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Editorial: Vacina anti-crise

Editorial: Vacina anti-crise

Foto: Arquivo LW
Editorial Luxemburgo 2 min. 20.09.2017

Editorial: Vacina anti-crise

Demasiados jovens continuam a ser “orientados” para o ensino técnico pelos pais e pelos professores, muitas vezes em detrimento dos seus sonhos e aptidões, sob o pretexto de terem um emprego assegurado.

Por José Campinho - Na passada sexta-feira acabaram-se as férias para um quarto da população. O início de mais um ano letivo para 142.000 jovens, muitos deles portugueses, cheios de sonhos e de ilusões, que demasiadas vezes se perdem à medida que a idade avança.

Num país onde a maioria dos estudantes do ensino secundário frequenta o ensino técnico e profissional (o inverso do que acontece na maioria dos outros países da UE) criou-se a ilusão de que esta vertente é a melhor garantia de emprego no futuro.

Numa rápida análise ao relatório deste ano da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o estado do ensino em 35 países, entre os quais o Luxemburgo, verificamos que, de facto, a taxa de desemprego nos jovens com um diploma do ensino técnico (5%) é inferior à do ensino geral, o chamado ensino clássico (10%). Ou seja, se assumirmos que o aluno não vai além do liceu, pode concluir-se que é mais seguro ter um diploma técnico ou profissional do que geral (clássico).

Esta noção, que geralmente se vai diluindo de geração em geração à medida que as pessoas se vão integrando e as ambições e os sonhos uniformizando, continua ainda demasiado presente junto da comunidade portuguesa. Mas se o desemprego é menor qual é o problema de optar pelo ensino técnico?

Se analisarmos a questão do ponto de vista da empregabilidade, esta conclusão só é válida para aqueles que, tendo concluído o ensino clássico, não seguiram a universidade. O que acaba por ser compreensível. Na ausência de um diploma do Ensino Superior, mais vale ter uma especialização do que conhecimentos gerais.

Mas se olharmos para a taxa de emprego dos estudantes universitários em relação aos do secundário, a situação inverte-se. No Luxemburgo, como na maioria dos países abrangidos pelo relatório da OCDE, ter um diploma universitário é a melhor garantia de emprego possível: 90% contra apenas 73% para os estudantes do secundário.

As vantagens, ainda segundo o mesmo relatório, não se ficam por aqui. Em termos de salários, os profissionais com um curso superior recebem salários em média 56% superiores aos auferidos por aqueles que se ficaram pelo ensino secundário.

O diploma universitário é também considerado pela OCDE como uma espécie de vacina anti-crise. O impacto das oscilações económicas em termos de emprego e de salário varia bastante de acordo com o nível de escolaridade. Uma conclusão testemunhada por milhares de portugueses que engrossaram as listas da Administração do Emprego (ADEM) na sequência da recente crise.

Mas para além do caráter preventivo, em caso de perda de emprego ou de corte salarial, os universitários são também os que mais facilmente e rapidamente recuperam. Uma vacina eficaz a todos os níveis, mas que ainda protege poucos portugueses, incluindo os mais jovens.


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