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E se Albert Camus tiver sido morto pelo KGB?
Luxemburgo 06.12.2019

E se Albert Camus tiver sido morto pelo KGB?

E se Albert Camus tiver sido morto pelo KGB?

Foto: AFP
Luxemburgo 06.12.2019

E se Albert Camus tiver sido morto pelo KGB?

Livro do italiano Giovanni Catelli sugere que a morte do Nobel da Literatura tenha sido uma retaliação de Moscovo às suas posições anti-soviéticas.

 Três anos depois de vencer o maior prémio literário do mundo, o francês de origem argelina Albert Camus morreu num desastre de viação – causando comoção mundial. Agora, ao cabo de quase 60 anos do seu desaparecimento, um livro vem levantar a suspeita de que as causas do despiste são tudo menos casuais.

O autor, Giovanni Catelli, já tinha escrito a sua teoria no jornal italiano Corriere della Sera, mas aprofundou-a agora num livro chamado, precisamente, The death of Albert Camus – A morte de Albert Camus.

A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu instantaneamente quando o carro conduzido pelo seu editor, Michel Gallimard, se despistou e embateu numa árvore. Um eixo partido foi nessa altura a razão apontada, mas o facto de ter acontecido numa estrada larga e sem trânsito levou a uma série de teorias da conspiração.

Catelli diz ter encontrado uma passagem suspeita no diário do escritor checo Jan Zábrana e falado com um alto quadro dos serviços secretos soviéticos em 1980 que lhe confirmara a informação de que agentes do KGB tinham mexido no carro de Gallimard antes do despiste.

Segundo este, a ordem for a emitida pelo próprio ministro do Interior, Dmitri Shepilov, em 1957, depois de Camus escrever um artigo no jornal francês Franc-Tireur onde acusava o regime de Moscovo de autoritarismo.

Albert Camus, autor de livros como “O Estrangeiro” ou “A Peste”, foi um dos grandes pensadores do século XX. Na II Guerra Mundial aderiu à resistência quando as tropas de Hitler invadiram França. Depois disso, criticou fortemente o colonialismo e aquilo a que chamava de “ditadura soviética”, sendo assumidamente um defensor de um dos maiores críticos do regime: o escritor russo Boris Pasternack.