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“Escola europeia pública na cidade do Luxemburgo pode avançar” em 2021
Luxemburgo 4 min. 16.09.2020

“Escola europeia pública na cidade do Luxemburgo pode avançar” em 2021

“Escola europeia pública na cidade do Luxemburgo pode avançar” em 2021

Foto: Lex Kleren
Luxemburgo 4 min. 16.09.2020

“Escola europeia pública na cidade do Luxemburgo pode avançar” em 2021

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Num sistema educativo em que quase metade dos alunos são estrangeiros, a criação desta escola tem como objetivo é combater o elevado insucesso escolar dos estrangeiros, nomeadamente os alunos portugueses, afirma o ministro da Educação, Claude Meisch.

O Luxemburgo é o país da OCDE com o maior investimento por aluno, mas os estudantes estão abaixo da média nos estudos internacionais como o PISA. Como assegurar que o investimento na educação seja mais eficiente no Grão-Ducado.

Sabemos muito bem que o sistema educativo deve ter reformas, de forma a adaptar-se à realidade do país e das famílias. Estamos a fazer essas reformas. Não dizemos que não há problemas. E sabemos que não podemos resolver esses problemas, apenas, com dinheiro. O facto de termos o maior investimento do mundo por aluno, é resultado de alguns fatores como o elevado custo de vida no Luxemburgo e o facto dos salários dos docentes serem mais elevados, que noutros países.

Sabemos que, tendo uma grande diversidade de origem dos estudantes, teremos que permitir a esses alunos diferenciarem-se na sala de aula. Temos necessidade de infraestruturas e mais professores, para que o número de alunos por turma possa ser reduzido.

Mas não nos podemos comparar com os outros países porque, atualmente, 2/3 dos alunos que entram no sistema educativo do Grão-Ducado não falam luxemburguês em casa. Não podemos comparar-nos a certos países que têm muito bom desempenho no estudo PISA – um estudo da OCDE que avalia as competências dos estudantes de 15 anos a matemática, ciências e leitura – porque nessas realidades existe uma diversidade cultural, muito mais baixa nas salas de aulas. A Finlândia, o grande vencedor do estudo PISA, por exemplo, tem apenas 2% de alunos emigrantes. O Luxemburgo tem quase metade.

Não podemos introduzir medidas que funcionam bem em determinado país. É evidente que há reformas a fazer, devido à diversidade da população escolar.

O que estamos a fazer nas escolas é diferenciar a oferta escolar e adapta-la às necessidades das diferentes comunidades e tipo de alunos. Não podemos dizer que as nossas escolas são todas más. Há muito boas escolas, depende do tipo de alunos que têm. Há alunos, jovens portugueses que estão a ser colocadas em causa no sistema tradicional porque não dominam o luxemburguês e são alfabetizados em alemão, uma língua que os seus pais não conseguem compreender.

A resposta pode ser generalizar as escolas internacionais?

Não digo generalizar. Mas pelo menos dar a opção aos estudantes e aos pais de terem acesso a esse tipo de escolas. Lançámos a primeira escola europeia pública há cerca de 4 anos em Differdange. O sucesso das inscrições foi notável. Depois lançamos um anexo em Esch-Sur-Alzette e depois outro em Mondorf e Clervaux, Neste momento trabalhamos outras regiões ,como a cidade do Luxemburgo, a que poderão oferecer esse ensino europeu público, já no próximo ano letivo. Trata-se de um programa de diversificação do nosso sistema educativo. Porque o sistema europeu é muito diverso. Permite aos alunos escolher língua em que são alfabetizados, podendo escolher as línguas estrangeiras: inglês, alemão, espanhol ou português. Há que escolher três línguas diferentes: francês, português ou inglês. Mas podemos dizer, por exemplo, que um aluno frequente a secção francófona, e escolha o português como a primeira língua.

Há muitos jovens que começaram a sua carreira escolar em Portugal e se instalaram no Luxemburgo e que falam muito bem o português e que aprenderam um nível muito elevado de inglês. O nosso conselho é: optem, por exemplo, por uma secção anglófona e escolham o português como a primeira língua. Tudo isto é possível no sistema das escolas europeias.

Como vai funcionar o modelo de enisno híbrido que será implementado na Universidade do Luxemburgo?

Vai funcionar como a modalidade que preparámos para os liceus. Um grupo de alunos ficará em casa. Esta é a regra para a universidade que definiram um número máximo de alunos para poderem estar nas salas de aula. Os estudantes podem, ainda, frequentar essas aulas à distância participando e colocando questões. Claro que para os “campus” da universidade foram tomadas medidas sanitárias rigorosas.

É ministro da Educação há cerca de sete anos. Qual a medida que mais se orgulha de tomar e a que de mais se arrepende?

Creio que a diversificação da oferta escolar, adaptando-a à realidade da população luxemburguesa, é a medida que mais me orgulho. Porque nos últimos 40 anos a população luxemburguesa mudou muito. E o sistema escolar não seguiu esse mudança.

Não há coisas de que me arrependa. Claro que há a questão do funcionamento do sistema educativo, quanto a isso todos são especialistas e jamais houve um grande consenso em relação ao que fazemos. Mas existe também a mesmas questão noutros domínios políticos. 

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