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Em entrevista à RTP: Juncker recorda português falecido nos incêndios que vivia na sua aldeia
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, vai ser distinguido na próxima terça-feira pela Universidade de Coimbra com um doutoramento "honoris causa", e deu uma entrevista à RTP.

Em entrevista à RTP: Juncker recorda português falecido nos incêndios que vivia na sua aldeia

Foto: Reuters
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, vai ser distinguido na próxima terça-feira pela Universidade de Coimbra com um doutoramento "honoris causa", e deu uma entrevista à RTP.
Luxemburgo 3 min. 26.10.2017

Em entrevista à RTP: Juncker recorda português falecido nos incêndios que vivia na sua aldeia

O presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, recordou em entrevista à RTP o português no Luxemburgo que morreu nos incêndios, lembrando que o imigrante residia "na sua aldeia".

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, recordou na quarta-feira em entrevista à RTP o imigrante português no Luxemburgo que morreu nos incêndios de 15 de outubro. Lembrando que o português residia "na sua aldeia", o antigo primeiro-ministro luxemburguês disse que ficou “ultra sensibilizado, mesmo num plano pessoal”, em relação aos incêndios em Portugal que fizeram 45 vítimas mortais.

“Vamos ativar esses mecanismos de solidariedade [europeus], a fim de ajudar Portugal, que lutou contra essa terrível tragédia dos incêndios. Perdi, aliás, um habitante da minha aldeia no Luxemburgo, um português, proprietário de um restaurante, nesses fogos. Estou pois ultra sensibilizado, mesmo num plano pessoal, em relação a esta questão”, disse Juncker ao jornalista Paulo Dentinho, em entrevista transmitida na quarta-feira pela RTP. 

Os incêndios começaram num domingo e o primeiro avião europeu chegou numa quarta-feira. Não é esta a Europa com que eu sonho. Os aviões europeus devem estar no terreno em duas ou três horas.

Jorge do Vale, de 51 anos, era proprietário de um restaurante em Capellen, localidade onde o presidente da Comissão Europeia mantém residência, quando não está em Bruxelas. O português, que vivia há 30 anos no Luxemburgo, foi uma das vítimas mortais de um incêndio em Vouzela, menos de 24 horas depois de ter chegado a Portugal. 

Na entrevista à RTP, Jean-Claude Juncker defendeu ainda o reforço da inter-ajuda europeia, lamentando o atraso no socorro às populações. “Vamos reforçar o mecanismo de proteção civil na Europa, de que carecíamos no caso da luta contra os incêndios em Portugal, porque os incêndios começaram num domingo e o primeiro avião europeu chegou numa quarta-feira. Não é esta a Europa com que eu sonho. Os aviões europeus devem estar no terreno em duas ou três horas”, sustentou. 

Veja a entrevista na íntegra no site da RTP.

Na entrevista,  o luxemburguês defendeu ainda que “Portugal deve ter um papel central na Europa”, elogiando o desempenho económico do país e os sacrifícios feitos pelos portugueses durante o período da Troika, e afirmando que estes não foram “devidamente reconhecidos por outros europeus”.

O antigo primeiro-ministro do Luxemburgo elogiou ainda os imigrantes portugueses no Grão-Ducado. "Um quinto do povo luxemburguês é português, o que implica que o Grão-Ducado seria mais pequeno sem Portugal", afirmou. "Gosto muito dos portugueses: os que estão no Luxemburgo, porque são trabalhadores assíduos e sérios, que estão bem integrados, conservando ao mesmo tempo a sua identidade própria", acrescentou. 

Jean-Claude Juncker vai ser distinguido na próxima terça-feira com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, numa cerimónia em que participa o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que será o apresentante. O primeiro-ministro António Costa e o comissário europeu Carlos Moedas estão entre as várias individualidades presentes na cerimónia.

"Distinguir o Presidente da Comissão Europeia permite reafirmar o nosso apoio à União Europeia, como espaço de cooperação que trouxe à Europa um período de paz e prosperidade sem precedentes na história, que é essencial que continue, apesar de um preocupante renascimento de nacionalismos populistas que importa combater", afirma o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, citado na nota de imprensa.



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