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Eleições sociais. Porque a união faz a força
Luxemburgo 4 min. 21.02.2019 Do nosso arquivo online

Eleições sociais. Porque a união faz a força

Eleições sociais. Porque a união faz a força

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 4 min. 21.02.2019 Do nosso arquivo online

Eleições sociais. Porque a união faz a força

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Há mais de 20 anos que saiu de Portugal, passou pela Suíça e fixou-se no Luxemburgo. E está convencido de que os sindicatos são “a melhor maneira de lutar pelos direitos dos trabalhadores e evitar abusos”.

A quem diga que o sindicalismo está ultrapassado ou fora de moda, Salvador Dias Cerqueira, que aos 40 anos se candidata nas eleições sociais pela LCGB à Câmara dos Assalariados no próximo dia 12 de março, dá uma resposta muito simples: “É a melhor maneira de lutar pelos direitos dos trabalhadores e como forma de prevenção para evitar que haja abusos antes mesmo de eles acontecerem. E, porque a união faz a força, quanto maior for o número de sindicalizados, mais podemos ter voz junto do patronato e do Governo”. Um bom modo de apresentar reivindicações em nome da “estabilidade dos postos de trabalho, mas também pela melhoria das condições de segurança”, por exemplo, uma questão sempre no centro das atenções no setor da construção civil. Sonha ser eleito para “poder fazer alguma coisa pelos compatriotas e não só”.

Confiante de que os sindicatos estão a reconquistar espaço e não a perdê-lo, como tantas vezes se indica, Salvador Cerqueira diz que “no ano passado o LCGB ganhou cinco mil novos associados”. No seu caso, a filiação neste sindicato aconteceu “por influência” de outros colegas, mas já na Suíça fazia parte de diversas associações e elogia aquilo que vê à sua volta. “Gosto da ideia de trabalhar por todos e o sindicato permite isso. Além disso, o LCGB não cuida apenas de questões laborais, é também uma importante ajuda do ponto de vista pessoal”. Embora seja a primeira vez que tenta entrar na Câmara dos Assalariados, em 2013 já Salvador se candidatou a delegado sindical, mas “só dois elementos da lista foram eleitos”.

Sobre temas como horas extraordinárias por pagar ou fraudes com subsídios de desemprego por intempéries, o sindicalista afirma: “Na Sopinor não tenho conhecimento de casos desses. No setor da construção já há muitos anos que se fala sobre fraudes com subsídios de desemprego por intempéries, mas nesta firma não”. E, em relação às críticas do ministro François Bausch sobre as férias coletivas, Salvador opina: “Por mim, deviam acabar, desde que se mantivesse a obrigatoriedade de serem gozadas entre os meses de julho e setembro”.

Quando o questionam se identifica medo em trabalhadores do setor, o receio de ficar sem emprego e sem rendimentos, o candidato reconhece que sim. “Sobretudo entre os mais jovens no país”, admite, “porque os contratos nem sempre são seguros e a situação pode agravar-se com créditos que se arranjam para pagar casas ou carros”. E procura dar conselhos a quem esteja nessas condições? “Claro, tento ajudar toda a gente e desviá-los de erros que podem trazer problemas graves”.


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Uma família espalhada pelo mundo

Natural de Arcos de Valdevez, onde ainda vivem a mãe, alguns tios e primos, Salvador começou por trabalhar “como padeiro durante cinco anos” em Portugal. Mas, com tanta gente da família espalhada pelo mundo – o pai nos Estados Unidos, tios e primos no Canadá e em França, duas irmãs no Luxemburgo –, resolveu deixar o país. Durante dez anos trabalhou na Suíça a “fazer chão de resina sintética” e ali conheceu a mulher que já tinha um filho (Alexís, hoje com 19 anos e a entrar na Universidade para estudar Arquitetura).

“Ela vivia no Luxemburgo, ao fim de um ano teve de voltar para cá e acompanhei-a”, conta. Chegou no verão de 2008. Como não tinha trabalho, falou no assunto a um cunhado. “Ele disse-me que jogava à bola com uma pessoa que tinha uma empresa e poderia dar-me trabalho. Fui lá falar com o senhor Orlando Pinto nesse domingo e, no dia seguinte, estava a trabalhar”, relata sobre o encontro com o patrão da Sopinor. Orgulhoso, salienta que “a firma tem crescido bem”, porque passou de mais de uma centena de trabalhadores à sua chegada para “cerca de 500” na atualidade.

Começou como servente, evoluiu para trolha e, agora, está numa posição de B3 que lhe permite ser responsável por uma pequena equipa. Num país em que as obras estão por todo o lado, Salvador Cerqueira reconhece que anda sempre a girar, identificando uma nova tendência no Grão-Ducado. “As obras começaram por se ver mais no sul do país, mas isso está a mudar e agora até já é no norte que se notam mais”.

As duas irmãs que vivem no Grão-Ducado, uma com 43 anos e outra com 32, trabalham nas limpezas. “Mas a mais nova é doutorada em Reabilitação Motora e está a fazer equivalências para ser reconhecida aqui”, explica. Não se queixa de ter sido vítima de alguma discriminação ou de ver alguém passar por isso no Grão-Ducado. “Os portugueses são tantos aqui que os luxemburgueses já estão habituados”, comenta.

A viver no Montijo e com trabalho para o Exército em Lisboa está outra irmã de 38 anos. Todos os anos, no verão, durante as férias coletivas do setor, Salvador viaja para Portugal com a mulher – é tempo de reverem as mães, uma em Arcos de Valdevez, a outra em Sernancelhe. Mas também o resto da família, amigos, ambientes, cores e cheiros de que sentem sempre falta. 

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