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Duques de Bragança vêm ao funeral do Grão-Duque Jean
O Grão-Duque Jean com D. Duarte, durante a visita a Portugal, em 1984.

Duques de Bragança vêm ao funeral do Grão-Duque Jean

Foto: Jean Weyrich / Luxemburger Wort
O Grão-Duque Jean com D. Duarte, durante a visita a Portugal, em 1984.
Luxemburgo 4 min. 23.04.2019

Duques de Bragança vêm ao funeral do Grão-Duque Jean

D. Duarte lembra "o sangue português" que corria nas veias do Grão-Duque Jean.

"A minha família e eu estaremos presentes no enterro" do Grão-Duque do Luxemburgo, declarou ao Contacto o duque de Bragança. D. Duarte lembra todo o "apoio" que o Grão-Duque Jean "deu à comunidade portuguesa" e o "sangue português" que lhe corria nas veias. Também Marcelo Rebelo de Sousa já enviou as condolências à família real pela partida "do amigo fiel de Portugal".

Entre a família real do Luxemburgo e os duques de Bragança existe uma ligação muito próxima. São primos, dão-se bem e para além desta ligação há outras afinidades que os ligam.

Por isso, D. Duarte Pio e a sua família fazem questão de estarem presentes no funeral do Grão-Duque Jean, que faleceu na madrugada de terça-feira, aos 98 anos, vítima de pneumonia,  prestando a última homenagem ao homem que é tido como um herói e um símbolo da liberdade para os luxemburgueses.

O duque de Bragança recordou o seu primo Jean ao Contacto. "O Grão-Duque do Luxemburgo, bisneto do Rei D. Miguel, deu sempre grande apoio à comunidade portuguesa no Luxemburgo, cuja emigração patrocinou após a segunda Guerra Mundial", disse D. Duarte. "A minha família e eu estamos em união de oração com a família do Grão-Duque e estaremos presentes no seu enterro”, garantiu o Duque de Bragança ao Contacto.

Recorde-se que o Grão-Duque Jean era bisneto do rei português D. Miguel, pai da sua avó Maria Ana de Bragança, que foi Grã-Duquesa e regente do Luxemburgo. 


A infanta portuguesa que conquistou o Grão-Duque e governou o Luxemburgo
Chamava-se Maria Ana de Bragança e foi regente do Luxemburgo entre 1908 e 1912. O casamento da filha de D. Miguel de Portugal com o futuro Grão-Duque Guillaume IV levou a coroa a mudar de religião e abriu caminho a uma linhagem de mulheres. O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo recorda o casamento que uniu Portugal e o Grão-Ducado muito antes da chegada dos primeiros imigrantes portugueses, numa exposição com o apoio da Embaixada e da Casa Grã-Ducal.

Os laços familiares com D. Miguel vêm tanto do lado materno como do lado paterno. A mãe do Grão-Duque Jean foi a Grã-Duquesa Charlotte, a segunda filha do grão-duque Guilherme IV de Luxemburgo e de sua consorte, Maria Ana de Bragança. Os avós maternos da Grã-Duquesa Charlotte foram igualmente o rei Miguel I de Portugal e Adelaide de Rosenberg.

Já o pai do Grão-Duque Jean, o príncipe consorte do Luxemburgo, Félix Bourbon-Parma, primo de Charlotte, com quem casou, foi um dos 24 filhos do deposto Roberto I de Parma e da sua segunda esposa, a infanta portuguesa Maria Antónia de Bragança, irmã de Maria Ana. O príncipe Félix foi o terceiro filho da infanta. Os seus avôs maternos foram o rei Miguel I de Portugal e Adelaide de Rosenberg.

Também o Presidente da República Portuguesa enviou uma mensagem de condolências à família real do Luxemburgo, pela morte do Grão-Duque. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a "forte ligação de S.A.R. o Grão-Duque Jean ao nosso País, sustentada em laços familiares e no papel que desempenhou no seu reinado, tendo sido protagonista maior de um longo período de desenvolvimento do seu País, de construção da Casa Comum europeia e com inestimável amizade por parte da comunidade portuguesa e luso descendente residente no Luxemburgo".

Num comunicado divulgado pela Presidência da República, na mensagem enviada ao Grão-Duque Henri do Luxemburgo, Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda o percurso de "grande estadista, mas também de soldado pela liberdade durante a Segunda Guerra Mundial".

Para o Presidente da República, perdeu-se um "lutador pelas causas nobres" e um "amigo fiel de Portugal".

O exílio do príncipe Jean em Portugal

A ligação a Portugal do Grão-Duque Jean do Luxemburgo também se fez pela sua passagem em Portugal nos tempos de exílio. Era um jovem quando, em 1940, se deu a invasão alemã, e a família real do Luxemburgo se viu obrigada a exilar-se. Primeiro estiveram em França e depois foram para Portugal, com vistos emitidos por Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Bordéus. Aqui o jovem príncipe Jean ficou com os seus pais e irmãos, em Cascais, na Vila de Santa Maria, e depois no palacete dos Posser Andrade. 


Jean do Luxemburgo, o bisneto de um rei português que foi herói nacional
Neto de Maria Ana de Bragança, filha do rei português D. Miguel, Jean do Luxemburgo assistiu aos acontecimentos mais importantes do seu país durante os seus 98 anos de vida. E não foi apenas uma testemunha passiva da História. O ex-soberano, falecido na madrugada de terça-feira, lutou para libertar o Grão-Ducado junto do Exército britânico, depois de uma fuga para o exílio que passou por Portugal.

Mais tarde, o príncipe Jean do Luxemburgo atravessou o Atlântico e foi estudar para os Estados Unidos e para o Canadá. Regressou à Europa decidido a lutar contra o nazismo. Alistou-se como voluntário no exército do Reino Unido, dedicou-se totalmente à causa e regressou a casa como um herói quando acabou a Guerra. O príncipe Jean esteve na primeira frente em batalhas como a de Caen ou no desembarque da Normandia, em 1944, e integrou as tropas que libertaram Bruxelas e Luxemburgo das mãos dos nazis.

Para os luxemburgueses, o Grão-Duque Jean sempre foi visto como um herói e um símbolo da independência e liberdade do seu país. O seu trabalho nas forças aliadas valeu-lhe mais de uma dezena de condecorações.

Durante 36 anos regeu os destinos do Grão-Ducado. Desde 1964, depois de a sua mãe abdicar, o príncipe herdeiro Jean tornou-se Grão-Duque do Luxemburgo, reinando até 7 de fevereiro de 2000, altura em que abdicou a favor do seu primogénito, Henri, o atual Grão-Duque.

Quando celebrou os 95 anos, a família real decidiu celebrar a data com uma grande festa onde estiveram presentes várias famílias das casas reais europeias. Este ano, na celebração dos seus 98 anos, reuniu a família, como mostra uma foto colocada na página oficial da família real no Facebook.

Paula Ferreira


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