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Dezenas de refugiados do Afeganistão manifestam-se em Kirchberg
Luxemburgo 2 min. 28.08.2021
Protesto

Dezenas de refugiados do Afeganistão manifestam-se em Kirchberg

Protesto

Dezenas de refugiados do Afeganistão manifestam-se em Kirchberg

Foto: MQ
Luxemburgo 2 min. 28.08.2021
Protesto

Dezenas de refugiados do Afeganistão manifestam-se em Kirchberg

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Um protesto contra o regime taliban e para pedir ao governo luxemburguês que recebe afegãos que correm risco de vida.

Uma manifestação pacífica de dezenas de refugiados afegãos decorreu esta tarde nas escadarias da Philharmonie em  Kirchberg. O objetivo desta concentração foi pedir ao governo luxemburguês que receba os afegãos que estão em perigo e que não reconheça o Governo dos taliban. 

Um protesto "para demonstrar que estamos contra a situação que se vive no Afeganistão",  afirma Abassi Asmatullah,  um dos organizadores do protesto. "Todos os afegãos estão agora nas mãos dos talibans que dizem que mudaram, mas não mudaram nada", acrescenta este afegão que vive no Luxemburgo há cinco anos, com o seu pai e a sua irmã mais nova. Agradecendo ao Governo luxemburguês o acolhimento dos refugiados afegãos que vivem agora no Grão - Ducado, pede que concedam o estatuto de refugiado aos que ainda não o têm.  

Estima que haja cerca de mil afegãos no Luxemburgo e revela que os números têm vindo a aumentar como resultado dos processos de "reagrupamento familiar que foram todos aceites".  "Estou muito contente por estar no Luxemburgo e tenho dito aos meus amigos para virem para cá", acrescenta este estudante de 30 anos. Neste momento tem muita dificuldade em falar com a família no Afeganistão porque "a rede de internet muitas vezes não funciona, por causa dos taliban". 


"É como estarmos mortas, apenas a respirar"
São refugiados afegãos que vivem no Luxemburgo. Contam o que viveram e sentiram nestes dias em que os taliban retomaram o poder no Afeganistão. Por razões de segurança e para evitar eventuais represálias sobre as suas famílias mantemos o seu anonimato. Dizem que se a comunidade internacional nada fizer o país vai viver uma “catástrofe”.

Conta a história do seu tio que foi assassinado porque trabalhava para o anterior presidente. Agora a sua tia está em fuga e não pode dizer a ninguém onde está por razões de segurança. "A minha tia corre perigo de vida e já me pediu para a ajudar a sair do país", afirma Abassi Asmatullah. Acredita que os taliban "têm duas caras. Uma para os media e outra para a população. E já começaram a procurar em cada casa as pessoas que trabalhavam com os soldados e como intérpretes para as forças norte-americanas".

Apesar de ser graduado em Economia no Afeganistão, o seu curso não foi reconhecidono Grão-Ducado e, por isso, está a estudar Economia e Gestão na Universidade do Luxemburgo.

"Vim para o Luxemburgo para fugir dos taliban porque não estava seguro. Vim juntamente com o meu pai que era médico num hospital militar e recebeu muitas ameaças e a minha irmã que era professora. Os taliban estão contra quem trabalhava no governo e especialmente com os militares", acrescenta. Ao fim de dois anos depois de estar no Luxemburgo conseguiu o estatuto de refugiado. 

Qual a solução para o seu país? Diz que é muito difícil responder a essa questão. Mas a população está cansada das armas. "Os habitantes de Afeganistão estão em guerra há quase 50 anos, por causa dos americanos, dos russos e do Paquistão e agora só querem a paz", conclui. Conta a história de um amigo que era intérprete dos soldados norte-americanos numa missão e que viu "helicópteros americanos a entregarem armas aos taliban nas montanhas".


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