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Estudantes voltam à greve contra as alterações climáticas
Luxemburgo 4 min. 19.09.2019

Estudantes voltam à greve contra as alterações climáticas

Estudantes voltam à greve contra as alterações climáticas

Gerry Huberty/Luxemburger Wort
Luxemburgo 4 min. 19.09.2019

Estudantes voltam à greve contra as alterações climáticas

Quatro meses depois da última greve os jovens luxemburgueses voltam aos protestos para exigir medidas efetivas do governo no combate às alterações climáticas. O Ministério da Educação ameaça com faltas injustificadas. Os estudantes desvalorizam.

“Enquanto não formos ouvidos não vamos parar os protestos”, explica Thaís Lasar, a ativista do Youth For Climate Luxembourg que vai trocar “de bom grado” os festejos do 17° aniversário pelo protesto que, pela terceira vez consecutiva, exige “ações concretas” do governo liderado por Xavier Bettel.

Depois das mobilizações de março e maio, os estudantes voltam à carga com o lema “Sacrificar a Educação pelo nosso futuro” na semana do arranque no ano escolar no país. “Não conseguimos prever quantas pessoas vão participar, mas temos esperança que as pessoas se mobilizem”, confessa Thaís que entre outras dezenas de jovens coordena no Luxemburgo a plataforma juvenil, que tem ações marcadas em todo o mundo para alertar para os efeitos das alterações climáticas.

Desta vez o percurso não passa pelo parque do Glacis nem pela Ponte Vermelha. A ideia é que os jovens se concentrem nas diferentes escolas às 10h00 e se encontrem, às 11h00 em frente à estação central do Luxemburgo. “Uma questão meramente logística”, explica a organização. “Marcamos o ponto de encontro na Gare para termos a certeza que chegamos mais ao menos ao mesmo tempo, porque há muitas escolas que ficam longe do centro e, assim, temos um ponto de referência”.

Faltas injustificadas

A greve estudantil não agrada a todos. Por ser um tema que “interessa a todos”, Thaís lamenta a falta de apoio das escolas. Esta quarta-feira, a 48 horas da manifestação, o Ministério da Educação avisou que todos os alunos que decidam aderir ao protesto, sem uma autorização por escrito dos pais, vão ser punidos com uma falta injustifiçada no boletim escolar. Em declarações ao Wort, o chefe de gabinete do ministro da Educação, Lex Folscheid, diz que os estudantes não estão dispostos a negociar com o governo que, por sua vez, não compactua com “atos de desobediência civil”.

Em resposta, os estudantes desvalorizaram nas redes sociais o que apelidam de “táticas de intimidação”.  

 “A posição do governo sobre se os alunos podem ou não participar na manifestação é irrelevante. Estamos numa crise climática”, reiteram. No mesmo sentido, horas antes de ser divulgada a decisão da tutela, Thaís já antecipava que a emergência ambiental “é mais importante que qualquer falta injusticada” no cadastro escolar. “As crianças e os jovens não têm poder político e quando lemos as notícias e os artigos dos cientistas e percebemos que não há tempo a perder a nossa única arma para chamar a atenção para este problema global é mostrar a nossa indignação nas ruas”.

Filha de um luxemburguês e de uma brasileira emigrada há mais de 20 anos, Thaís não esconde que a percursora da greve às aulas, Greta Thunberg é uma inspiração. "Quando reparei que este movimento estava a ganhar sentido com a coragem dela fiquei com muita esperança. Achei que era muito importante responder à chamada", conta. 

Entretanto, o sindicato dos professores OGBL/SEW já manifestou solidariedade com a greve dos estudantes. Aconselhou-os em comunicado de imprensa a “correr riscos” para “participar massivamente no evento” que promete mobilizar centenas nas ruas luxemburguesas esta sexta-feira.

Mudar o paradigma”

As reivindicações são as mesmas. Para salvar o planeta, “enquanto é tempo”, os jovens insistem numa mudança de paradigma. Até 2040 querem que o Luxemburgo forneça 100% de energia renovável. Num prazo mais reduzido, insistem que o governo deve tomar as medidas necessárias para reduzir a zero as emissões de gases com efeito de estufa, no mínimo em dez anos.

“Mas as nossas exigências não ficam por aqui. Esta é só a primeira de três”, explica Thaís “Não achamos aceitável que o governo continue a investir em empresas que continuam a usar energias fósseis. Esta é a nossa segunda reivindicação: não queremos investimentos em empresas que contribuem para a destruição do planeta”.

Dentro desta premissa, os estudantes pedem ainda medidas concretas para combater a evasão fiscal. Explicam que as “enormes somas de dinheiro desviadas podem ser investidas no bem-estar nas pessoas e do mundo”. Caso o Estado e as instituições mantenham os braços cruzados, propõe uma “mudança de paradigma”. Com o mote “justiça climática” exigem uma onda de solidariedade com os países mais afetados pelos crimes ambientais e pelas alterações climáticas.

Semana de Ação

A greve estudantil agendada para esta sexta-feira, 20 de setembro, inaugura a semana de ação da United for Climate Justice Coalition. Há milhares de eventos agendados em todos os pontos do globo, entre 21 e 27 de setembro. À semelhança do que acontece noutros países, no Luxemburgo, o ponto alto da mobilização está agendado para o último dia da semana. Na capital estão previstas quatro marchas diferentes. Pelo menos 12 associações ambientais estão “unidas pela justiça climática”.

Entre segunda e sexta-feira há dezenas de ações simbólicas como os dias de consciencialização da “Limpeza” ou do “Ataque ao Plástico”. Há caminhadas e passeios de bicicleta e um dia “Flower Power” dedicado à biodiversidade.

Um mês depois, a 19 de outubro, as organizações ambientalistas reúnem-se em Assembleia Nacional para discutir os passos a dar na defesa do meio ambiente.