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Eleições: António Arnaut apela à formação de Governo do PS com BE e PCP
Luxemburgo 5 min. 09.10.2015 Do nosso arquivo online

Eleições: António Arnaut apela à formação de Governo do PS com BE e PCP

Antonio Arnaut

Eleições: António Arnaut apela à formação de Governo do PS com BE e PCP

Antonio Arnaut
LUSA
Luxemburgo 5 min. 09.10.2015 Do nosso arquivo online

Eleições: António Arnaut apela à formação de Governo do PS com BE e PCP

O histórico socialista António Arnaut apelou hoje à formação de um Governo “patriótico e de esquerda” liderado pelo PS, integrando também o PCP e o Bloco de Esquerda, para “defender os interesses” dos portugueses.

O histórico socialista António Arnaut apelou hoje à formação de um Governo “patriótico e de esquerda” liderado pelo PS, integrando também o PCP e o Bloco de Esquerda, para “defender os interesses” dos portugueses.

“O quadro parlamentar é inédito”, após a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) ter vencido as eleições do passado domingo, com maioria relativa, tendo os principais partidos da esquerda (PS, BE e PCP) ficado com a maioria dos deputados na Assembleia da República (AR), realçou António Arnaut à agência Lusa.

O ex-mandatário nacional da campanha do PS para as legislativas disse que, após reprovação na AR de um eventual executivo formado por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, aqueles três partidos deverão “assumir as suas responsabilidades” e constituir “um Governo mais conforme os interesses nacionais”.

Um Governo “mais patriótico e de esquerda”, liderado pelo PS, “estaria em melhores condições de defender os interesses do povo, dos trabalhadores, reformados e pensionistas”, sublinhou.

Nas actuais circunstâncias políticas e sociais, o PS está “numa posição de grande responsabilidade” e cabe-lhe ser “o partido charneira” que viabilize uma solução governativa com a participação de bloquistas e comunistas.

Tal Governo, “tendo em conta a realidade e a experiência dos últimos quatro anos”, com o PSD e o CDS-PP coligados no poder, deverá travar “a destruição significativa dos sectores públicos da economia nacional”, preconizou o principal impulsionador do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na sua opinião, PS, BE e PCP deverão empenhar-se na constituição de um Governo “que defenda o Estado social e que impeça a destruição” do SNS, da Segurança Social e de outros serviços públicos.

“Seria o Governo com maior capacidade de proteger as classes mais fragilizadas e de defender as conquistas de Abril e a Constituição”, acrescentou.

Os principais partidos da esquerda, segundo António Arnaut, têm agora a oportunidade de “acabar com esse absurdo a que chamam arco da governação”, que restringe a responsabilidade governativa ao PS, PSD e CDS-PP.

A inclusão do PCP e do BE, além de “reforçar o Governo”, era também “uma forma de chamar estes partidos à democracia representativa e fazer com que cada um assuma as suas responsabilidades”.

António Arnaut, que esteve na fundação do PS, em 1973, na Alemanha, afirmou à Lusa que comunistas e bloquistas “deveriam, preferencialmente, entrar no Governo”, mas admite um executivo do PS “com apoio parlamentar” das outras forças de esquerda.

No entanto, PCP e Bloco “teriam de abdicar, pelo menos transitoriamente”, das suas posições no plano internacional, designadamente quanto à permanência de Portugal na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN na sigla em inglês), na União Europeia e na Zona Euro.

Existe “uma grande afinidade entre os três partidos” para preservarem o Estado social e “as conquistas de Abril” consagradas na Constituição da República, disse.

No PS, “a maioria aceitará esta solução”, de acordo com “os valores históricos do socialismo democrático”, a qual “até pode ter repercussões na Europa”, concluiu António Arnaut.

A coligação PSD/CDS diz não ter recebido propostas concretas por parte do PS
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LUSA

PSD e CDS-PP querem acolher propostas do PS para acordo sobre Programa e Orçamento – Passos

PSD e CDS-PP querem acolher propostas do PS para obter um acordo sobre as linhas gerais do seu Programa do Governo e do Orçamento do Estado para 2016, sem traçar "linhas vermelhas", anunciou hoje o presidente dos sociais-democratas.

Pedro Passos Coelho afirmou que esperava que fossem os socialistas a apresentar propostas concretas mas que, como isso não aconteceu, PSD e CDS-PP vão fazer "um exercício um bocadinho mais atrevido" de tentar "selecionar propostas do PS" para debater num próximo encontro, marcado para terça-feira.

Passos Coelho falava na sede nacional dos sociais-democratas, em Lisboa, com o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, ao seu lado, no final de uma reunião com o secretário-geral do PS, António Costa, e dirigentes destes três partidos, que durou perto de três horas.

Segundo o presidente do PSD, sociais-democratas e centristas estão dispostos a acolher propostas do PS "seja em termos de composição do Governo ou de formação do Governo, seja relativamente à Assembleia da República, seja relativamente ao Programa do Governo ou ao Orçamento".

Questionado sobre a possibilidade de um Governo com o PS, o presidente do PSD respondeu: "Nós não recusámos nenhuma solução. Essa questão não nos foi colocada, mas nós não recusámos qualquer solução. Não estamos nesta altura a recusar nenhuma solução".

Interrogado sobre que tipo de acordo PSD e CDS-PP propuseram ao PS, Passos Coelho declarou: "O importante é que haja, quando falamos de condições de governabilidade, condições para estarmos de acordo quanto às linhas essenciais de um Programa do Governo, por um lado, mas por outro lado também a garantia de que há uma viabilização do instrumento que permite pôr em prática esse programa, que é o Orçamento do Estado".

"E é sobre isso que temos de ter um entendimento, como no passado foi possível obter", acrescentou.

Ao longo destas declarações, Passos Coelho reiterou que espera que quem ganhou as eleições possa formar Governo e repetiu diversas vezes que PSD e CDS-PP estão "inteiramente recetivos a discutir e a analisar qualquer proposta" do PS, sem colocar "linhas vermelhas", exigindo somente o respeito pelas regras da União Europeia e da zona euro, incluindo o chamado tratado orçamental.

No seu entender, cabia ao PS apresentar propostas à força política que teve o seu programa "sufragado nas eleições", mas os socialistas não adotaram essa metodologia.

"O PS não apresentou nenhuma proposta em concreto que nós pudéssemos ponderar, e preferiu que fossemos nós a dizer o que é que do programa do PS consideramos que pode ser viável. É um exercício menos normal, digamos assim", considerou.

De acordo com o presidente do PSD, os socialistas limitaram-se a apresentar "quatro áreas mais sensíveis", em relação às quais a coligação PSD/CDS-PP não tem "nenhum problema". Ou seja, "não existe à partida aqui uma incompatibilidade na agenda".

Passos Coelho referiu que ficou acertado que "toda a informação de natureza orçamental ou outra que fosse relevante para o PS, que o PS irá solicitar" será fornecida aos socialistas.

"Se o PS não nos quer trazer nenhuma questão para discussão, nós não deixaremos de tentar selecionar propostas do PS que o PS depois venha a ponderar como sendo importantes", acrescentou.

"Nós voluntariámo-nos então para escolher propostas do PS que pudéssemos propor ao PS", reforçou, manifestando-se convicto de que a reunião de terça-feira será "conclusiva".

O futuro de Passos e Portas à frente do Governo pode estar nas mãos do PS de António Costa
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