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Empregadas de limpeza e cabeleireiras entre as profissões que podem vir a ser obrigadas a vacinar
Luxemburgo 7 min. 22.09.2021
Covid-19

Empregadas de limpeza e cabeleireiras entre as profissões que podem vir a ser obrigadas a vacinar

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Empregadas de limpeza e cabeleireiras entre as profissões que podem vir a ser obrigadas a vacinar

Luxemburgo 7 min. 22.09.2021
Covid-19

Empregadas de limpeza e cabeleireiras entre as profissões que podem vir a ser obrigadas a vacinar

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Aumenta a pressão para a vacinação enquanto uma petição pública contra a vacinação obrigatória está prestes a ficar na história. O clima é de agitação no Grão-Ducado.

O Governo iniciou uma nova fase de pressão para a vacinação da população contra a covid, desde o dia 15 de setembro, com a entrada em vigor da nova lei de prevenção da pandemia. O fim dos testes PCR gratuitos e a obrigação de apresentação do covid-check à entrada dos hospitais são disso o maior exemplo. Aliás, o primeiro-ministro Xavier Bettel foi o primeiro a admitir que novas medidas são uma forma de sensibilizar a população ainda não vacinada a decidir-se pela toma da vacina anticovid, pois a vida fica muito mais facilitada, como referiu na conferência da apresentação da nova lei, a 1 de setembro.

Pelo menos até 17 de outubro, período em que vigora a 'lei covid' atual todos os residentes, mesmo os mais desfavorecidos e sem possibilidades monetárias para pagar os testes PCR têm garantia de acesso aos cuidados de saúde hospitalares.

Até agora, já são 400 mil os residentes do Grão-Ducado que estão completamente vacinados, segundo os dados oficiais de dia 20.  Porém, Xavier Bettel já avisou que se continuar a haver resistência à vacinação por parte dos cerca de 20% de população ainda não vacinada, que possa pôr em causa o controlo da pandemia, a próxima 'lei covid' poderá trazer ainda mais pressão para a vacinação. Sobretudo, com as previsões dos cientistas a alertar para uma quarta vaga, com o pico entre outubro e novembro, e protagonizada pela variante Delta mais contagiosa e perigosa. O Governo não quer correr riscos.

"A partir de outubro os testes rápidos podem desaparecer”, já ameaçou o chefe do executivo, aquando da apresentação da lei atual. "Peço às pessoas que se vacinem, é mais fácil do que nunca poderem vacinar-se, é o melhor caminho de vencer a pandemia", apelou Bettel. Se os resultados não forem satisfatórios e a promessa for cumprida, aos indecisos e quem se recusa a receber este soro imunológico contra a covid, apenas restarão os testes PCR pagos como possibilidade de aceder à “nova vida normal”. O valor mínimo de cada teste é de 59,95 euros, podendo chegar aos 200 euros.


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Vacinação obrigatória para certas profissões

No final da semana foi a vez do Diretor da Saúde, Jean-Claude Schmit assumir numa entrevista ao Wort francês que caso as campanhas de sensibilização para a vacinação não surtirem o efeito desejado, a vacinação obrigatória poderá tornar-se uma possibilidade para as profissões em que há um contacto direto com pessoas vulneráveis. Atualmente, França e Grécia impuseram já a vacinação obrigatória aos profissionais de saúde, cuidadores que trabalhem diretamente com pessoas vulneráveis e a partir de 15 de outubro a Itália irá mais longe e tornar obrigatório o passe verde (o covid-check) para todos os trabalhadores do país, públicos e privados.

Poderá o Luxemburgo seguir estes exemplos? À questão colocada pelo Wort o Diretor da Saúde respondeu: “Atualmente, não há maioria política que queira ir nessa direção, a de tornar a vacina obrigatória para certas profissões, e eu compreendo. Por enquanto, trabalhamos na motivação das pessoas, mas não posso excluir que, a partir de um certo momento, se não formos bem-sucedidos, se a opinião política mudar, poderemos chegar à vacinação obrigatória para certos grupos de pessoas, mas uma obrigação geral para toda a população, não acredito”. 


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Jean-Claude Schmit deu como exemplo primeiro, os “profissionais de saúde, cuidadores, outras categorias de profissões setores que trabalham em contacto com pessoas vulneráveis”, onde a vacinação poderá ser obrigatória, mas enumerou outras profissões. “As empregadas de limpeza que trabalham numa instituição que trabalham diretamente com pessoas vulneráveis”, “os educadores”, de modo mais geral, “os cabeleireiros por exemplo, cada vez que as pessoas tenham contacto físico com pessoas vulneráveis, pode ser muito vasto”, precisou.

Para o Diretor da Saúde do Luxemburgo, entre os 25% da população que ainda não está vacinada, os verdadeiros anti-vacinas “não ultrapassam os 3%”, os outros “são pessoas hesitantes, que colocam muitas questões e há também quem, por razões práticas não tenha tempo para se vacinar e pessoas que têm dificuldade em agendar a vacina digitalmente”.

Limpezas. Apostar na sensibilização

Nas limpezas, um dos setores com mais trabalhadoras portuguesas a adesão à vacinação tem sido expressiva? “Como a vacinação não é obrigatória no Luxemburgo e o setor das limpezas da OGBL não dispõe de dados sobre a vacinação anti-covid dos cerca de 11200 trabalhadores, em que 53% são de nacionalidade portuguesa”, explicou ao Contacto Estelle Winter, secretária-central do Sindicato do Serviço Privado de limpezas da OGBL, uma das principais centrais sindicais do país.

No entanto, esta dirigente considerou que a “adesão à vacina anticovid tem sido boa e que os trabalhadores da limpeza estão sensibilizados para se vacinarem”. Estelle Winter deu como exemplo a preocupação manifestada pelos funcionários da limpeza hospitalares, e das “maisons de soins” no início da campanha de vacinação, em que “pediram para ser integrados nos grupos prioritários”.

Por isso, Estelle Winter não quer comentar para já a possibilidade do seu setor ser integrado entre as profissões onde a vacinação anti-covid passe a ser obrigatória, nos casos de contacto direto com pessoas vulneráveis, como avançou Jean-Claude Schmit. “Neste momento, prefiro a informação aos assalariados em vez da imposição da vacinação, pois o que existe atualmente é apenas uma possibilidade anunciada, não há base legal da vacinação obrigatória e não há discussão em aberto sobre a decisão de tornar a vacinação obrigatória no setor das limpezas. Penso que temos de nos focar na campanha de sensibilização junto da população que ainda não está vacinada”, defendeu esta Secretária-central da OGBL.


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Cabeleireiros "vacinados"

Os cabeleireiros foram outro dos setores referidos pelo Diretor da Saúde onde no pior dos cenários a vacinação poder-se-á tornar obrigatória. A cabeleireira Graça da Silva que exerce a profissão há mais de 44 anos no Luxemburgo estima que a maioria destes profissionais “já está vacinado”, como ela própria. “Penso que a adesão tem sido muito grande até porque muitas clientes quando telefonam a marcar perguntam se estamos vacinados contra a covid, já me fizeram essa pergunta muitas vezes”, contou esta emigrante portuguesa que acabou de vender um dos seus dois salões no país. “Nós queremos estar protegidos através da vacinação e queremos proteger os nossos clientes, além de que se não estivermos vacinados podemos perder clientela. Temos de nos proteger a todos”, vincou Graça da Silva. “Se for necessário concordo com a vacinação obrigatória no nosso setor, corremos todos menos riscos de contágio e é importante que as clientes se sintam livres e com confiança de recorrer aos nossos serviços. 

Petição contra vacinação

 Ao mesmo tempo que o Governo endurece medidas como estratégia de atrair à vacinação o quarto da população que falta vacinar, para cumprir o objetivo de, em breve, atingir os 85% dos residentes imunizados contra a pandemia, na sociedade ganham força e expressão as vozes contra a vacinação obrigatória no país.

A petição pública “contra a vacinação obrigatória anti-covid para os cidadãos” aberta no dia 17, no site da Câmara dos Deputados do Luxemburgo, conseguiu em dois dias ultrapassar as 4500 assinaturas necessárias para ser debatida no parlamento. Nesta manhã de quarta-feira, dia 22, a petição nº 1950, lançada por Christelle Pizzirulli já recolheu mais de 8400 assinaturas quando faltam ainda 37 dias para ser encerrada.

Defende a petição que a “vacinação obrigatória é um obstáculo às liberdades individuais e aos direitos humanos” para que “com o tempo não haja discriminação entre pessoas vacinadas e não vacinadas”. Para a peticionária é absolutamente necessário dar aos cidadãos a livre escolha sobre a decisão do que querem ou não fazer com a sua saúde”. 

A rapidez com que esta petição conquistou as assinaturas necessárias para ser debatida entre os deputados é já vista como um feito assinalável.

“No passado, algumas petições ultrapassaram o limiar de 4.500 assinaturas no espaço de apenas alguns dias (menos de uma semana). A petição nº 1950 é, portanto, uma de um pequeno número de petições que ultrapassaram o limiar de 4.500 assinaturas no espaço de apenas alguns dias (menos de uma semana)”, confirmou ao Contacto fonte da Câmara dos Deputados. Se os apoiantes desta reivindicação mantiverem este ritmo de assinaturas está mostrado o cartão vermelho às intenções anunciadas pelo Governo do Luxemburgo.

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