EDITORIAL: Resultado agridoce

Um excelente resultado para o CSV e para vários candidatos portugueses, numa eleição onde os partidos da coligação e em especial o LSAP são os grandes derrotados.

Foto: Guy Jallay

Por José Campinho - Numa rápida análise dos resultados das eleições municipais do passado domingo, a principal conclusão é óbvia: o partido Cristão Social (CSV), com 34,8% dos votos (+ 4% do que nas últimas eleições), reforça a sua posição de principal força política no país e posiciona-se como grande favorito à vitória nas próximas eleições legislativas, a realizar em 2018.

Um resultado conseguido sobretudo às custas do Partido Socialista (LSAP), o grande derrotado destas municipais, que perdeu os mesmos 4% conseguidos pelo CSV. As más notícias para os partidos da atual coligação do Governo não se ficam por aqui: também o DP, com 18% dos votos, e os Verdes, com 12,8%, saíram penalizados deste escrutínio, recuando 1,3% e 0,5% respetivamente.

Talvez ainda mais preocupante do que o ligeiro recuo do partido do atual primeiro ministro, Xavier Bettel, foi o resultado na capital (onde chegou a ser burgomestre), um dos bastiões históricos do Partido Democrático. Com 30% dos votos (-3,6% do que em 2011), o DP deverá provavelmente ter que se coligar com o CSV (19%), que subiu cerca de 6% em relação às últimas eleições.

Mais à esquerda, tudo (quase) na mesma: com 1,3% dos votos, o Déi Lénk manteve praticamente o mesmo resultado que em 2011. Já o Partido Comunista ficou ainda mais pequeno, recuando de 0,5% para 0,3%. Resultados, no entanto, muito pouco expressivos a nível nacional.

No outro extremo, a mesma coisa: com 0,7% dos votos, o ADR não conseguiu melhor do que nas últimas eleições, apesar das tentativas de suavizar a imagem nacionalista com que costuma ser associado.

E os portugueses nisto tudo?

Após os resultados muito aquém do esperado em termos de recenseamento, com apenas 13 mil portugueses inscritos, as espectativas em termos de lusófonos eleitos não eram muito animadoras. Mas desta vez, a surpresa até foi “doce”… e “azeda”.

Natalie Silva, de origem cabo-verdiana, venceu como se esperava em Larochette, somando 471 votos, mais 118 do que o segundo classificado, devendo substituir Pierre Wies, no cargo de burgomestre naquela que é a localidade mais “portuguesa” do Luxemburgo.

Na capital, a lusodescendente Isabel Wiseler conseguiu 7.212 votos, tendo sido a segunda mais votada da sua lista (CSV), atrás de Serge Wilmes, com 9.187 votos, numa autarquia ainda dominada pelo DP e que deverá continuar a ser liderada por Lydie Polfer.

Em Esch-sur-Alzette, Bruno Cavaleiro aproximou-se dos 3.000 votos, sendo o quinto mais votado pelo CSV, que conquistou uma vitória histórica numa localidade tradicionalmente socialista.

De uma forma geral, a ascensão dos candidatos lusófonos nos vários partidos foi notória, abrindo as portas a candidaturas com outras ambições nas próximas eleições. Podia ter sido já nestas eleições, caso José Vaz do Rio não tivesse abdicado do cargo de burgomestre, apesar de ter sido o mais votado, com 588 votos, na pequena localidade de Bettendorf. Uma decisão que deixa um gosto amargo num resultado mais doce do que o esperado.

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