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EDITORIAL: Pela igualdade
Editorial Luxemburgo 07.03.2018 Do nosso arquivo online

EDITORIAL: Pela igualdade

EDITORIAL: Pela igualdade

Editorial Luxemburgo 07.03.2018 Do nosso arquivo online

EDITORIAL: Pela igualdade

Paulo Pereira
Paulo Pereira
As mulheres trabalham tanto ou mais do que os homens; ganham menos por norma; dedicam mais tempo aos filhos e aos idosos; ficam mais tempo em casa nas licenças por causa das crianças; ocupam menos lugares de liderança nas empresas e na política; são alvo de assédio e de violência, doméstica e não só. Quando o tema é a igualdade de género, a ideia mais generalizada é que há muito trabalho e um longo caminho ainda para percorrer.

Não faltam indicadores que apontam para vantagens da igualdade, desde logo no capítulo de sociedades em que a justiça social seja uma realidade e não apenas mera manifestação de vontade ou um simples sonho. É preciso que as mulheres tenham trabalho igual e salário igual, conforme diz o lema, sem se ficarem por aí. É necessário que o acesso a lugares de topo não seja ditado por questões de género e sim de competência, abrindo caminho ao princípio da meritocracia. É fundamental que não se fechem portas, não se atire para a precariedade nem se discrimine seja quem for.

O Dia Internacional da Mulher devolve à discussão os temas que nos devem preocupar a todos e que tornam o mundo em que vivemos cada vez mais gerador de desafios. Deve ser assunto para reflexão que, depois de dez anos em que se registaram (pequenos) progressos, no ano passado as questões da igualdade de género tenham sofrido novo retrocesso. Parece impensável que o progresso das ideias e das legislações registe uma diferença tão grande em relação ao que se passa na realidade.

No Luxemburgo, nem tudo está perdido, segundo um estudo da PricewaterhouseCoopers com dados referentes a 2016: entre 2000 e 2016, o Grão-Ducado foi, entre os países da OCDE, aquele que maior subida registou na melhoria da situação das mulheres no mercado de trabalho, passando do lugar 23 para o 7 (no mesmo contexto, Portugal passou do posto 5 para o 18). Um outro dado é mais comprometedor para o Luxemburgo, onde se regista a maior diferença de património entre homens e mulheres quando chegam à idade da reforma.

Isto revela que um esforço está a ser feito, há passos de progresso e a luta não está perdida seja em que domínio for. Mas também é revelador de que é preciso continuar a lutar até ao dia em que a igualdade exista de facto e não só em teoria. Porque só nessa altura as sociedades ficarão mais perto do equilíbrio e de uma relação saudável entre todos os cidadãos, sem constrangimentos nem situações de desvantagem seja para quem for.


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