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Editorial. Os bons exemplos
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.04.2019 Do nosso arquivo online

Editorial. Os bons exemplos

Editorial. Os bons exemplos

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.04.2019 Do nosso arquivo online

Editorial. Os bons exemplos

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Esta semana é marcada pelo bom exemplo das permanências sociais que, por fim, começam a resolver os atrasos nas reformas dos imigrantes portugueses. Sem esquecer um outro caso elogiável, cujo nome é Daniel Pinto.

Depois de longas esperas, desânimo, desespero e inúmeras situações de dificuldades económicas, parece encontrada uma solução. Algumas das centenas de imigrantes portugueses no Luxemburgo que têm passado anos sem a documentação pedida, assim se gerando atrasos nas reformas, estão a ser atendidas no contexto das permanências sociais. Elementos do Centro Nacional de Pensões de Portugal, trabalhando em conjunto com a Caixa Nacional de Pensões do Luxemburgo (CNAP), estão entre segunda e quinta-feira a desbloquear inúmeros casos que pareciam irremediáveis, tão longa se tornara a espera.

Na reportagem da jornalista Paula Telo Alves relatam-se não apenas casos resolvidos, mas também se dá conta que o caminho é longo e ainda não será desta vez que todos vêem o fim deste processo. Também por isso, o embaixador de Portugal revela que, mais perto do final do ano, depois das eleições, haverá possibilidade de novas sessões de permanências sociais capazes de criar mais soluções. Como diz a chefe dos serviços jurídicos da CNAP, "o ideal era que deixassem de ser precisas".

Quando o Estado e os cidadãos dão bons exemplos tudo se torna mais simples.

Ainda bem que, de uma vez por todas, foi compreendido o dilema de quem sofria sem obter respostas por parte do Estado. Só quando o Estado compreende, não apenas nos discursos batidos, mas na ação, que a essência de qualquer país são as pessoas é possível agir em nome do Bem comum. De uma vez por todas, conforme sempre se escreveu sobre o assunto, mas alguns continuam a ter dificuldade de compreender: não se trata de uma questão ideológica, partidária ou do Governo de turno, porque o problema se arrasta há décadas. 

É um problema do Estado, da sua organização e do modo como (não) funcionam algumas das suas instituições, perdidas no labirinto de burocracias, da falta de pessoal adequado e de pequenos poderes que se julgam demasiado importantes. No centro de tudo estamos todos nós, cidadãos que fazemos pulsar a vida dos países com o trabalho quotidiano e que elegemos representantes a quem confiamos o poder de resolver questões que só eles podem resolver. Quando isso sucessivamente não acontece, é natural que sucessivamente nos sintamos traídos.

A história do lusodescendente Daniel da Silva Pinto, melhor aluno na escola de Polícia, é o destaque de capa da edição impressa desta semana.
A história do lusodescendente Daniel da Silva Pinto, melhor aluno na escola de Polícia, é o destaque de capa da edição impressa desta semana.
Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort

E, porque os cidadãos/leitores são o centro da nossa atenção e a principal razão para a existência do Jornalismo, nesta edição a reportagem do jornalista Álvaro Cruz conta a história pessoal de um outro bom exemplo. O lusodescendente Daniel Pinto herdou da família a paixão pela profissão e, aos 23 anos, foi o melhor aluno na escola de Polícia. E, conforme conta, podendo optar pelo caminho errado, escolheu a outra estrada, aquela que está a conduzi-lo a direito. Sem esquecer objetivos ambiciosos, mas também sem renegar as origens e aqueles a quem conhece desde a infância. Tudo se torna mais simples quando há bons exemplos.

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