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Ensino luxemburguês mantém “constância na discriminação", defende estudo
Luxemburgo 2 min. 18.12.2018 Do nosso arquivo online

Ensino luxemburguês mantém “constância na discriminação", defende estudo

Ensino luxemburguês mantém “constância na discriminação", defende estudo

Foto: Guy Wolff
Luxemburgo 2 min. 18.12.2018 Do nosso arquivo online

Ensino luxemburguês mantém “constância na discriminação", defende estudo

Portugueses estão entre as principais vítimas de um sistema “muito propício às desigualdades”, diz o Relatório Nacional da Educação. A escola também não reduz as diferenças entre rapazes e raparigas.

Pouco mudou no ensino luxemburguês para lutar contra os obstáculos no caminho dos estrangeiros. A conclusão é do Relatório Nacional da Educação, apresentado na sexta-feira na Universidade do Luxemburgo. “Nos últimos anos, o Luxemburgo manteve uma certa constância em matéria de discriminação em relação a grupos ditos ’de risco’”, aponta o documento, que dedica particular atenção às desigualdades escolares.

O relatório preparado pelo Luxembourg Centre for Educational Testing (LUCET), um organismo financiado pelo Ministério da Educação, passa em revista os últimos anos. E conclui que as dificuldades dos estrangeiros se mantêm, a começar pelos alunos lusófonos. Para os investigadores, há problemas estruturais por causa da repartição dos alunos por vários ramos do secundário, um sistema “muito propício às desigualdades escolares”. E apontam que “a diferença entre crianças de origem luxemburguesa e portuguesa é notável”.

No ano passado, só 10,9% dos portugueses chegaram ao Clássico, o ramo mais elitista do secundário, contra quase metade dos luxemburgueses (49%) e mais de um terço das outras nacionalidades (34,9%). A proporção inverte-se no Técnico, onde os portugueses são 60% (contra 41,9% de luxemburgueses e 48,6% dos restantes), e também no Modular, rebatizado Preparatório. Para aqui vão os alunos que não atingiram os níveis mínimos no final do ensino primário. Três em cada dez portugueses (28,1%) não tiveram média suficiente no final do ensino primário para integrar o ensino secundário técnico sem antes frequentarem aulas preparatórias, conhecidas por “módulos”. Aqui, os luxemburgueses são apenas 8,8%. “Os resultados sublinham uma vez mais de maneira muito comprovante que o sistema escolar plurilingue que atualmente predomina conduz a desigualdades entre alunos de contextos linguísticos diferentes”, sublinha o relatório.

A estas diferenças acresce "o contexto sócio-económico dos alunos, que exerce igualmente, e com frequência de forma cumulativa, uma influência sobre a performance dos alunos". O relatório aponta que os países em que os alunos permanecem mais tempo juntos no secundário “levam a menos desigualdades escolares”.

Portugueses prejudicados na Matemática

O documento também destaca “as dificuldades dos alunos lusófonos” no Alemão, sublinhando que estas "interagem" com "as performances em Matemática e provavelmente noutras matérias". Mais de um terço dos alunos lusófonos (34%) não atinge as competências de base, segundo o estudo. "De forma indireta, observamos certa desvantagem para os alunos lusófonos", sublinha-se no relatório. O problema para os alunos portugueses é que enfrentam "um maior desafio" para perceber as aulas de matemática, ensinadas em alemão.

Os investigadores propõem que os alunos sejam avaliados com um Teste de Potencial Cognitivo que não dependa da língua, para fazer uma avaliação correta das suas capacidades.

Mas não é só aqui que a escola falha no trabalho de reduzir as desigualdades. O estudo indica que o sistema escolar luxemburguês também “não reduz” as diferenças de base entre rapazes (com vantagem na Matemática) e raparigas (com mais facilidade na leitura).

Paula Telo Alves


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