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Editorial. Jornalismo atento e vigilante
Editorial Luxemburgo 2 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Editorial. Jornalismo atento e vigilante

Editorial. Jornalismo atento e vigilante

Foto: Anouk Antony
Editorial Luxemburgo 2 min. 22.01.2020 Do nosso arquivo online

Editorial. Jornalismo atento e vigilante

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Preocupado com a ascenção da extrema direita, que nalguns países ocupa lugares no parlamento, e que mesmo aqui ao lado em França luta pela cadeira presidencial, Xavier Bettel numa entrevista exclusiva ao Contacto, recorda que “Hitler foi eleito” e que é preciso fazer alguma coisa para que “a história não se repita”.

Todos queremos mudar o mundo. Quando tinha 15 anos decidi que a profissão de jornalista era uma das ferramentas mais eficazes nesta luta. As páginas da edição do Contacto desta semana são, mais uma vez, a prova que escolhi a profissão certa.

Começamos por revelar qual o projeto de futuro de Xavier Bettel para o Luxemburgo e para o mundo. Ao eleger a habitação como “um grande problema que tem que ser resolvido”, reconhece que as classes médias têm sido esquecidas nas políticas de acesso a um teto digno, e promete investir na construção para combater as desigualdades no acesso a uma casa para morar.


Contacto, Xavier Bettel, Premier Ministre,  Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Entrevista. "Os grandes esquecidos pelas políticas da habitação pertencem às classes médias"
Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, escolheu aos 15 anos ser liberal para que as pessoas pudessem decidir sobre a sua vida. Quer um Luxemburgo que resolva os problemas da habitação que afirme a mistura de povos, mas que continue a crescer. Elege a questão ambiental como o grande desafio dos próximos 50 anos.

Preocupado com a ascenção da extrema direita, que nalguns países ocupa lugares no parlamento, e que mesmo aqui ao lado em França luta pela cadeira presidencial, Xavier Bettel numa entrevista exclusiva ao Contacto, recorda que “Hitler foi eleito” e que é preciso fazer alguma coisa para que “a história não se repita”.

A integração dos imigrantes é outra das preocupações do primeiro-ministro luxemburguês que sublinha que “a política não existe para impor” mas “para permitir que vivamos em comunidade”.

Desafios para os próximos 50 anos? “Ambiente e coesão social. Porque se não se tomarem medidas importantes hoje, deixamos uma herança terrível às futuras gerações”.

Reconhece que a sua grande derrota foi perder o referendo para permitir o voto aos imigrantes.

No mundo dos negócios, revelamos novas alegações do alegado saque angolano, denunciado pelo consórcio internacional de jornalistas conhecido como Luanda Leaks. A rota de negócios de Isabel dos Santos também passou pelo Luxemburgo. Nesta edição fique a conhecer como e quando.


Isabel dos Santos diz que investigação baseia-se em documentos falsos
A investigação do ICIJ analisou milhares de ficheiros relativos aos negócios de Isabel dos Santos, que ajudam a reconstruir o caminho que a levou a tornar-se a mulher mais rica de África. Empresária diz que informações são falsas e que fugas foram coordenadas com Governo angolano.

Mas logo nas primeiras páginas alertamos para a nova doença silenciosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo: a depressão. Os imigrantes portugueses são uma das principais vítimas deste problema, revela o estudo que publicamos. Porque muitas vezes mudar de vida, implica deixar para trás a memória de um país e de pessoas difíceis de esquecer.

Para lutar contra esta doença surda, o governo luxemburguês acaba de lançar uma campanha “Et si j’en parlais à un psy?”. Uma campanha para incentivar quem precisa de ajuda a recorrer a apoio especializado.

A denúncia de mais um alegado caso de violência racista, que divulgamos no site contacto.lu é, apenas, mais uma prova que ainda há muito a fazer no combate ao racismo. Por isso lançamos esta semana o trabalho “A pele em mim - Ser negro no Luxemburgo” que revela cinco histórias de vida que tem que conhecer a partir de amanhã em contacto.lu.


Uma festa do 10 de Junho nos anos 1980.
"Os portugueses mudaram e o Contacto mudou. Há 50 anos era tudo diferente"
O Contacto, jornal luxemburguês em língua portuguesa, comemora este ano meio século de história. E isso é uma bela desculpa para viajar até 1970, ano da fundação, e perceber como milhares de imigrantes portugueses se uniram em torno de umas páginas de papel.

No ano em que comemoramos 50 anos prometemos que vamos continuar a não deixar passar em branco qualquer caso de injustiça que chegue ao nosso conhecimento. Em nome do interese dos nossos leitores.


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