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"Teremos um aumento relativo de casos positivos entre a população escolar"
Luxemburgo 4 min. 15.09.2021
Entrevista ministro da Educação

"Teremos um aumento relativo de casos positivos entre a população escolar"

Entrevista ministro da Educação

"Teremos um aumento relativo de casos positivos entre a população escolar"

Luxemburgo 4 min. 15.09.2021
Entrevista ministro da Educação

"Teremos um aumento relativo de casos positivos entre a população escolar"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
"Não podemos, durante todo um ano letivo, limitar o funcionamento das escolas e impor restrições às crianças e aos jovens, apenas porque há adultos que não se querem vacinar", afirma o responsável pela pasta da Educação.

O ano letivo já começou em França e inúmeras turmas foram canceladas por causa da covid. Acha que poderá acontecer o mesmo no Luxemburgo?

Sabemos muito bem que o vírus se vai concentar nas pessoas que não estão vacinadas. Os jovens com menos de 12 anos não se podem vacinar, mas de 12 aos 18 anos podem fazê-lo e estou satisfeito com a taxa de vacinação de 55% dos alunos do liceu. Mas é uma percentagem mais baixa do que noutros grupos da população e acredito que o vírus se ira concentrar na população não vacinada e assim também na população escolar. Veremos muito provavelmente um aumento relativo de casos positivos entre a população escolar, face a outros grupos etários.

Principalmente na escola fundamental?

Sobretudo na escola fundamental, porque os alunos não estão vacinados. Sempre dissemos que temos muitas restrições nas escolas, não para proteger os jovens, mas porque estamos preocupados em proteger as pessoas mais velhas e vulneráveis. Mas quem continua vulnerável, atualmente, são sobretudo os adultos que não são vacinados. Sinto alguma frustação porque os jovens foram solidários durante quase um ano e meio, com os mais velhos e com a população vulnerável. Aceitaram perder quase toda a sua liberdade para proteger essas pessoas. 

Agora acho que a solidariedade devia acontecer no sentido contrário, o que significa que os adultos se vacinem, para permitir também que os jovens reencontrem a sua liberdade. Porque acredito que não podemos, durante todo um ano letivo, limitar o funcionamento das escolas e impor restrições às crianças e aos jovens reduzindo a sua margem de manobra e a sua liberdade, apenas porque há adultos que não se querem vacinar.

Porque não colocou purificadores de ar nas salas de aulas para evitar a propagação do vírus, como exigem alguns professores?

Analisamos essa proposta, consultando os peritos no setor da Saúde que desaconselharam esta medida. Para eles a melhor coisa é ter ar fresco e puro nas salas de aula, abrindo as janelas. Esses aparelhos podem contribuir, mas criam riscos. Porque quando há o aparelho, as pessoas não abrem as janelas não garantindo assim a ventilação natural e a renovação do ar. Por exemplo, esses aparelhos tem que ser revistos por especialistas que não existem nas escolas. Podem representar um risco porque se não forem utilizados de forma correta, podem ser um risco. 


Alunos regressam às escolas com a ameaça da quarta vaga
Cerca de 108 mil alunos regressam hoje às salas de aulas, no Luxemburgo. Depois de dois anos de pandemia, será um regresso à “vida normal”?

Esses aparelhos podem diminuir um pouco a presença do vírus, mas não asseguram a reposição do oxigénio. Para que o cérebro funcione é preciso ter oxigénio nas salas. Por isso escolhemos uma outra opção: instalar em todas as salas de aula de aparelhos para medir a concentração de CO2. Quando esse nível é muito elevado, há um sinal que apita quando é necessário abre-se a porta ou a janela.

Vai colocar cerca de 100 socorristas para a saúde mental nas escolas. Qual é o objetivo?

Os problemas agravaram-se com a pandemia. Porque os jovens não tinham liberdade. O que é que significa ser jovem? Descobrir o mundo, criar uma rede social, sair com os amigos. O que era impossível, o que afetou a saúde mental dos jovens. Nesta situação investir na saúde mental dos jovens, no seu bem-estar e dando-lhes a possibilidade de sair é muito importante. Mas é preciso dizer, mesmo antes da pandemia os problemas psicológicos nas escolas já existiam. Na sequência deste debate resolvermos lançar este projeto para que os jovens se possam ajudar uns aos outros. Temos psicólogos e educadores em todos os liceu. Mas por vezes os jovens hesitam em recorrer a eles. Por vezes é melhor falar com outro jovem. A ideia é formar jovens estudantes que possam ajudar os outros estudantes.

Anuncia o prolongamento da escolaridade obrigatória para os 18 anos. Como espera concretizar esse desafio?

Como tudo o que fazemos não será facil e vai levar tempo. Por isso decidimos levar esse diploma ao parlamento. Mas terá efeito apenas dentro de três anos. O que dará a possilidade às escolas e a outros atores de propor formações suplementares. Porque não podemos colocar todos nas escolas e aumentar o número de alunos por turma. Creio que será preciso, também inovar do ponto de vista pedagógico, porque não podemos obrigar ninguém, que não quer voltar à escola a ir. Isso não servirá para nada. É necessário compreender porque é que esse jovem não quer ir à escola e o que é necessário mudar. 


Cursos complementares de português em todas as escolas primárias de Differdange
Medida avança já este ano escolar. Estes cursos vão estar agora disponíveis em escolas primárias de sete comunas.

Nesta área desenvolvemos projetos entre liceus e os parceiros sociais, em que desenvolvemos ofertas focalizadas nas necessidades dos jovens, o que ajuda desenvolver as competências sociais dos jovens e dar-lhe um ritmo de vida e a competência de trabalhar em equipa, de aceitar que há outras pessoas com diferentes opiniões com as quais devo colaborar. Estas são competências importantes na escola, mas também quando se entra no mercado de trabalho. Por isso será necessário lançar projetos alternativos de educação em paralelo. Por isso decidimos que não o podemos impor de um dia para o outro e será necessário um período de três anos para criar esses projetos.

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