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Esch não está a saber vender Esch
Opinião Luxemburgo 3 min. 24.09.2022
A fava

Esch não está a saber vender Esch

A segunda cidade do Luxemburgo é este ano Capital Europeia da Cultura.
A fava

Esch não está a saber vender Esch

A segunda cidade do Luxemburgo é este ano Capital Europeia da Cultura.
Foto: DR
Opinião Luxemburgo 3 min. 24.09.2022
A fava

Esch não está a saber vender Esch

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Peço ao leitor que faça uma experiência.

Os cartazes vão aparecendo, o logotipo é bem bonito e estou certo de que há centenas de coisas a acontecer neste momento em Esch-sur-Alzette. A segunda cidade do Luxemburgo é este ano Capital Europeia da Cultura. Andou a preparar-se durante uma pandemia inteira para renovar e animar a vida cultural das terras mineiras. E, no entanto, é francamente difícil perceber o que está a acontecer no terreno.

Esch não está a saber mostrar-se ao mundo. Depois de tanto esforço, a cidade merecia melhor. E, já agora, os contribuintes também.

Peço ao leitor que faça uma experiência. Que vá ao site www.esch2022.lu, que é a página oficial do evento, e tente perceber quais são as exposições, performances, espetáculos ou concertos que estão a decorrer. Ou aquelas que estão planeadas para daqui um mês, ou dois. Porque se calhar até vão receber a visita de um amigo que gosta de teatro, e era capaz de ser simpático encontrar uma peça que vai subir ao palco naqueles dias.

O triste facto é que não se consegue perceber o que está a acontecer em Esch, porque Esch não está a saber comunicar Esch. Abre-se o site da Capital Europeia da Cultura e aquilo que se encontra são notícias avulsas e desorganizadas, sem grande ligação entre si. 

Nesta terça-feira, por exemplo, o site entrevistava o burgomestre de Mondercange, a presidente dos caminhos de ferro, anunciava uma nova sala de espetáculos em Belval e sugeria um percurso pedestre pela região do Minette. Da agitação que tomava conta da cidade, nem uma notícia. Há alguma coisa a acontecer? É difícil perceber.

Faça-se um esforço suplementar, então. Na barra superior podem abrir-se vários menus – a informação deve estar na agenda, certo? Errrr, não é bem assim. A página está vazia mas pode carregar-se num link. O link abre uma lista, tipo folha de Excel. No dia 20 de setembro, estavam anunciados os eventos até… 18 de setembro. Depois há uma segunda parte a anunciar os espetáculos que terminam este mês. E um terceiro capítulo com aquilo que ainda decorre em outubro.

A informação está apresentada de forma francamente confusa, difícil de perceber. A lista tem o nome dos eventos e a localização, mas pouca ou nenhuma explicação sobre o que eles são ou representam. Pode clicar-se em cima e saber um pouco mais sobre cada ação que decorre, certo. Mas, se quisermos perceber o que acontece na Capital Europeia da Cultura num fim de semana, o mais certo é que tenhamos de carregar no botão do rato umas 50 ou 60 vezes, abrir páginas atrás de páginas e perdermo-nos no meio da confusão. Se tentarmos cumprir a mesma operação por telemóvel, corremos o risco de ficar sem bateria a meio da pesquisa.

Há dois anos, o Luxemburger Wort explicava que, dos 56,6 milhões de euros orçamentados pelo governo para Esch-2022 Capital Europeia da Cultura, 10 milhões destinavam-se à comunicação. E estou certo de que programadores e artistas se empenharam desde então para trazer à luz do dia as centenas de eventos extraordinários que estão a acontecer este ano na 'metrópole do ferro'. Tanto quanto estou certo de que Esch não está a saber mostrar-se ao mundo. Depois de tanto esforço, a cidade merecia melhor. E, já agora, os contribuintes também.

(Grande Repórter)

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