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Enfermeiros belgas preferem o Luxemburgo pelas “condições de trabalho, não é só pelo salário”, diz Bettel
Luxemburgo 3 min. 23.10.2020

Enfermeiros belgas preferem o Luxemburgo pelas “condições de trabalho, não é só pelo salário”, diz Bettel

Enfermeiros belgas preferem o Luxemburgo pelas “condições de trabalho, não é só pelo salário”, diz Bettel

Guy Wolff
Luxemburgo 3 min. 23.10.2020

Enfermeiros belgas preferem o Luxemburgo pelas “condições de trabalho, não é só pelo salário”, diz Bettel

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O primeiro-ministro respondeu assim à polémica sobre o êxodo destes profissionais belgas para o Luxemburgo, e avança o desejo de unir esforços com a Bélgica e França para uma cooperação na Grande Região.

 Se a situação se continuar a agravar os hospitais do Luxemburgo vão ter de contratar mais profissionais de saúde, para fazer face à pandemia. Na Bélgica, a situação já está dramática, em regiões como Liége, com a sobrelotação das camas nos cuidados intensivos. Há casos em que estes serviços estão a ser encerrados por falta de enfermeiros, como denunciou a deputada belga Catherine Fonck ao Contacto.

O relato das dificuldades hospitalares em muito agravadas pela falta de enfermeiros que se têm despedido para vir trabalhar para o Luxemburgo, sobretudo na Valónia foi feito à imprensa bela pela chefe do departamento de enfermeiros dos serviços intermunicipais belgas Vivalia. Devido aos salários que muito mais elevados no Luxemburgo. A par com o tweet de Catherine Fonck sobre este assunto pedindo ao primeiro-ministro para intervir, instalou-se a polémica e levantou-se o risco da Bélgica pedir a requisição destes profissionais transfronteiriços que trabalham no Grão-Ducado.

Questionado sobre o tema na conferência de imprensa o primeiro-ministro do Luxemburgo declarou que ainda não foi contactado pelo seu homólogo belga a propósito dos enfermeiros. “Eu não fui contactado pelo chefe de estado belga, não sei a sra. Ministra da Saúde já foi contactada”, declarou.

A propósito da polémica, “um enfermeiro veio ter comigo e disse-me que não são apenas os salários que fazem com que os enfermeiros prefiram trabalhar no Luxemburgo, são também as condições de trabalho que temos, foi o que ele me disse”, contou Xavier Bettel.

O primeiro-ministro realçou que irá reunir-se em breve com o governo belga, mas não por esta razão: “Este assunto não está em cima da mesa”. Contudo, manifestou o desejo de em conjunto com a Bélgica e a região francesa da Lorena “desenvolverem um programa comum de formação de profissionais de saúde ao nível da Grande Região”.

O alerta da deputada belga

O mesmo desejo de uma colaboração intensa mostrou a deputada do parlamento belga Catherine Fonck ao Contacto. 

 “A Bélgica e o Luxemburgo e a Alemanha têm de lutar juntos, lado a lado contra a covid-19. Os números já são alarmantes e podem piorar”, declarou a deputada do Centro Democrático Humanista (cdH).


Deputada belga contra requisição de enfermeiros transfronteiros do Luxemburgo
Catherine Fonck alertou num tweet polémico sobre a contratação de enfermeiros belgas pelo Grão-Ducado, quando há cuidados intensivos a fechar no seu país por falta destes profissionais. Em declarações ao Contacto pede para uma "maior colaboração" entre os dois países.

“Tem de existir uma forte cooperação e não concorrência entre os hospitais e de modo mais geral na forma como se organiza a saúde nesta grande pressão da pandemia, os pacientes estão em primeiro lugar”, acrescentou sobre a colaboração entre os dois países.

 “Já este ano de 2020, 25 enfermeiros da intermunicipal Vivalia foram trabalhar para o Grão-Ducado. E 57% das demissões no ano passado foram pela mesma razão. Este ano estamos a 62,5%”, enumera ao jornal Le Soir Bénédicte Leroy, a diretora do departamento de enfermagem da empresa intermunicipal que gere os serviços hospitalares nos municípios belgas. Trata-se de um fenómeno que se intensificou nos últimos três a quatro anos, diz esta responsável.

O salário muito mais elevado é a principal razão. "As pessoas que costumavam trabalhar a tempo inteiro no nosso país podem, por exemplo, dar-se ao luxo de lá trabalhar a tempo parcial e ainda ganhar mais", realça Bénédicte Leroy.

"E não há nada que possamos fazer quanto a isso. Além disso, estão a exercer muita pressão para encurtarmos os pré-avisos. Decidimos agora parar de libertar pessoal mais cedo", acrescenta esta responsável sabendo que a questão é de difícil resolução porque a Bélgica não consegue equiparar os salários com o Grão-Ducado.

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