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Esch-sur-Alzette inspira-se em Coimbra para criar cidade do futuro
Luxemburgo 6 min. 26.06.2022
Missão Económica a Portugal

Esch-sur-Alzette inspira-se em Coimbra para criar cidade do futuro

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Esch-sur-Alzette inspira-se em Coimbra para criar cidade do futuro

Foto: Guy Jallay / Luxemburger Wort
Luxemburgo 6 min. 26.06.2022
Missão Económica a Portugal

Esch-sur-Alzette inspira-se em Coimbra para criar cidade do futuro

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Como se constrói a cidade do futuro? Ouvem-se as aspirações dos habitantes, comerciantes, agentes culturais e económicos e estudam-se as soluções de outras cidades como Lisboa, Porto e Coimbra. Depois é só desenhar uma estratégia de desenvolvimento económico e cultural.

Está a transformar-se numa cidade de referência cultural no centro da Europa. Mas Esch-sur-Alzette já está a preparar o futuro para além da Capital Europeia da Cultura Esch22.


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Uma cidade de estudantes, um centro de vanguarda na área da saúde e biotecnologia, um centro histórico com um setor cultural e económico dinâmico e uma fábrica de novos negócios. Estas são algumas das pistas do que pode ser o desenvolvimento de Esch no futuro. A estratégia económica para a cidade está ainda a ser desenhado, mas deverá ser apresentado em breve, revela Bruno Cavaleiro, Conselheiro Comunal de Esch-sur-Alzette.

Bruno Cavaleiro, Conselheiro Comunal de Esch-sur-Alzette
Bruno Cavaleiro, Conselheiro Comunal de Esch-sur-Alzette
Foto: Claude Piscitelli

O ponto de partida mostrou que há muito trabalho a fazer. “Há vários problemas que durante muitos anos não foram tratados ao nível do centro histórico da cidade que foi deixado ao abandono”, sublinha. Quando a nova coligação liderada pelo Partido Cristão-Social (CSV) foi eleita para liderar a câmara “decidiu avançar com uma iniciativa de revalorização do centro histórico de Esch, um processo que começou por ouvir os problemas da população através de workshops”. Desses encontros saiu uma lista de 150 ideias e cerca de 10 a 20 projetos puderam ser implementados a curto prazo. No diagnóstico conclui-se que “havia um número importante de lojas que estavam a desaparecer do centro da cidade” deixando em muitos casos espaços vazios e abandonados. A solução passou por criar o projeto Claire, cujas iniciais significam Conceito Local de Ativação para a Revitalização Comercial de Esch. Para começar foi dado “uma aparência mais atrativa às montras” desses espaços comerciais que estavam abandonados. Depois dois desses locais foram transformados em espaços Pop-Up com soluções de ocupação a curto prazo como comércio, gastronomia, serviços, indústrias criativas, lazer, turismo, cultura e espaços de co-working. Mas prevê-se chegar aos sete espaços neste modelo. Há também no site da Comuna de Esch um espaço para divulgar espaços disponíveis para “qualquer potencial comerciante que se queira instalar em Esch”.

Para que todos estes projetos fossem dinamizados foi criado na autarquia um Serviço de Promoção Económica, Turismo e Relações Internacionais cujo próximo passo é traçar um projeto estratégico de desenvolvimento económico da cidade.

Esch faz ponte com Portugal em missão económica

Mas “enquanto cidade não podemos estar sentados atrás da secretária e pensar que tudo se resolve localmente”, sublinha Bruno Cavaleiro. Para pensar esta estratégia “decidimos realizar uma missão económica fora do país”. “Sugeri que deveríamos escolher Portugal, não porque sou português, mas porque estou convencido que Portugal tem uma oferta económica de grande qualidade a um preço muito apetecível para além de estar na vanguarda. Por exemplo o calçado português e o mobiliário são dos melhores do mundo”, exemplifica Bruno Cavaleiro. Para o fazer durante cinco dias promoveram uma missão a Portugal com uma agenda intensa de contactos com vários setores de atividade no Porto, Mortágua, Coimbra e Lisboa. “Pretendemos ir à procura de novas marcas, design e empreendedores que têm interesse em internacionalizar-se e que através de Esch-sur-Alzette ganhem visibilidade no mercado do norte da Europa podendo alargar-se a outros mercados”, explica Bruno Cavaleiro.

Porque Esch-sur-Alzette é uma cidade multicultural em plena expansão. Com uma população de mais de 120 nacionalidades, e que terá cerca de 55 mil habitantes, em 2050. Para além das mais de 50 mil que todos os dias atravessam o seu território.

Há que antecipar as atividades que deixem de existir para as substituir por outras atividades que criem novos polos de desenvolvimento. De uma cidade centrada “na atividade da indústria siderúrgica que transitou para uma economia de serviços e que amanhã possa centrar-se em atividades à volta do conhecimento, porque Esch também é uma cidade universitária e temos vários polos tecnológicos.”

A nova cidade da Saúde

A saúde e a biotecnologia são dois dos setores mais importantes para o futuro da cidade. Com a construção do novo Hospital Regional do Sul a cidade poderá transformar-se numa cidade da saúde, tal como o fez Coimbra.

O programa da visita que decorreu de 26 a 30 abril, inclui dois dias no Porto em que estiveram em contactos com atores económicos do comércio de retalho e associações industriais ligada à moda, têxtil, calçado e alimentação e bebidas.

Depois seguiu-se Coimbra, cidade geminada de Esch desde 2005, “uma cidade com a qual temos desenvolvido muitas parcerias e troca de experiências e boas práticas no desporto, cultura e economia”, sublinha Bruno Cavaleiro. “Somos duas cidades universitárias e podemos aprender muito como Coimbra desenvolveu a vida académica e fez a ponte com o polo universitário”. Nessas 48 horas tiveram ainda contacto com a Incubadora Instituto Pedro Nunes que está na vanguarda no lançamento de start-ups de novas tecnologias e que tem interesse em fazer pontes com o norte da Europa. “Visitámos também a indústria farmacêutica porque podem fazer-se fortes ligações com a nossa “House of Biohealth”, acrescenta o conselheiro de Esch-sur-Alzette. Do encontro com o vice-reitor da universidade, João Nuno Calvão da Silva, trouxeram novas ideias para reforçar os laços das universidades das duas cidades. “Acreditamos que a Universidade do Luxemburgo pode trazer maiores projetos de parceria com a cidade para desenvolver novas ideais e desafios”, acrescenta o autarca.

“É de extrema relevância que o município de empenhe na atração de investimento e no trabalho e na relação contínua com parceiros internacionais, sobretudo as cidades geminadas com Coimbra”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Coimbra. “Contribuir para reforçar Coimbra como polo de inovação e promover o desenvolvimento sinérgico de um cluster industrial na área tecnológica, sobretudo a nível farmacêutico, é fundamental”, acrescentou José Manuel Silva.

“A visita de promoção económica por iniciativa autárquica é uma iniciativa pioneira. Este projeto é uma abordagem pró-ativa num processo de desenvolvimento do tecido económico da cidade de Esch-sur-Alzette em que procuramos desenvolver novas parcerias comerciais e atrair novos atores económicos para o nosso território. Pretendemos ser um acelerador dum desenvolvimento sustentável e saudável para o nosso comércio de retalho, numa lógica de crescimento pela qualidade e pela diversificação da oferta, proporcionando novas soluções duradouras. Um dos desafios destes encontros da nossa visita de promoção económica é ir ao encontro de novos empreendedores em diversas áreas do negócio do retalho e sobretudo do conhecimento que possam no futuro vir a ser atores económicos locais ou parceiros dos agentes socioeconómicos existentes. O nosso objetivo será criar pontes e facilitar a implantação de empresas jovens, inovadoras e dinâmicas na nossa cidade. Agradecemos os nossos parceiros privilegiados da nossa cidade ‘irmã’ Coimbra por nos facilitarem neste processo e pela partilha de ideias e experiências que pudemos realizar durante esta estadia em Portugal”, esclarece Bruno Cavaleiro.

Recorde-se que o acordo de geminação entre os Municípios de Coimbra e Esch-sur-Alzette foi firmado a 6 de junho de 2005 e foi justificado, em larga medida, pelo elevado número de portugueses que vive e trabalha na segunda maior cidade do Luxemburgo, nomeadamente oriundos da Região Centro de Portugal e de Coimbra em particular.

Os dois últimos dias da missão foram passados em Lisboa em que tiveram contactos com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e Agência Nacional de Inovação (ANI). A visita terminou com uma receção na Embaixada de Luxemburgo, presidida pelo embaixador, Conrad Bruch.

 

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