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Educação. Mais de 50% dos alunos chumba um ano letivo no Luxemburgo
Luxemburgo 2 min. 16.09.2020

Educação. Mais de 50% dos alunos chumba um ano letivo no Luxemburgo

Educação. Mais de 50% dos alunos chumba um ano letivo no Luxemburgo

Photo: AFP
Luxemburgo 2 min. 16.09.2020

Educação. Mais de 50% dos alunos chumba um ano letivo no Luxemburgo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Muitos estudantes da comunidade portuguesa seguem a via do ensino técnico devido a dificuldades linguísticas, refere um novo relatório europeu. No país, o número de alunos que repetem um ano escolar é dos mais altos da UE.

“As políticas de educação do Luxemburgo têm de atender aos desafios da sociedade multilingue que é o Luxemburgo e à elevada percentagem de estudantes imigrantes”, lê-se no Relatório 2020 do Índice de Desenvolvimento Sustentável (SGI) dos 41 países da UE e OCDE, da Fundação Bertelsmann agora divulgado e que analisa a governação, a democracia e as políticas de cada estado.

E no setor da educação ainda há muito a fazer para que os estudantes imigrantes do Grão-Ducado possuam as mesmas competências dos estudantes luxemburgueses para ter igual acesso a uma educação superior, indica o relatório.

Os dados são claros: “O número de estudantes que tem de repetir um ano académico inteiro [no Luxemburgo] está entre os mais elevados da União Europeia; mais de 50% repetem um ou mais anos académicos”. 


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O problema dos alunos portugueses 

O documento aponta claramente as diferenças que existem entre os estudantes luxemburgueses e os das comunidades imigrantes quanto ao sucesso escolar.

A causa principal? As dificuldades linguísticas que os alunos imigrantes ou filhos de imigrantes têm ao nível do ensino, nomeadamente os portugueses.

“Existe uma divisão acentuada entre os estudantes luxemburgueses e estudantes imigrantes, uma vez que os imigrantes (especialmente a minoria portuguesa) lutam geralmente com as três línguas do país e acabam frequentemente a seguir a via técnica ‘secondaire technique’, o que afeta o seu progresso no sentido de uma educação universitária”, lê-se na análise às políticas de educação do Grão-Ducado.

“Estudos recentes revelam que os estudantes imigrantes têm quatro vezes menos probabilidades de acederem ao ‘enseignement secondaire’, direcionado para a via universitária do que os luxemburgueses”, realça a Fundação Bertelsmann que anualmente elabora este relatório internacional. E tal fraco sucesso acontece no país que tem “as turmas com menos alunos da Europa”.


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Sem competências básicas

O problema é que “25% dos estudantes não atingem competências básicas suficientes em matemática, ciências e leitura para completar com sucesso a sua educação, de acordo com o estudo PISA”.

Devido à elevada proporção de alunos que chumbam, no Luxemburgo “apenas 40% dos estudantes" concluem o ensino no "período de tempo normal”, realça o relatório SGI. Uma percentagem alta que coloca o Luxemburgo muito abaixo da média da OCDE, atrás da França, Bélgica e Alemanha. 

Os autores deste Índice de Desenvolvimento Sustentável 2020 (SGI) da Fundação Bertlsmann sublinham que o Grão-Ducado está a testar algumas mudanças para contrariar estes dados de insucesso escolar, nomeadamente em relação aos alunos das comunidades imigrantes no sentido de desenvolver uma maior aproximação dos pais às escolas.

  A nível geral dos estados membros, a avaliação das políticas de educação no Luxemburgo é de 6,1 num ranking com o máximo de 10.   

De acordo com a OCDE o Luxemburgo tem o nível mais elevado de despesas de educação por estudante, 35,75 mil euros por aluno, e a menor média de alunos por turma, 15 estudantes por classe no ensino fundamental e 19 alunos por classe no secundário.

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