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Editorial. Quando votar é uma odisseia
Editorial Luxemburgo 3 min. 20.01.2021 Do nosso arquivo online

Editorial. Quando votar é uma odisseia

Um residente de um lar de idosos realiza o voto antecipado para as eleições presidenciais portuguesas no próximo domingo, 24 de janeiro.

Editorial. Quando votar é uma odisseia

Um residente de um lar de idosos realiza o voto antecipado para as eleições presidenciais portuguesas no próximo domingo, 24 de janeiro.
Foto: AFP
Editorial Luxemburgo 3 min. 20.01.2021 Do nosso arquivo online

Editorial. Quando votar é uma odisseia

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Desde as primeiras eleições em 1975, em que apenas um em cada dez portugueses não foi votar, a abstenção tem crescido assustadoramente.

A disponibilidade do Luxemburgo receber pacientes de covid-19 vindos de Portugal, onde os hospitais estão à beira da rutura, é um ótimo exemplo da solidariedade entre países. A ministra da Saúde luxemburguesa é assim a primeira na comunidade internacional a ajudar Portugal, neste tempo difícil para o serviço nacional de saúde português.

Mais de 1,5 milhões de portugueses inscritos nos cadernos eleitorais residem num país estrangeiro. Cerca de 90% não foram votar nas últimas eleições. Só no Luxemburgo cerca de 50 mil portugueses estão recenseados no consulado, e em plena pandemia, os analistas preveem um aumento da taxa de abstenção.

Desde 2009 que cerca de 85% dos residentes fora de Portugal optaram por não votar. Uma taxa de abstenção que é, habitualmente, o dobro da registada entre os residentes em Portugal. Desde as primeiras eleições em 1975, em que apenas um em cada dez portugueses não foi votar, a abstenção tem crescido assustadoramente.

Dificultar o direito de votar não ajuda nada. Nesta edição contamos a odisseia de portugueses, residentes no estrangeiro, que estão temporariamente em Portugal e que não podem votar, numa reportagem da jornalista Ana Tomás. A alternativa é apanharem um avião para os países em que residem para poder exercer o seu direito. O que em muitos casos, como o do Reino Unido, se torna impossível por causa das regras de confinamento que vigoram no país Boris Johnson. Possibilitar o voto por correspondência é uma das exigências da diáspora.

Vacinar-se é um dever cívico

De Portugal chegam números assustadores. O país tem o maior número de contaminados com covid-19, por milhão de habitantes do mundo. E os hospitais portugueses estão à beira de rutura. Nesta edição noticiamos a disponibilidade do Luxemburgo em receber pacientes portugueses nos seus hospitais. Uma possibilidade revelada pela ministra da Saúde luxemburguesa que tem sido um bom exemplo de gestão desta pandemia.

Os efeitos da campanha de vacinação deverão demorar alguns meses a ter efeitos. Mas é o único caminho a seguir. Nas páginas desta semana do Contacto pode ler-se o apelo dos responsáveis do Centro Hospitalar do Luxemburgo que lançou uma grande campanha de sensibilização para que os seus funcionários aceitem ser vacinados. Entre os indecisos há portugueses. Dois responsáveis explicam ao Contacto a importância da vacinação numa entrevista à jornalista Paula Santos Ferreira.

Restaurantes à beira de um ataque de nervos

Apenas dois em cada dez restaurantes no Luxemburgo deverão sair de mais este confinamento de boa saúde. A previsão é de Remy Manso, um dos portugueses que tem mais de dez restaurantes no Grão Ducado. A longa agonia dos bares e restaurantes está a provocar uma onda de revolta que damos conta no destaque desta semana numa reportagem de Ricardo J. Rodrigues. Um setor em que uma grande percentagem de trabalhadores são portugueses. Depois apresentamos os desafios do senhor que se segue na Casa Branca. Joe Biden sucede a Donald Trump numa cerimónia de risco, rodeado de medidas de segurança esta quarta-feira. Teme-se um ataque dos apoiantes de Trump. Pela primeira vez na história da democracia norte-americana, uma mulher , Kamala Harris assume o cargo de vice-presidente.

Um testemunho carregado de responsabilidade

Tinha 28 anos quando fui desafiada pelo então diretor da Rádio Comercial, Luís Montez, para chefiar a redação de uma das rádios de referência em Portugal. Agora, vinte anos, depois, o diretor dos média portugueses do grupo Saint-Paul Luxembourg, José Campinho, incumbiu-me da tarefa de ser a chefe de redação do Contacto, eleito o melhor jornal europeu local. O jornalista Nuno Ramos de Almeida chefiou como ninguém esta grande equipa nos últimos dois anos. Farei tudo para estar à altura do desafio.

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