Escolha as suas informações

Estudar ainda garante emprego no Luxemburgo
Luxemburgo 3 min. 11.09.2019

Estudar ainda garante emprego no Luxemburgo

Estudar ainda garante emprego no Luxemburgo

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 3 min. 11.09.2019

Estudar ainda garante emprego no Luxemburgo

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
A OCDE adverte que o Grão-Ducado é dos países com um dos níveis mais elevados de abandono escolar no ensino secundário. Alunos estrangeiros têm dificuldades em lidar com o sistema de ensino trilingue luxemburguês, explica a OCDE ao Contacto.

Estudar ainda compensa. No Luxemburgo, os adultos com um nível educacional mais alto – com mestrado ou doutoramento – têm maiores perspetivas de emprego. Quem o diz é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no seu relatório Education at a Glance, divulgado dias antes do início do novo ano letivo. Este facto é tanto mais importante, tendo em conta que o Grão-Ducado tem uma das mais elevadas taxas de abandono escolar no ensino secundário.

De acordo com o relatório que analisa o estado da educação em 35 países, no Luxemburgo, a taxa de emprego é oito pontos percentuais mais elevada para aqueles que têm um mestrado em comparação com aqueles que têm um bacharelato. Aquele valor é o dobro da diferença média de emprego da OCDE. Se se olhar para os dados do desemprego divulgados pela Agência para o Desenvolvimento do Emprego (Adem), a tendência é de subida do desemprego entre aqueles que têm estudos superiores. Contudo, olhando para os números absolutos, há muito menos desempregados que frequentaram a universidade do que aqueles que têm estudos de nível primário ou secundário. De acordo com os dados referentes a julho, o número de pessoas com estudos superiores inscritas no centro de emprego subiu mais de 14%, para 3.422. Valor que compara com as 12.246 pessoas que frequentaram o ensino primário e secundário à procura de emprego.


Ano letivo. Saiba qual o calendário das férias escolares
Já falta pouco para o arranque do novo ano escolar: este começa na segunda-feira, 16 de setembro. O ano letivo já está definido, incluindo os períodos de pausa. Saiba desde já quando pode marcar as merecidas férias em família.

Muitos desistem da escola

A OCDE alerta, por outro lado, para o facto de o Grão-Ducado ter um elevado número de alunos que acaba por desistir da escola, sobretudo no secundário. Mas por que motivo a taxa de abandono escolar é tão elevada? Em declarações ao Contacto, a OCDE explica que a performance dos alunos no Luxemburgo é fraca e há uma alta taxa de cumbos. A média dos resultados dos testes Pisa – que comparam a performance dos estudantes entre países – está abaixo da média da OCDE e o impacto das condições socio-económicas dos alunos está entre os mais altos. A OCDE afirma ainda que, a grande presença de estrangeiros no país torna a população estudantil heterógenea “e aqueles que falam uma língua diferente em casa podem ter dificuldades em lidar com o sistema trilingue do Luxemburgo”. Como consequência, uma parte significativa dos alunos repete o ano. O relatório de 2018 indicava que 10% dos alunos até ao nono ano e 11% até ao 12° repetiam, pelo menos, um ano escolar. A média da OCDE é de 2% e 4%, respetivamente.

Trabalho mais qualificado, menos tempo para a família

O relatório conclui também que quem frequentou um nível de ensino elevado e tem um trabalho mais qualificado, tem menos tempo para dedicar à família. Segundo o estudo, no Luxemburgo, os trabalhadores declaram ter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional mais alto do que a média da OCDE, mas este equilibrío vai diminuindo à medida que o nível educacional aumenta. 45% dos adultos que frequentaram o ensino superior tiveram dificuldades em cumprir com as suas obrigações familiares nos últimos 12 meses, valor que baixa para os 38% no caso de trabalhadores com o ensino secundário.



Luxemburgo é um dos países onde as aulas começam mais tarde
A rentrée escolar à porta e cada país tem a sua data. Em Portugal, as escolas reabrem as portas entre 10 e 13 de setembro, um pouco mais cedo que o Luxemburgo.

Os professores mais pagos com as turmas mais pequenas

Uma das tendências identificadas em quase todos os relatórios da OCDE repete-se neste: os professores luxemburgueses são os mais bem pagos do conjunto dos 35 países analisados. Os docentes do ensino pré-primário e primário com 15 anos de experiências têm um salário 88% mais elevado do que o de outros trabalhadores que frequentaram o ensino superior. No caso de professores do ensino secundário, a diferença sobe para dobro. Em relação à média, a OCDE explica que os professores – qualquer que seja o nível de ensino – recebem menos do que outros trabalhadores com educação superior.

O Grão-Ducado destaca-se ainda por ter turmas mais pequenas do que a média da OCDE. As salas de aula do ensino primário têm 15 alunos e 19 estudantes no ensino secundário até ao nono ano, números que comparam com os 21 e 23, respetivamente, da média da OCDE.


Notícias relacionadas

Grão-Ducado não consegue ajudar alunos em desvantagem
Imagine uma corrida em que alguns dos participantes partem alguns minutos mais tarde. O esforço que terão de fazer para chegar aos primeiros participantes terá de ser muito superior e a maior parte não conseguirá mesmo chegar à meta num tempo aceitável. Na escola, imagine o mesmo cenário: os alunos que têm algum tipo de desvantagem têm maiores dificuldades em conseguir um desempenho melhor.
February 22, 2018 - Luxembourg: Students participate in the 11th edition of Olympics in natural sciences in Campus GeeseknŠppchen in Luxembourg. Students compete for the highest marks in biology, chemistry and physics tests. Photo: Matic Zorman
Relatório revela : Residentes do Luxemburgo entre os maiores consumidores de álcool na OCDE
Mais de 118 garrafas de vinho. É a quantidade média que um residente no Grão-Ducado bebe por ano. O valor está acima da média da OCDE e é dos mais elevados entre os países analisados. Em relação ao tabagismo o país compara melhor, já que foi um dos Estados, onde o hábito mais recuou entre 2000 e 2015. Os adultos estão a fumar menos, mas a taxa de jovens fumadores é das mais altas.
Editorial: Vacina anti-crise
Demasiados jovens continuam a ser “orientados” para o ensino técnico pelos pais e pelos professores, muitas vezes em detrimento dos seus sonhos e aptidões, sob o pretexto de terem um emprego assegurado.
Ter curso superior ainda garante emprego
Os alunos do ensino superior preferem cursos de gestão, administração de empresas e direito. De acordo com a OCDE, os professores são dos mais bem pagos e as turmas são mais pequenas.