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Eleições sociais. A sindicalista que gostava de ter mais sol
Luxemburgo 4 min. 21.02.2019

Eleições sociais. A sindicalista que gostava de ter mais sol

Eleições sociais. A sindicalista que gostava de ter mais sol

Foto: Lex Kleren
Luxemburgo 4 min. 21.02.2019

Eleições sociais. A sindicalista que gostava de ter mais sol

Nuno Ramos de Almeida
Nuno Ramos de Almeida
Vem com a vontade de ajudar a mudar o que está mal. Acredita na necessidade da luta sindical para melhorar o Luxemburgo. As pessoas têm a responsabilidade de iluminar a sua vida, defende esta candidata da OGBL às eleições sociais.

Quando a convidaram para o sindicato OGBL, teve um momento de sobressalto: “No meu país os sindicalistas são mortos a tiro. Não é uma decisão fácil de tomar”. Felizmente vive no Luxemburgo, um país em que os sindicalistas têm direitos. Luísa Munoz Mejia nasceu na Colômbia, “em Medellin, que normalmente as pessoas acham que não tem muito bom nome”. Engenheira de profissão, sabe falar francês, inglês, “espanhol, naturalmente”, e um bocadinho de italiano, a língua do companheiro. Também já soube um bocadinho de português. “Quando estudava houve um tempo que pensei em ir trabalhar para o Brasil, na altura comecei a aprender português”. Mas depois a vida deu outras voltas. Luísa emigrou para França, onde trabalhou uns anos, antes de vir para o Luxemburgo e para a Goodyear, onde está há sete anos.

Tirando a falta de sol – “todos os anos me dizem que vou habituar-me, mas parece cada vez pior”, comenta a rir –, gostou muito do seu novo país. “Ao contrário de França, aqui ninguém comenta o facto de ser estrangeira, de ser mulher e de ter o aspeto e a pronúncia que tenho”. Gostou logo do Luxemburgo, do facto de tudo ser tratado com celeridade e da forma como as coisas se processam. “Aqui, quando vamos tratar dos papéis de residência, não só as coisas são feitas de uma forma eficiente como nos tratam como gente. A única coisa de que se queixa é da dificuldade na aprendizagem do luxemburguês. “Já tentei aprender, mas é muito complicado”.

O convite para o sindicato surgiu naturalmente, no seu trabalho, como quadro qualificado, uma área em que o número de sindicalizados é muito mais reduzido do que na parte fabril da empresa. “Quando chegas ninguém te explica que há um sindicato”. À Luísa, foi um colega mais velho que lhe falou do sindicato. “Disse-me que achava importante, como estava quase a reformar-se, e perguntou-me se eu estava interessada”. E ela foi e ficou. “Acho importante participarmos na defesa dos nossos direitos. Um dos aspetos que me fazem confusão no Luxemburgo, é o facto de, apesar de ser um país com umas certas condições de vida, existir alguma apatia”. Uma apatia que não se explica apenas pelo desinteresse. “Quando comecei a participar no sindicato, alguns colegas diziam-me que estava a prejudicar a minha carreira no emprego. Eu respondia-lhes que até por esse tipo de sensação é importante a ação dos sindicatos, mas a verdade é que ainda existe muita gente que teme ser vista como sendo sindicalizada”.


Eleições sociais. Porque a união faz a força
Há mais de 20 anos que saiu de Portugal, passou pela Suíça e fixou-se no Luxemburgo. E está convencido de que os sindicatos são “a melhor maneira de lutar pelos direitos dos trabalhadores e evitar abusos”.

Neste momento, Luísa está empenhada na negociação do novo contrato coletivo. A primeira dificuldade que sentiu no trabalho sindical foi a própria comunicação entre os vários trabalhadores da empresa. “Nas fábricas a maior parte dos trabalhadores falam francês e eventualmente alemão, muitos são de origem portuguesa, italianos, franceses e luxemburgueses, mas nos outros setores da empresa, como na zona de testes e nas secções técnicas, há gente de muitas nacionalidades que não fala francês e que só entende, além da sua língua, o inglês”. Para os sindicalistas conseguirem a participação dessas pessoas, a OGBL começou a escrever as informações e os comunicados também em inglês.

Sobre as eleições sociais, sublinha serem as mais democráticas do Luxemburgo. “Aqui toda a gente pode votar”. Um dos aspetos em que considera que o Grão-Ducado tem de melhorar é na garantia da participação de todos nos vários níveis de poder. Se isso não acontecer, muitos problemas vão ficar por resolver. “Veja-se a questão da mobilidade, mas sobretudo do alojamento. Aqui é impossível as pessoas que trabalham conseguirem comprar casa. Mas esse problema não tem uma solução política, porque a esmagadora maioria dos proprietários são luxemburgueses e têm direito a voto, e grande parte das pessoas que têm problemas de habitação são imigrantes, e quem tem problemas de mobilidade são transfronteiriços, e também não têm direito a voto”.

Gosta do Luxemburgo e vê nele o país em que quer viver. Tem regressado à Colômbia para visitar a família e ver o sol, mas sente que a sua vida é cá.

Sobre a razão que a levou a escolher a OGBL, e não a central sindical rival, LCGB, é assertiva: “Quero um sindicato que represente os trabalhadores e não seja uma espécie de porta-voz dos patrões. E a OGBL dá-nos garantias disso”. 

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