EDITORIAL: A máscara da educação
Está bem explícito no trabalho da jornalista Paula Cravina de Sousa: o relatório PISA da OCDE acerca da educação demonstra, uma vez mais, que o Luxemburgo se encontra muito longe dos objetivos. No fundo, aquilo que deveria ser óbvio, mas, pelo menos para alguns países, continua a ser difícil de entender. A educação é fundamental para que os filhos da imigração disponham de igualdade de oportunidades no seu esforço de integração na sociedade. Porém, as escolas públicas no Grão-Ducado, de uma forma geral, continuam a agir no sentido contrário ao dos interesses de uma sociedade que, nos discursos dos responsáveis políticos, diz-se multicultural.
O problema é quando se desce à realidade do quotidiano e se verifica aquilo que o estudo volta a revelar: em vez de integrar, a escola luxemburguesa exerce precisamente o efeito oposto e segrega, condenando inúmeros estudantes para a via estreita do ensino técnico porque são filhos de imigrantes.
O Luxemburgo usa o argumento das “especificidades” da sua sociedade para só aceitar participar no PISA de seis em seis anos para cada aspeto de avaliação (compreensão escrita, matemáticas e ciências). Numa resposta parlamentar, Claude Meisch, o ministro da Educação Nacional, da Infância e da Juventude, queixou-se mesmo de “incompreensões” por parte da OCDE às diversas propostas que o Governo foi apresentando, no sentido de que fossem levadas em conta essas “especificidades”. No fundo, aquilo que o Luxemburgo pretende é um tratamento diferenciado quando o que está em causa é um tratamento igualitário, ou seja, a definição de políticas educacionais e sociais que permitam conceder as mesmas oportunidades aos alunos, sejam luxemburgueses ou filhos da imigração.
Claro que é preciso muito trabalho também dos pais para evitar que as injustiças do sistema se multipliquem e se perpetuem ao longo dos tempos. Mas o princípio de que será vantajoso para todos, desde logo para a evolução da sociedade luxemburguesa, que não se recorra ao preconceito da origem para desviar de um caminho de progresso alunos que poderiam ser futuros engenheiros, médicos, arquitetos ou outros, devolvendo ao país o investimento na sua educação.
Alemanha, Áustria, Bélgica, Suécia, Finlândia, Suíça, Eslovénia – a lista de países que permanecem distantes do esforço educacional para ajudar na integração dos filhos de imigrantes – mostra como o desafio é exigente. Mas certamente não será com o recurso a máscaras e à participação no PISA apenas de seis em seis anos para cada um dos aspetos de avaliação que o assunto se resolve. As queixas por alegadas incompreensões quanto a propostas devem dar lugar ao mãos à obra a favor da integração, a ouvir quem pede ajuda e não a voltar-lhe as costas. Quando se trata de educação e integração, ontem já era tarde para resolver.
