Efeito pós-Brexit: Empresas de Londres continuam a ser atraídas pelo Luxemburgo
Efeito pós-Brexit: Empresas de Londres continuam a ser atraídas pelo Luxemburgo
Esta semana, mais uma companhia de seguros anunciou a sua deslocalização para o Luxemburgo. Esta é a sexta seguradora com sede em Londres, que decide mudar-se devido aos efeitos do Brexit.
Um ano após o referendo britânico, a AIG, Hiscox, FM Global, RSA, CNA Hardy e recentemente a Liberty “anunciaram a sua decisão de vir para o Luxemburgo para continuarem as suas operações e com atividades que o nosso mercado não fornece”, disse Nicolas Mackel, diretor da Luxembourg for Finance, a agência para o desenvolvimento do mercado financeiro do país.
Pierre Gramegna, ministro das Finanças, garante que “não é uma corrida” e pede uma abordagem “construtiva e pragmática” nos processos de deslocalização das empresas, garantindo que “as instituições financeiras não vão fechar em Londres e vão mudar-se para outras praças, deslocalizando os seus milhares de funcionários.”
Na semana passada, Gramegna já havia assegurado aos deputados que o Luxemburgo estava atento à criação de "algumas centenas" de empregos como resultado da Brexit, mas não de milhares como outros centros financeiros europeus.
O ministro também defende um crescimento qualitativo que diversifique as atividades financeiras. Ao todo, 21 empresas anunciaram a deslocalização de uma parte das suas atividades para o Luxemburgo na sequência da votação britânica, de acordo com um relatório da KPMG.
O estudo classifica o Luxemburgo à frente da Irlanda (14), da Alemanha (8) e dos Países Baixos (4).
Estabilidade e rating AAA
O Luxemburgo ocupa o segundo lugar na lista de maiores praças financeiras, atrás de Londres. O rating AAA dado pela maioria das agências , a dívida soberana de 22,1% do PIB e o crescimento de 3,7%, em 2016, de acordo com Statec, fazem do país um mercado atraente.
Durante últimos anos, o Luxemburgo tem também diversificado as atividades financeiras e aumentou o posicionamento em países árabes ou na China.
Por outro lado, o Luxemburgo mantém as atividades mais tradicionais, como os fundos de investimento, seguros e gestão de ativos.
O ministro das Finanças pretende manter as boas relações com Londres, e que este se torne um parceiro comercial, evitando-se relações hostis, até porque o Reino Unido é o sétimo maior fornecedor do Luxemburgo e o quinto maior importador dos serviços luxemburgueses.
O fluxo monetário entre os dois países ascende aos 10 mil milhões de euros por ano.
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