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Editorial. Tantas histórias, quantas perguntas
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.02.2020

Editorial. Tantas histórias, quantas perguntas

Editorial. Tantas histórias, quantas perguntas

Editorial Luxemburgo 2 min. 24.02.2020

Editorial. Tantas histórias, quantas perguntas

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
A sociedade luxemburguesa é composta de gente que vem de todo o planeta, quase metade dos residentes são “estrangeiros”. A sua vida é uma epopeia por vezes injusta: constroem as casas que não podem pagar, fazem um país onde não lhes permitem decidir.

“Quem construiu Tebas, a das sete portas?/ Nos livros vem o nome dos reis,/ Mas foram os reis que transportaram as pedras?/Babilónia, tantas vezes destruída,/ Quem outras tantas a reconstruiu?”, assim começa um dos poemas mais conhecidos do dramaturgo, poeta e escritor alemão Bertolt Brecht, que acaba assim: “Em cada página uma vitória./ Quem cozinhava os festins?/ Em cada década um grande homem./ Quem pagava as despesas?/ Tantas histórias quantas perguntar?”

Neste número do Contacto, feito para assinalar os 50 anos do jornal e para participar no Festival das Migrações, trazemos as histórias e as perguntas. A sociedade luxemburguesa é composta de gente que vem de todo o planeta, quase metade dos residentes são “estrangeiros”. A sua vida é uma epopeia por vezes injusta: constroem as casas que não podem pagar, fazem um país onde não lhes permitem decidir.

Vieram para o Luxemburgo para ter uma vida melhor para si e para os seus. Tornaram-se parte desta terra. Aqui nasceram os filhos, amaram e provavelmente vão morrer. Foram acolhidos e esta sociedade mudou muito com a participação de todos eles. Mas todos os que vivem no Luxemburgo sabem que há muito para fazer, para que para além do trabalho e da vida em comum, é necessário que os imigrantes conquistem o direito a ter uma voz ativa, ganhem a vontade de participar no destino do Grão-Ducado. 

O meio século do Contacto espelha essa vontade de contribuir para dar uma voz aos imigrantes. Eles são a metade da sociedade que mais sente a necessidade de tornar mais inclusivo o ensino, de ser capaz de traçar uma política de habitação que garanta uma casa digna para quem aqui vive, e desenvolver uma economia que consiga redistribuir mais justamente a riqueza criada.

Todos os objetivos importantes precisam de longos caminhos para se tornarem realidade, quase tão duros como os trajetos de muitos imigrantes andaram para cá chegar. Neste jornal, podemos ler como foi dura e enriquecedora essa jornada a caminho do Luxemburgo. Quem teve essa coragem de mudar e tem a força de trabalhar, conseguirá certamente ajudar a construir uma sociedade mais justa.

Este caminho faz-se de lutas, mas também de momentos de festa, discussão e convívio. É fundamental, para nós, assinalar o meio século do Contacto no Festival das Migrações. O Festival é um momento maior das associações e dos imigrantes no Luxemburgo. São três dias de convívio, debate e partilha de ideias que juntam milhares de pessoas que fazem o Luxemburgo.

O Contacto pretende fazer a melhor informação sobre o Luxemburgo e o mundo em língua portuguesa. O jornal e o site são lidos pela grande maioria dos lusófonos do Grão-Ducado, mas nesta ocasião especial resolvemos ir mais longe e fazer um jornal em francês e português. Que mil festas e debates se multipliquem, que estes três dias sejam especiais para que possamos viver melhor juntos no Luxemburgo. 


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