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Em Gasperich: Acidente que causou morte de português “podia ter sido evitado”
Luxemburgo 4 min. 16.11.2016

Em Gasperich: Acidente que causou morte de português “podia ter sido evitado”

Em Gasperich: Acidente que causou morte de português “podia ter sido evitado”

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 4 min. 16.11.2016

Em Gasperich: Acidente que causou morte de português “podia ter sido evitado”

O ministro do Trabalho não tem dúvidas. O acidente no centro comercial em construção que provocou a morte de um trabalhador português e feriu outro gravemente “podia ter sido evitado se tivessem sido seguidas todas as normas de segurança”. Poderá ter havido negligência na forma como foram tratadas as lajes de betão.

Por Paula Telo Alves - O ministro do Trabalho não tem dúvidas. O acidente no centro comercial em construção que provocou a morte de um trabalhador português e feriu outro gravemente “podia ter sido evitado se tivessem sido seguidas todas as normas de segurança”. Poderá ter havido negligência na forma como foram tratadas as lajes de betão.

O inquérito conduzido pela Polícia Judiciária e pela Inspeção do Trabalho ao acidente que provocou a morte de um português ainda não está concluído, mas para já as pistas indicam que terá havido infrações às normas de segurança, disse o ministro do Trabalho ao Contacto, esta segunda-feira.

“Os acidentes podem ser evitados se não houver negligências que, ao que parece, ocorreram e estiveram na origem deste acidente”, disse Nicolas Schmit ao Contacto.

Segundo o ministro, os primeiros elementos do inquérito “mostram, manifestamente, que houve negligência na forma de tratar as lajes [de betão]”, mas recusou avançar mais informações até às conclusões serem tornadas públicas. “Não posso dar precisões técnicas, mas em qualquer caso este acidente podia ter sido evitado se tivessem sido seguidas todas as normas de segurança”, afirmou Schmit.

Um trabalhador português morreu e outro ficou gravemente ferido na quinta-feira, na sequência de um acidente no local onde está a ser construído o centro comercial Auchan, em Gasperich. O acidente deu-se quando uma placa de betão desabou e “atravessou vários andares”, segundo fonte da Polícia.

A vítima mortal, de 32 anos, era natural de Mira. O português trabalhava na empresa de construção CBL, era casado e deixa dois filhos menores. Estava inscrito no Consulado de Portugal desde 2009, segundo o cônsul Rui Monteiro, que está a acompanhar o caso.

Poucas horas após o acidente, o ministro do Trabalho enviou condolências aos familiares da vítima, uma mensagem sem precedentes no Luxemburgo. “Quero transmitir as minhas condolências à família e às pessoas próximas da vítima e [desejar] um rápido restabelecimento aos trabalhadores que ficaram feridos”, disse o ministro em comunicado.

Um dia depois, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também lamentou a morte do cidadão português. Numa nota divulgada na página da Presidência na Internet, o chefe de Estado acrescentou que “acompanha a situação clínica de outro cidadão português, ferido com gravidade no mesmo acidente” e expressou “às famílias das vítimas a sua solidariedade nesta hora de angústia”.

O funeral do trabalhador português realizou-se na terça-feira.

Número de mortos na construção duplicou

Este ano já morreram seis trabalhadores em acidentes de trabalho na construção. É o dobro das vítimas mortais registadas no ano passado no setor, segundo dados da Association Assurance Accident. Pelo menos três eram portugueses.

Na sexta-feira, o ministro do Trabalho do Luxemburgo pediu aos trabalhadores da construção que denunciem falhas de segurança, para evitar mais mortes no setor. Em declarações à Rádio Latina, Schmit apelou aos trabalhadores para quedenunciem estes casos à Inspeção do Trabalho e Minas (ITM, na sigla em francês), para evitar mais mortes e garantir a punição das empresas infratoras. O ministro disse ainda que garante o anonimato aos queixosos, para evitar que sejam alvo de represálias.

Ao Contacto, o ministro disse que o número de acidentes é “inaceitável”. “É um escândalo que as pessoas morram no local de trabalho”, disse Nicolas Schmit, garantindo que o inquérito ao acidente em Gasperich irá “até às últimas consequências”, para apurar as causas e “evitar outros acidentes no futuro”.

Questionado sobre o aumento de mortes no setor da construção, Nicolas Schmit diz que “é verdade que [há] muitas obras em curso no Luxemburgo, mas [que] não pode ser desculpa para duplicar o número de acidentes”.

O ministro anunciou que vai organizar uma Semana da Segurança no próximo ano e prometeu reforçar a fiscalização ao setor. Mas recusou que o acidente de quinta-feira esteja relacionado com a falta de inspetores no terreno.

“Não podemos estar nos estaleiros de construção 24 horas por dia”, disse o ministro. “Não é uma questão de fiscalização, é uma questão de trabalhar garantindo todas as medidas de segurança. Manifestamente, segundo as primeiras indicações, elas não foram tomadas, e por isso não faz sentido falar de falta de efetivos [na Inspeção do Trabalho]”.

Ainda assim, o ministro admite que os inspetores são insuficientes. Há 44 ao serviço da Inspeção do Trabalho, mas só 13 estão no terreno, e são necessários “quatro vezes mais”, disse o diretor da ITM em setembro, em declarações ao Quotidien.

Marco Boly, que assumiu funções em fevereiro de 2015, “tem por missão aumentar os efetivos da ITM, o que está a fazer, mas não é uma questão que se possa resolver de um dia para o outro”, disse o ministro ao Contacto.

O Contacto tentou ouvir os responsáveis da empresa de construção CBL, mas não foi possível em tempo útil.

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