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E tu passaste no teste?
Opinião Luxemburgo 3 min. 23.04.2021

E tu passaste no teste?

E tu passaste no teste?

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Opinião Luxemburgo 3 min. 23.04.2021

E tu passaste no teste?

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
As autoridades portugueses dizem terem detetado mais de uma dúzia de portugueses, a trabalharem em vários países europeus - ou seja, emigras como eu e o estimado leitor - com “comprovativos de teste à covid-19 com indícios grosseiros de falsificação”.

Viajar nos dias que correm é um pesadelo. Não estou a pensar na falta de voos, não estou a pensar nas fronteiras portuguesas encerradas, nem nas muitas limitações à circulação. O que mais me faz espécie são os testes covid.

Desde o início da pandemia já gramei com uma dezena deles.

No Luxemburgo – tive sorte – foram testes PCR feitos através de recolha na garganta. Mas em Portugal parece que os laboratórios preferem o nariz. E eu tenho uma narina meia enviesada.

Explico sempre isto à pessoa que faz o teste. Ela costuma perguntar se é a direita ou à esquerda. Eu nunca sei responder; o que torna a minha história pouco credível...

A frase que se segue costuma ser: todos temos um desvio do septo nasal; não se preocupe.

O momento seguinte é de uma estranheza horrífica. O cotonete entra em espaços que a gente não sabia que tinha.

Eu fecho sempre os olhos. Prefiro não ver. Mas a minha imaginação galopante projeta no meu espírito serpentes que rastejam para o interior do meu cérebro, como num filme de Indiana Jones.

(Nesta altura a minha namorada costuma dizer que não há perigo porque afinal eu não tenho cérebro, mas como ela não lê isto está-se bem).

Com ou sem esforço, com ou sem dor, aconselho vivamente os meus conterrâneos a fazerem o teste sempre que a isso foram obrigados para viajar ou quando suspeitem terem apanhado a covid-19. Não façam como aqueles artolas que tentaram passar a fronteira com falsos certificados.

Não, não estou a inventar. As autoridades portugueses dizem terem detetado mais de uma dúzia de portugueses, a trabalharem em vários países europeus - ou seja, emigras como eu e o estimado leitor - com “comprovativos de teste à covid-19 com indícios grosseiros de falsificação”.

Esta frase não é minha, é do SEF, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que, por acaso tem o mesmo prazo de validade de um teste PCR, mas isso não é assunto para hoje.

Os meus compatriotas às vezes surpreendem-me. Um dos portugas detetados na fronteira portuguesa, além de ter testes mal falsificados, quando se apercebeu do controle terá “efetuado uma manobra suspeita com a viatura”.

Ou seja, nada melhor para passar despercebido. Esperemos que não tenha feito um pião em plena fronteira simulando que se tinha enganado no caminho. Ah, afinal eu queria ir era almoçar a Chaves...

E se o estimado leitor estiver a pensar em fazer uma destas artimanhas, alterando o PDF de um teste negativo da sua prima, pense que em Portugal esta ação leva o falsificador a tribunal. E a multa que se segue é pesada.

O Zé Carlos dizia-me um dia destes que o teste também é caro. Porra, em Portugal são 100 euros por um PCR. É tanto como eu paguei pelo voo para o Porto.

O Zé Carlos tem razão, é caro. Mas viajar é um luxo, sobretudo nestes tempos de pandemia em que os únicos preços que baixaram foram os das noites de hotel (daqueles que continuam abertos e que, infelizmente, não são muitos).

O Zé Carlos tem outra certeza. Os laboratórios não testam nada. Eles fazem um sorteio e declaram um ou dois positivos por dia em cada estação de rastreio. Um grande negócio, explicou-me. E o Zé Carlos associa este método ao ainda maior negócio que são as vacinas que, como todos sabemos, não servem para nada porque são as vacinas da gripe que a

malta já anda a tomar há tantos anos. A malta quer dizer, a malta menos o Zé Carlos que ele, apesar de ser pessoa de risco e ter 63 anos, acha que é melhor apanhar uma pneumonia do que apanhar uma picadela.

Eu também não gosto de injeções, mas prefiro uma pica a um teste PCR. E se essa agulhinha nos puder acordar deste pesadelo, então que venha, mesmo que seja a vacina daquela marca que ninguém quer... se me prometerem que depois não me enfiam mais cotonetes pelo nariz acima.

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