essa é a abordagem de Macron, que disse “Nós, os progressistas...” – bem, não sei o que quis dizer com isso –, contra os anti-europeus, a extrema-direita, os populistas, etc... Claro que é preciso lutar contra os argumentos das forças destruidoras, daqueles que colocaram o Reino Unido numa situação impossível, com um Brexit que será uma catástrofe económica e social. Devemos ter as razões certas para confrontar os populistas, não apenas num plano defensivo, mas de modo positivo, porque queremos melhorar e reformar a Europa, tornando-a mais social, mais dinâmica na área económica e nas novas tecnologias, mais democrática, mais compreensível.

Mas há muitos receios pela Europa fora com a possibilidade do crescimento de extremistas e populistas...

Não devemos ter medo, porque este é sempre um mau conselheiro. Devemos apresentar propostas, porque eles não as têm, querem destruir, são contra, falam de um modo confuso de uma Europa das nações. O que significa isto? Voltar aos nacionalismos que, como disse Mitterrand, são a guerra? As nações são uma realidade, ninguém as quer dissolver, a Europa deve ser uma forma de se exprimirem, mas também de se juntarem para confrontar os novos perigos de um mundo de bestas, como disse um antigo primeiro-ministro italiano.

Qual é, então, a melhor maneira de responder?

Há problemas e devemos dar respostas, como sucede no caso dos migrantes. Não podemos abrir as portas a todos, nem deixar de lado as responsabilidades humanitárias, embora seja preciso gerir esses fluxos. E, nesse caso, há o grande desafio do desenvolvimento e temos de tornar o desenvolvimento de África na grande missão da Europa, até porque os chineses já lá estão e existe lá um potencial fantástico de recursos humanos e naturais.