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EDITORIAL: Nunca desistir

EDITORIAL: Nunca desistir

Editorial Luxemburgo 2 min. 07.02.2018

EDITORIAL: Nunca desistir

Amanhã assinala-se o Dia Internacional da Criança com Cancro. Todas as crianças que sofrem no mundo, tal como os adultos, precisam de saber: o apoio próximo é determinante para que nunca se desista, apesar de a luta ser desigual.

Por Paulo Jorge Pereira - Amanhã assinala-se o Dia Internacional da Criança com Cancro. Todas as crianças que sofrem no mundo, tal como os adultos, precisam de saber: o apoio próximo é determinante para que nunca se desista, apesar de a luta ser desigual.

De cada vez que se fala sobre o flagelo do cancro, uma das primeiras constatações é que a Humanidade continua a falhar por cada dia que passa sem que a cura seja descoberta. Enquanto se desperdiçam fortunas de milhares de milhões de euros em gastos com guerras e o fomento de ódios um pouco por todo o mundo, milhões de pessoas perdem a vida por causa de uma doença maldita, cuja cura talvez pudesse já ter sido obtida caso houvesse mais meios para a investigação médica.

Esta quinta-feira assinala-se o Dia Internacional da Criança com Cancro, mas é preciso perceber que o assunto não pode ser visto como uma efeméride. Nem deve ser encarado com o desprezo e o convencimento de só acontecer aos outros. Tem de ser um tema de todos os dias e da sociedade em geral, porque só desse modo é possível concentrar esforços para redobrar uma luta que deve ser vencida.

Enquanto isso não acontece e o duelo continua a ser travado em condições muito difíceis, é fundamental que existam instituições capazes de estar ao lado de quem mais precisa a cada momento. O caso que o jornalista Henrique de Burgo conta nesta edição é um exemplo. Não só de uma criança e de uma família que, de súbito, perdem o chão ao ver-se confrontadas com uma notícia terrível, mas também de uma instituição, a Fundação Kriibskrank Kanner, que age todos os dias em função de quem mais necessita.

A existência e a ação de entidades como esta não chegam para solucionar tudo, mas são, conforme se percebe pelo relato do imigrante português e pai da criança em causa, uma via para dispor de argumentos e chegar a um final feliz. Algo que, em condições normais, não seria possível. Pessoas como as que trabalham, se dedicam e empenham todos os dias, sem pedir algo em troca, para garantir o bem-estar dos seus semelhantes levam-nos a acreditar que, afinal, nem toda a Humanidade falha e continua a haver quem se preocupe.

A indiferença é um dos primeiros inimigos a combater também neste caso e um duelo desta dimensão só pode ser ganho num contexto coletivo. No Luxemburgo, segundo os números da Fundação, seis crianças terão perdido com o cancro em 2016 e outras tantas no ano passado. Na verdade, o que aconteceu foi que perdemos todos.

Todas as crianças que sofrem no mundo, tal como os adultos, precisam de saber: o apoio próximo é determinante para que nunca se desista, mesmo quando a luta é desigual. E cada um de nós, à sua maneira, pode ajudar, desde que não encolha os ombros e volte a página como se a história fosse banal. Nenhum caso destes é comum e ganhar tem de passar a ser o verbo que se conjuga no plural.

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