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Dores abdominais e perda de memória. São vários os sintomas da covid longa
Luxemburgo 3 min. 13.09.2022
Pandemia

Dores abdominais e perda de memória. São vários os sintomas da covid longa

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Dores abdominais e perda de memória. São vários os sintomas da covid longa

Foto: Shutterstock
Luxemburgo 3 min. 13.09.2022
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Dores abdominais e perda de memória. São vários os sintomas da covid longa

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Investigação de várias instituições do Grão-Ducado identifica pela primeira vez múltiplos tipos de covid longa.

Um estudo luxemburguês conclui que a covid longa (ou "long covid", na designação original) não é uma única doença, mas uma condição que pode assumir várias formas com diferentes sintomas e potenciais tratamentos, revela o Instituto de Saúde do Luxemburgo (LIH, na sigla em inglês).

Os investigadores de um consórcio de instituições científicas luxemburguesas, que têm estudado a covid-19 na população nacional conseguiram identificar, pela primeira vez, diferentes subcategorias de covid longa. Uma das principais conclusões é a de esta não se tratar de uma única doença, como se pensava inicialmente.

"Um número crescente de estudos relata consequências a longo prazo para a saúde em todo o espectro de doentes que tiveram a covid-19. Como tal, foi definida como prioridade de investigação a identificação de marcadores preditivos e fatores de risco das suas sequelas a longo prazo", começa por explicar, num comunicado, Guy Fagherazzi, diretor do departamento de Saúde de Precisão do LIH, uma das instituições que faz parte do consórcio responsável pelo estudo, intitulado "CoVaLux - Covid-19, vacinação e consequências a longo prazo para a saúde no Luxemburgo".


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A doença provocada pelo SARS-CoV-2 manifesta-se através de um conjunto diversificado de sintomas cujo tipo e intensidade variam de pessoa para pessoa e com resultados diferentes para os pacientes afetados. Um dos que se manifestou frequente durante o último ano foi a chamada covid longa, caracterizada por sintomas persistentes mesmo após o fim da infeção inicial. 

Porém, pouco ainda se sabe sobre esta consequência debilitante da doença. "A nossa hipótese [de investigação] é que a sintomatologia da covid longa pode variar de acordo com a gravidade inicial da covid-19 e que os sintomas podem agrupar-se e definir subtipos", detalha Guy Fagherazzi.

Os vários tipos de covid longa

Os investigadores conseguiram definir padrões nos sintomas dos participantes que foram afetados pela covid longa, o que sugere que esta é provavelmente composta por várias subcategorias em vez de se caracterizar como uma doença única. 

"Ao observar como os sintomas tendem a agrupar-se em indivíduos, foi possível ter uma ideia de como estas subcategorias se apresentam a si próprias. A perda do gosto e do cheiro parecem caracterizar um tipo de covid longa, enquanto outro tipo poderá ser descrito por sintomas gastrointestinais, incluindo náuseas, diarreia, queimaduras de estômago e dores abdominais", exemplifica o comunicado do LIH sobre o estudo.


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Estas conclusões permitirão definir melhor a doença e, dessa forma, trabalhar em terapias mais eficazes para a combater.

"Com este trabalho, estamos a ajudar a descrever a covid longa e a mostrar que ela é multissistémica e que apresenta diferentes clusters de sintomas". Resultados que acabarão por "contribuir para a definição de estratégias sanitárias de precisão que melhorem os cuidados aos doentes", sublinha Aurélie Fischer, orientadora do estudo e coordenadora científica da Unidade de Investigação de Fenótipos Digitais Profundos do LIH.

Severidade inicial influencia covid longa

Além da identificação inédita das subcategorias de covid longa, a equipa luxemburguesa conseguiu demonstrar também que os indivíduos que sofreram casos moderados a graves de covid-19 tinham mais probabilidades de ver aumentada a frequência e o peso dos sintomas após 12 meses, com um impacto significativo na sua qualidade de vida.

Os investigadores trabalharam com uma amostra de 289 adultos, que preencheram um questionário durante um ano. Entre eles, cerca de 60% reportou ter pelo menos um sintoma, numa média de seis sintomas identificados, variando entre os mais conhecidos, como a fadiga ou falta de ar, e outros menos vulgares, incluindo a perda de memória e problemas gastrointestinais.


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Os voluntários que participaram no questionário e que responderam ter sofrido de uma forma moderada ou grave de covid-19 tinham mais do dobro de probabilidade de ter sintomas de covid longa após um ano, do que aqueles que sofreram os efeitos mais suaves ou assintomáticos da infeção. O estudo revela ainda que os doentes com covid-19 moderada a grave apresentavam, em média, mais seis sintomas do que os que tinham estado inicialmente assintomáticos.

Estes resultados indicam que a covid longa e a sua gravidade "têm fortes ligações" com a severidade da infeção inicial. Na prática, um caso grave de covid-19 pode aumentar significativamente as hipóteses de pessoa manter sintomas por mais tempo.  

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