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Differdange: Sindicato teme que fim de aulas de Português "alastre a outras localidades"
Luxemburgo 4 min. 29.07.2014

Differdange: Sindicato teme que fim de aulas de Português "alastre a outras localidades"

Differdange: Sindicato teme que fim de aulas de Português "alastre a outras localidades"

Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo 4 min. 29.07.2014

Differdange: Sindicato teme que fim de aulas de Português "alastre a outras localidades"

Mais de 300 alunos vão ficar sem aulas de Português em Differdange, após a autarquia ter decidido acabar com os cursos no ensino integrado no próximo ano, e o Sindicato dos Professores no Estrangeiro teme que o caso, que considera "escandaloso", "alastre a outras localidades".

"Isto é um problema grave e escandaloso, e não sei que resposta a comunidade portuguesa lhe vai dar e o que a missão diplomática fará", disse hoje ao CONTACTO o secretário-geral do SPE, Carlos Pato.

Na origem da decisão da comissão escolar de Differdange estará o facto de o Instituto Camões, que tutela o ensino da língua portuguesa no entrangeiro, ter dado instruções para as turmas passarem a ter no mínimo dez alunos, o que obriga as escolas luxemburguesas a reagrupar turmas e a reorganizar horários para conseguir esse número, como explicou na segunda-feira ao CONTACTO o responsável da Coordenação de Ensino de Português no Luxemburgo, Joaquim Prazeres.

Em carta enviada à Coordenação, a comissão escolar de Differdange anunciou que a organização dos cursos nestas circunstâncias "não se mostra de todo realizável", um despacho que foi comunicado também ao ministro da Educação do Luxemburgo, Claude Meisch.

Em declarações à Rádio Latina, esta segunda-feira, o ministro lamentou a decisão da autarquia, alegando que a deliberação foi tomada "na sequência da decisão tomada por Portugal de dar menos recursos aos cursos". O titular da pasta da Educação referia-se à redução do número de professores de Português no Luxemburgo, que vai contar com menos cinco professores a partir do próximo ano, mas o sindicalista nega que os cortes afectem Differdange.

"O argumento referido pelo ministro da Educação luxemburguês de que Portugal tinha retirado condições, ao retirar os cinco professores, não colhe, porque não eram esses docentes que asseguravam as aulas em Diferdange", explica Carlos Pato, que acusa a comissão escolar de Differdange de demonstrar "má-vontade" em relação ao ensino de Português.

"Há muito tempo que eles [na comissão escolar] manifestavam uma posição contrária aos cursos de Português e agora aproveitaram este pretexto dos dez alunos para pura e simplesmente fechar os cursos, de forma unilateral", defende o sindicalista.

Carlos Pato teme que mais localidades "sigam o exemplo" de Differdange, referindo outros casos em que as escolas desencorajam os alunos de frequentar as aulas de Português, alegando que "perdem vocabulário em Alemão".

"Pode haver outras escolas que lhe sigam o exemplo, porque já lutamos contra uma certa intolerância contra a presença do Português nas escolas [ luxemburguesas]", afirma.

Caso surge após ministro ter dito que queria "facilitar a utilização do português" nas escolas

O caso surge menos de um mês depois de o ministro da Educação no Luxemburgo ter defendido o ensino da língua portuguesa no sistema escolar luxemburguês, durante uma visita ao Grão-Ducado do seu homólogo em Portugal, Nuno Crato. Nessa altura, Claude Meisch afirmou que o Governo do Luxemburgo tem "todo o interesse em facilitar a utilização do português [nas escolas]".

Para o sindicalista, o problema é que o ministro "não tem poder para interferir" na decisão de acabar com os cursos em Differdange, por causa da autonomia de que gozam as autarquias no Luxemburgo em matéria de educação.

"Temos sérias dúvidas de que seja possível inverter esta decisão, e o problema é que pode ter um efeito bola-de-neve. Já há algum tempo que detectámos problemas também em Esch-sur-Alzette e em Wiltz, no norte", disse Carlos Pato.

O responsável lamentou ainda que a Coordenação do Ensino não tivesse feito "um trabalho de sensibilização junto das escolas" de Differdange, o que poderia ter evitado "uma decisão tão radical, de pura e simplesmente encerrar os cursos".

O responsável do SPE também teme que o encerramento dos cursos em Differdange conduza "ao despedimento de mais três professores, que por causa desta decisão vão ficar sem trabalho".

Ontem, o coordenador de Ensino de Português no Luxemburgo disse ao CONTACTO que vai tentar encontrar-se com os responsáveis das escolas em Differdange para "tentar encontrar uma solução".


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