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Especialista alemão diz que "não se justifica estigmatizar os não vacinados"
Luxemburgo 2 min. 23.11.2021
Covid-19

Especialista alemão diz que "não se justifica estigmatizar os não vacinados"

A regra "2G" na Alemanha limita o acesso apenas a vacinados e recuperados da covid-19
Covid-19

Especialista alemão diz que "não se justifica estigmatizar os não vacinados"

A regra "2G" na Alemanha limita o acesso apenas a vacinados e recuperados da covid-19
Foto: Helmut Fricke/dpa
Luxemburgo 2 min. 23.11.2021
Covid-19

Especialista alemão diz que "não se justifica estigmatizar os não vacinados"

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
É "perigoso e errado" analisar a situação pandémica com essa lente, uma vez que "há cada vez mais provas de que os indivíduos vacinados continuam a ter um papel relevante na transmissão", diz o investigador Günter Kampf, que é contra a expressão "pandemia de não vacinados".

Um artigo publicado na revista médica The Lancet aponta como injustificável a estigmatização dos não vacinados. 

O autor do artigo é um médico alemão especialista em Higiene e Medicina Ambiental que garante que há uma simplificação do problema por parte dos líderes políticos que utilizam expressões como "pandemia de não vacinados".

O professor universitário aponta como exemplo a Alemanha, onde 55,4% dos casos de covid-19 sintomáticos em pacientes com 60 anos ou mais correspondiam a indivíduos totalmente vacinados, sendo que essa "proporção está a aumentar a cada semana", escreveu. Em Münster, os novos casos de covid-19 ocorreram em pelo menos 85 (22%) das 380 pessoas que foram totalmente vacinadas ou que recuperaram da covid-19 e que frequentaram uma discoteca.

"As pessoas que são vacinadas têm um risco mais baixo de doença grave, mas ainda são uma parte relevante da pandemia. Por conseguinte, é errado e perigoso falar de uma pandemia dos não vacinados", escreve o autor do artigo. 

Também em Massachusetts, nos EUA, um total de 469 novos casos de infeção por covid-19 foram detetados durante vários eventos em julho de 2021, e 346 (74%) destes casos foram em pessoas total ou parcialmente vacinadas, 274 (79%) das quais eram sintomáticas. 


Luxemburgo. Cerca de 55% dos novos casos são pessoas sem vacinação completa
No entanto, a diferença não é abismal: do lado dos vacinados, a taxa de contaminados é de 45%.

Nos EUA, um total de 10.262 casos de covid-19 foram notificados em pessoas vacinadas até 30 de abril de 2021, dos quais 2725 (26,6%) estavam assintomáticos, 995 (9,7%) foram hospitalizados, e 160 (1,6%) morreram. 

"Historicamente, tanto os EUA como a Alemanha geraram experiências negativas estigmatizando partes da população pela sua cor de pele ou religião. Apelo aos funcionários e cientistas de alto nível para que parem com a estigmatização inadequada das pessoas não vacinadas, que incluem os nossos pacientes, colegas e outros concidadãos, e para que façam um esforço extra para unir a sociedade", escreveu Günter Kampf.

Quase metade dos nobvos casos no Luxemburgo são de pessoas vacinadas

Na semana de 8 a 14 de novembro, o Luxemburgo registou 1.444 novos casos de covid-19. Desses, cerca de 45% referiam-se a pessoas vacinadas e 55% a não vacinados ou parcialmente vacinados.

Relativamente às hospitalizações, verificou-se que das 31 pessoas hospitalizadas na segunda semana de novembro, 17 não estavam completamente vacinadas, sendo que 14 tinham o esquema de vacinação completo.

A diferença dos pacientes nos cuidados intensivos também foi pequena, das 14 pessoas com sintomas graves, oito não tinham sido inoculadas com o fármaco contra a covid-19. 

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