Escolha as suas informações

Escravatura moderna. Tribunal condena grupo hoteleiro de Vianden a pagar trabalhadora portuguesa
Luxemburgo 2 min. 14.01.2020

Escravatura moderna. Tribunal condena grupo hoteleiro de Vianden a pagar trabalhadora portuguesa

Vista parcial sobre o rio Our, em Vianden.

Escravatura moderna. Tribunal condena grupo hoteleiro de Vianden a pagar trabalhadora portuguesa

Vista parcial sobre o rio Our, em Vianden.
Foto: Luxemburger/WortGerry Huberty
Luxemburgo 2 min. 14.01.2020

Escravatura moderna. Tribunal condena grupo hoteleiro de Vianden a pagar trabalhadora portuguesa

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
A imigrante portuguesa diz que "houve e não houve justiça". Vai recorrer da decisão do tribunal porque exige do "SP Group" o valor das horas suplementares e das férias não gozadas. Pede ainda 20 mil euros de indemnização por danos morais.

É uma pequena, mas primeira vitória para os trabalhadores portugueses e brasileiros, recrutados por um grupo hoteleiro de Vianden, que se queixam de escravatura moderna.

Num despacho a que a Rádio Latina teve acesso, o Tribunal de Trabalho do Luxemburgo condena o grupo hoteleiro “SP Group” a pagar o salário em atraso a um dos trabalhadores que denunciaram o caso numa recente investigação jornalística da Latina. A condenação foi também confirmada pelo Ministério Público à Rádio Latina. 


Trabalhadores recrutados em Portugal denunciam escravatura moderna em Vianden
A Rádio Latina iniciou, há cerca de um mês, uma investigação sobre trabalhadores recrutados em Portugal que se queixam de escravatura moderna num hotel e restaurantes da zona norte do país, mais concretamente, em Vianden e Ingeldorf.

O grupo luxemburguês SP é quem gere o hotel Auberge de l’Our, em Vianden, e os restaurantes Casa Mexicana e Eat Me, em Ingeldorf, onde a imigrante portuguesa Daniela Araújo e outros trabalhadores se queixam de fazer mais de 70 horas de trabalho por semana.

As queixas estendem-se ainda a salários em atraso, falta de contrato e de cobertura social, e condições precárias de habitação no sótão do hotel. Daniela Araújo apresentou duas queixas: uma à Inspeção de Trabalho e das Minas (ITM) e outra ao Tribunal do Trabalho. Para já, a única resposta veio do tribunal.

Do total de 3.100 euros que Daniela Araújo exige ao patrão, já recebeu os 1.700 de salário em atraso, mas a imigrante portuguesa vai recorrer da decisão do tribunal, desta vez através de um advogado. Quer exigir os cerca de 1.400 que diz lhe terem sido recusados sobre as horas suplementares e sobre as férias não gozadas e pede ainda 20 mil euros de indemnização por danos morais.



Exploração laboral em Vianden. ASTI acusa Inspeção do Trabalho
"A ITM não faz o seu trabalho", diz o porta-voz da ASTI, Sérgio Ferreira.

Quanto à investigação levada a cabo pela ITM e pela Polícia, depois de uma inspeção ao hotel em novembro passado, que deu lugar à expulsão do país de um trabalhador brasileiro recrutado em Portugal, a porta-voz do Ministério Público, Diane Klein, refere apenas que “ainda não há novidades” sobre o desenrolar do processo.

Entretanto, a Rádio Latina apurou junto de funcionários que ainda trabalham para o grupo SP, que a prática de horas excessivas não acabou depois da inspeção ao hotel.

Segundo o cronograma de trabalho semanal a que tivemos acesso, há quem faça, por exemplo, cerca de 60 horas semanais, superando o limite legal de 48 horas por semana, e noutros casos, há quem faça 12 horas por dia, excedendo o limite máximo de 10 horas.


Notícias relacionadas