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“Estrada entre Luxemburgo e Portugal está a transformar-se numa autoestrada”
Luxemburgo 3 6 min. 20.06.2022
Economia

“Estrada entre Luxemburgo e Portugal está a transformar-se numa autoestrada”

 Pedro Faria , Spacety
Economia

“Estrada entre Luxemburgo e Portugal está a transformar-se numa autoestrada”

Pedro Faria , Spacety
Foto: Guy Jallay
Luxemburgo 3 6 min. 20.06.2022
Economia

“Estrada entre Luxemburgo e Portugal está a transformar-se numa autoestrada”

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
As primeiras pedras desta nova via rápida que liga o Luxemburgo a Portugal começaram a ser colocadas na visita de Estado a Portugal do Grão-Duque Henri que decorreu de 11 a 12 de maio diz Pedro Faria, COO da Spacety.

 Essencial foi a Missão Económica que permitiu multiplicar os contactos entre os empresários dos dois países. A opinião é de Pedro Faria, Chief Operating Officer (COO) da empresa Spacety. Um dos mais ativos empresários diz que durante a visita os seus “dias de trabalho começavam muito cedo e terminavam muito tarde”.  Tal como acontece na web summit, um dos maiores eventos de tecnologia que se realiza em Lisboa, “há muita coisa que se fala e se decide e muitos contactos que se desenvolvem entre a meia-noite e as 2h da manhã”

Agora “há trabalho a desenvolver em várias vertentes, a nível profissional e pessoal nomeadamente em promover o encontro das pessoas”, sublinha. “Há que manter a ligação e a dinâmica”, adianta Pedro Faria. Para que as coisas não caiam por terra prepara-se já um segundo fórum económico Luxemburgo-Portugal. Mas a Câmara de Comércio Luxemburguesa também vai a Londres e ao Canadá, em breve. Por isso a palavra de ordem deve ser: foco. É preciso “não se dispersar demasiado”.  É essencial manter uma certa focalização, “nem que seja a nível do país, da empresa e da área, para que não nos dispersemos e corremos o risco de tentar ir a todas e no final não ter nada”.


Portugal e Luxemburgo constroem "ponte económica"
Nos próximos meses, três ministros luxemburgueses vão visitar Portugal. Visita recente dos Grão-Duques foi o ponto de partida.

“Há já muitas ligações entre os dois países”, sublinha. “Já existe uma estrada que está a funcionar e a crescer para se transformar-se numa autoestrada”, descreve Pedro Faria. 

“Acho que a autoestrada se vai concretizar, porque há intenção política, mas também porque as instituições do lado de Portugal e do Luxemburgo têm os meios disponíveis para o fazer”, diz.

O embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, “foi o motor que fez a coisa acontecer”. Mas é preciso continuar a manter a dinâmica e o impulso. E ir medindo e tirando a temperatura. “Há um certo número de fatores que estão lá e que é preciso avaliar os indicadores para ver se as coisas não se estão a desvanecer ou diluir. É possível obter resultados para mostrar que a coisa está a funcionar. E ver os momentos cristalizadores”, afirma o COO da Spacety.

“Há uma certa urgência em manter a colaboração, porque senão às tantas corremos o risco de ter uma autoestrada que está vazia e que ninguém utiliza e que começa a desgastar-se”, alerta o empresário.

No final da missão e no regresso a casa a maioria dos luxemburgueses “veio fascinada com Portugal”, sublinha. Porque encontraram um país muito diferente do que estavam à espera.

Agora a hora é de continuar os contactos para que possam transformar-se em projetos. “Com um deles, um dos fornecedores privilegiados de uma agência europeia que existe em Lisboa, já estou a desenvolver um projeto comum”, exemplifica o empresário

Luxemburgo e Portugal são parceiros privilegiados

 

Mas a visita de Estado demonstra que o Luxemburgo elegeu Portugal como parceiro privilegiado. Mesmo nos discursos os responsáveis dos dois países mencionaram “a facilidade, a proximidade, em vários setores, como espaço”. Porque nem Portugal, nem o Luxemburgo são enormes, mas têm uma dimensão económica importante, tendo em conta a sua relativa pequena dimensão. “O Luxemburgo é a segunda praça, a nível mundial, de transação de fundos”, o que é muito relevante diz o empresário.

Portugal deve “cooperar e colaborar em termos tecnológicos, mas também na educação”. Avançou-se também a possibilidade da cooperação entre a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Luxemburgo, na sequência da atribuição do doutoramento honoris causa ao Grão-Duque Henri.

A universidade é recente, mas acabaram de lançar um mestrado no Espaço.

Depois há a proximidade geográfica entre os dois países: “Chego mais depressa do Luxemburgo a Portugal do que demoro a fazer a viagem de carro Lisboa- Porto. O tempo e a frequência das ligações facilitam muito as coisas”, salienta Pedro Faria.

Portugal é também uma economia em crescimento. “Em termos de turismo, segundo referiu o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, os números dos 1° trimestre, estavam iguais aos anteriores da pandemia”. E há um vasto mar de oportunidades de colaboração.

A tecnologia financeira e todo o setor das Tecnologias de informação e Comunicação. No espaço há também um universo de possibilidades. 

“O novo espaço pode transformar-se naquilo que foram as Tecnologias de Informação e Comunicação há uns anos”. Um setor que representa tudo o que está para além do espaço tradicional, novas tecnologias, a Lua e Marte. Há por exemplo uma empresa que está a desenvolver painéis solares que produzem energia elétrica a partir de areia do deserto, enumera Pedro Faria.

Esta área “é uma belíssima oportunidade e há vontade política e de fundos no Luxemburgo para avançar”.

Mas também houve muitos contactos com a universidades que deram resultados. A comitiva da Missão Económica começou no Porto com uma visita à Salvador Caetano, seguida de uma passagem pelo Parque da Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC). Mais uma oportunidade para contactos e um convite para colaborar com a Universidade do Porto, na qualidade de antigo aluno, porque faz agora 30 anos que Pedro Faria se licenciou em Engenharia Mecânica nesta instituição. 

A sua passagem por Portugal incluiu uma visita à Portugal Ventures, em que faz parte de um painel de avaliadores. Uma Agência de Capital de Risco do Estado português para atrair e financiar empresas que queiram começar em Portugal a trabalhar. Até porque o país já viu nascer sete “unicórnios”, empresas que atingem rapidamente a valorização de mil milhões de dólares.

E há cada vez mais empresas a montar operações em Portugal. É o caso da luxemburguesa Losch que tem “um centro de desenvolvimento muito importante no Porto”.

Mas há outros exemplos como a Kneip Communication que, recentemente, criou um centro de desenvolvimento no Porto. Para além de Lisboa, a região norte do país também tem muitos atrativos. Braga e Vila real, “têm também universidades, e salários relativamente mais baixos ainda. Há muitos que preferem o Porto para trabalhar, sobretudo os nórdicos porque não tem tanto calor como a capital no verão”.

Mas estar no Luxemburgo também pode ser um privilégio: “Em 90 minutos chegamos aos lugares onde cerca de 80% do PIB europeu é produzido”.

Discriminação é um falso problema

Pedro Faria nunca se sentiu discriminado no Luxemburgo. “No país já devem existir sete a oito gerações de portugueses que foram chegando por vagas. Há portugueses que vieram durante a crise mais recentemente”, afirma.

O segredo está em quando alguém chega a um outro país deve procurar integrar-se e não recriar o país de origem nessa nova geografia. Essa é a receita “para se criarem guetos: se as pessoas não se integram e vamos a sítios que parecem Portugal, mas fechados ao resto da sociedade. Acho que é uma grande oportunidade que se perde sobretudo para as gerações futuras”. “Há portugueses que se integram e que nem sequer se nota que são portugueses”. A discriminação “é um falso problema”, conclui.

 

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