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Estudantes do Luxemburgo voltam hoje a protestar contra as alterações climáticas
Luxemburgo 3 min. 24.05.2019

Estudantes do Luxemburgo voltam hoje a protestar contra as alterações climáticas

Estudantes do Luxemburgo voltam hoje a protestar contra as alterações climáticas

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 3 min. 24.05.2019

Estudantes do Luxemburgo voltam hoje a protestar contra as alterações climáticas

Vão voltar a faltar, hoje, às aulas, mas dizem que é por uma boa causa: salvar o planeta Terra do aquecimento global. Não é apenas no Luxemburgo que os jovens se vão manifestar. O protesto vai-se fazer sentir em 1600 cidades em 119 países, incluíndo Portugal.

Os jovens do Luxemburgo vão manifestar a favor do clima, no centro da cidade do Luxemburgo.

Ao contrário da primeira manifestação, que se realizou no 15 de março último, a marcha desta sexta-feira é considerada pela organização como um “ato não violento de desobediência civil”.

A plataforma estudantil Youth for Climate Luxembourg, que organiza a marcha, publicou esta semana na sua página Facebook que vai bloquear as duas faixas da ponte Vermelha, no sentido de Kirchberg para o centro da cidade do Luxemburgo, apelando aos participantes que evitem qualquer tipo de violência.

Confrontada com este ato de desobediência civil, a porta-voz do Ministério da Educação, Myriam Bamberg, disse à Rádio Latina que o ministro da tutela, Claude Meisch, não deu instruções aos diretores das escolas para justificar as faltas dos alunos.

Como consequência, e ao contrário da primeira marcha do mês de março, os alunos que faltarem hoje às aulas para aderirem à marcha pelo clima, arriscam falta injustificada. Apesar disso, o protesto tem apoio de sindicatos como a OGBL e dos cientistas luxemburgueses da UNI, que escrevem no comunicado em que manifestam o seu apoio: "As provas científicas demonstram: o impacto humano sobre o clima é real e a degradação progeressiva dos recursos naturais tal como a poluição ameaçam a sobrevivência de muitas formas de vida, inclusive a espécie humana". 

Na primeira ação pelo clima promovida pelos jovens do Luxemburgo, a marcha saiu do parque de estacionamento do Glacis e culminou na praça Guillaume II.  Nesse dia saíram à rua 7.500 jovens, segundo a polícia, e 15.000, segundo a organização.

Na rua em todo o planeta

O protesto, o segundo deste ano, serve para alertar os governos para a necessidade de tomarem medidas concretas para se limitarem a emissão de gases com efeito de estufa, que, segundo os cientistas de todo o mundo, estão a provocar alterações drásticas, graves e rápidas no clima da Terra.

Depois de uma greve idêntica a 15 de março passado, a de hoje tem o apoio dos adultos, seja professores sejam organizações (ambientalistas por exemplo), sejam cidadãos anónimos.

Estão previstas ações dos jovens em mais de 1.600 cidades de 119 países e em Portugal devem realizar-se manifestações em pelo menos 48 locais, por todo o país.

Na greve de março, aderiram cerca de 20 mil estudantes em Portugal. A nível global a luta em defesa do planeta juntou 1,6 milhões de estudantes de mais de uma centena de países.

O movimento dos jovens tem origem numa estudante sueca, Greta Thunberg, que no verão passado começou sozinha uma greve às aulas, manifestando-se em frente ao parlamento sueco de onde esperava ver tomadas medidas no sentido de revolver a crise climática.

Na sexta-feira, como ela diz na sua página na rede social Facebook, já não vai estar sozinha na greve e fala que em mais de cem países os jovens vão exigir ação dos governos.

Em Portugal, a maioria dos protestos tem como destino as autarquias locais, com algumas exceções, como a marcha em Lisboa, que começa no Marquês de Pombal e termina na Assembleia da República.

A greve climática estudantil, um movimento político-apartidário, descentralizado e pacífico, é “a voz de uma juventude farta da negligência das classes políticas face ao futuro”, segundo o manifesto publicado na página da iniciativa na mesma rede social.

Os jovens querem nomeadamente a proibição da exploração de combustíveis fósseis em Portugal, o enceramento das centrais elétricas a carvão de Sines e do Pego, o uso de 100% de energias renováveis até 2030 e neutralidade carbónica nessa altura (o Governo tem 2050 como meta), melhores transportes públicos e menos agricultura intensiva.

Na quinta-feira a Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) alertou para tentativas de aproveitamento político da greve climática estudantil, referindo-se a “tentativas de infiltração”, no movimento estudantil, “de organizações ligadas a interesses ideológicos e políticos de vários carizes” em vésperas das eleições europeias.

Redação Latina com Lusa

 

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