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EDITORIAL: Responder em círculos
Editorial Luxemburgo 2 min. 09.05.2018

EDITORIAL: Responder em círculos

Xavier Bettel.

EDITORIAL: Responder em círculos

Xavier Bettel.
Foto: Guy Jallay
Editorial Luxemburgo 2 min. 09.05.2018

EDITORIAL: Responder em círculos

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Na entrevista ao Contacto, o primeiro-ministro responde a questões sem, contudo, dar verdadeiramente respostas a algumas delas.

O primeiro-ministro, Xavier Bettel, foi entrevistado pelas jornalistas Paula Cravina e Paula Telo Alves, numa conversa que representa uma viagem por diversos temas e pela governação da coligação.

Quando responde a uma pergunta sobre o delicado tema da habitação, dizer que, “por vezes, quando se muda alguma coisa, os preços sobem”, não é bem dar uma resposta – soa a inevitabilidade como se nada mais pudesse ser feito para evitar essa situação. E ninguém melhor do que um governante – sobretudo um primeiro-ministro, porque conhece (ou deveria conhecer) bem de perto as diferentes realidades do seu país – para ripostar de forma elucidativa acerca do que lhe é perguntado.

Não é realista exigir que os problemas da habitação sejam resolvidos todos de uma vez ou com um mero estalar de dedos. Mas deve exigir-se que um Executivo desenvolva mais políticas que correspondam aos anseios da população, seja no campo da habitação, seja nos restantes. Nem sequer se trata de agradar a todos, porque isso também seria irrealista. Trata-se de diminuir o fosso entre aqueles que mais rendimentos têm e os mais desfavorecidos, algo que, para quem reivindica preocupações de cariz social, deveria ser uma bandeira.

Mas não. Bettel mostra-se mais empenhado na proteção da propriedade privada, mesmo que seja capaz de reconhecer que foi a classe média que mais perdeu com as reformas dos últimos anos. Nisso, o Luxemburgo não é original, basta lembrar o caso português para se perceber como os sacrificados são sempre os mesmos, seja qual for o momento histórico.

Outro caso de resposta que deixa muito a desejar é o que se relaciona com a melhoria das condições de vida, ou seja, a redução da desigualdade. Acenar com a questão de ser irrealista uma central sindical bater-se por aumentos salariais de 10% é não compreender que aquilo que está em causa é a capacidade de resposta. Desde logo, para entender que sem receber salários que mantenham os cidadãos dentro dos limites para uma vida com dignidade é o mínimo que se pode exigir. Se não existem problemas quanto à criação de riqueza, por que razão não são intensificados os esforços para que a distribuição seja feita de acordo com o desembaraço na criação dessa riqueza?

Quanto ao favorecimento à evasão fiscal por parte do sistema no Luxemburgo, retificar a expressão “favorece” para uma composição como “poderá favorecer” é mesmo não querer ver aquilo que corresponde a alertas, conforme o caso Luxleaks expressou de forma eloquente.

Nem tudo é mau na governação que Xavier Bettel lidera, mas o primeiro-ministro não pode é transformar realidades negativas em cenários agradáveis. E, por muito que lhe custe admitir, há ainda um mundo de ações a desenvolver para melhorar o Luxemburgo.


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