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"Nós, os vacinados e vocês, os não vacinados", uma sociedade dividida pelo fim dos testes PCR grátis
Luxemburgo 3 min. 09.09.2021
Direitos Humanos

"Nós, os vacinados e vocês, os não vacinados", uma sociedade dividida pelo fim dos testes PCR grátis

Gilbert Pregno, presidente do Conselho Consultivo dos Direitos Humanos no Luxemburgo.
Direitos Humanos

"Nós, os vacinados e vocês, os não vacinados", uma sociedade dividida pelo fim dos testes PCR grátis

Gilbert Pregno, presidente do Conselho Consultivo dos Direitos Humanos no Luxemburgo.
Foto: Guy Jallay/Luxemburger Wort
Luxemburgo 3 min. 09.09.2021
Direitos Humanos

"Nós, os vacinados e vocês, os não vacinados", uma sociedade dividida pelo fim dos testes PCR grátis

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A obrigação dos residentes passarem a pagar os testes PCR à covid-19 vai provocar uma divisão social e afastar os mais desfavorecidos da vacinação, alerta ao Contacto o presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Luxemburgo.

A partir de 15 de setembro, os testes PCR de rastreio à covid-19 passam a ter de ser pagos pelos residentes do Grão-Ducado, assim decidiu o Governo visando com esta medida aumentar a vacinação no país. Quem não está ainda vacinado terá de apresentar o resultado negativo de um teste PCR para aceder a vários locais públicos, como os hospitais. 

Gilbert Pregno, presidente do Conselho Consultivo dos Direitos Humanos do Luxemburgo (CCDH) acredita que o fim da gratuidade dos PCR vai provocar o contrário: “em vez de convencer os não vacinados a vacinarem-se contra a covid-19, arriscam-se a afugentá-los ainda mais”. Sobretudo, a população mais desfavorecida que não tem dinheiro para pagar esta testagem.

“Para nós os testes grátis fazem parte da estratégia de sensibilização para a vacinação, é mais fácil motivar uma pessoa indecisa a se vacinar se ela poder ter acesso grátis aos testes PCR. A obrigação de pagar os testes terá consequências problemáticas, no entender da CCDH”, vinca ao Contacto o presidente do CCDH, organismo que ontem emitiu o seu parecer sobre a nova lei covid-19 que entra em vigor no próximo dia 15 de setembro.

Gilbert Pregno apela ao Governo para manter os testes PCR gratuitos.
Gilbert Pregno apela ao Governo para manter os testes PCR gratuitos.
Foto: Guy Jallay

Origem de tensões sociais

A não gratuitidade dos testes PCR “vai discriminar as pessoas em função do seu estado de saúde ou da sua convicção e arrisca dividir a sociedade e criar desigualdades”, alerta este organismo no documento enviado ao Governo.

“O fim dos testes grátis vai originar uma polarização na sociedade, uma clivagem social entre ‘nós, os vacinados e vocês, os não-vacinados’ com o risco de tensões na sociedade e temos de evitar que isso aconteça”, alertou Gilbert Pregno.

No seu parecer, o CCDH concorda com o Governo de que "proteção coletiva de vacinas é a melhor maneira de evitar" o ressurgimento das infeções e de combater a pandemia. E as campanhas de sensibilização para a vacinação são fundamentais nesta luta contra a covid-19.

 No Luxemburgo, estima-se que 30% da população ainda não está vacinada, e são estas pessoas que devem ser convencidas a tomar a vacina, mas para tal “é necessário facilitar o acesso à vacinação e os testes PCR devem manter-se gratuitos”.

Serão sobretudo as classes mais desfavorecidas, em situação precária e com dificuldades financeiras, as mais afetadas por esta nova determinação do governo, frisa Gilbert Pregno.

Um teste PCR custa no mínimo 59,95 euros, podendo o seu preço aumentar acima dos 150 euros dependendo da urgência.

Pobres deixam de se testar

“As pessoas mais pobres não têm dinheiro para pagar estes testes e vão deixar de os fazer”, entende este responsável.

Como vinca, estudos em França revelaram que entre a par com estrangeiros desfavorecidos encontram-se também mulheres grávidas que receiam vacinar-se. Há também a franja dos imigrantes que não dominam os idiomas do Luxemburgo e aqueles que não consideram a sua saúde uma prioridade. “O pagamento dos PCR vai afastá-los ainda mais dos cuidados de saúde que necessitam”, argumenta o presidente da CCDH.

Os jovens com menos de 24 anos são os que estão menos vacinados e a premissa é a mesma, obrigá-los a pagar os testes de rastreio vai tornar mais difícil motivá-los a se vacinarem, diz Pregno.


Testes PCR vão passar a ser pagos e os rápidos podem desaparecer
Num forte apelo à vacinação e com as infeções a crescer, o primeiro-ministro, Xavier Bettel, anuncia que a partir de 15 de setembro os testes vão passar a ser pagos.

"Têm de continuar gratuitos"

“Mesmo entre os vacinados há quem se queira testar, por exemplo, por recear ter estado em contacto com uma pessoa positiva. Sabemos que a vacina não protege a 100% da infeção e da transmissão do vírus”, realça este responsável salientando que “quem não tem dinheiro não irá fazer o teste”. 

“O governo tem sido generoso ao oferecer os testes de rastreio a toda a população, por isso, não entendemos porque decide agora acabar com os testes grátis. É preciso que se mantenham grátis para que mais pessoas se continuem a vacinar”, nesta luta contra a pandemia, conclui Gilbert Pregno.

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