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Destaque: Republicanos chocados com reações contra eleição de Trump
Luxemburgo 5 min. 16.11.2016 Do nosso arquivo online

Destaque: Republicanos chocados com reações contra eleição de Trump

Destaque: Republicanos chocados com reações contra eleição de Trump

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 5 min. 16.11.2016 Do nosso arquivo online

Destaque: Republicanos chocados com reações contra eleição de Trump

Os Republicanos no Luxemburgo dizem-se chocados com as “reações exageradas e histéricas” contra a eleição de Donald Trump. Já os Democratas americanos no Grão-Ducado querem que o Congresso controle o magnata. Quanto ao Governo e partidos luxemburgueses, quase todos esperam que o Presidente Trump não leve a cabo as promessas de campanha do candidato Trump.

Por José Luís Correia e Rádio Latina - Os Republicanos no Luxemburgo dizem-se chocados com as “reações exageradas e histéricas” contra a eleição de Donald Trump. Já os Democratas americanos no Grão-Ducado querem que o Congresso controle o magnata. Quanto ao Governo e partidos luxemburgueses, quase todos esperam que o Presidente Trump não leve a cabo as promessas de campanha do candidato Trump.

James T. O'Neal, Republicans Overseas-Luxembourg
James T. O'Neal, Republicans Overseas-Luxembourg
Foto: Chris Karaba

James T. O’Neal, presidente da representação do Partido Republicano americano no Luxemburgo (Republicans Overseas Luxembourg): Esta eleição foi um milagre e ficará como a maior mudança na política americana do meu tempo. Foi uma vitória do povo e a minha fé na Constituição foi restaurada. O Presidente eleito Trump criou um novo movimento revolucionário nos republicanos e na política americana. Chocou-nos a reacção exagerada, histérica, de muitos políticos e celebridades perante esta eleição.

O Presidente eleito Trump vai trazer empregos de topo de volta à economia americana, reforçar a fronteira e rever o ’Obamacare’ (cobertura social universal criada por Obama). Os EUA continuarão a ter excelentes relações com a UE e com o Luxemburgo. A eleição de Trump e o Brexit mostram uma tendência: que os povos estão a questionar a agenda globalista da elite no poder, que está a esquecer a classe média e os cidadãos, e que isto pode ser um indicador do que vai acontecer nas eleições na Europa em 2017 e 2018.

Vicki Hansen, vice-presidente da representação do Partido Democrata americano no Luxemburgo (Democrats Abroad-Luxembourg): O Congresso compreende a importância das relações internacionais dos EUA, e graças ao sistema governamental de equilíbrio de poderes, o Congresso pode manter Trump sob controle. Até os republicanos no Congresso sabem que a América não pode isolar-se, e a política económica republicana difere muito da posição [de Trump]. Vamos exigir que esse equilíbrio de poderes seja mantido. E temos de começar já a trabalhar para as eleições de meio de mandato [para o Congresso] de 2018.

Xavier Bettel, primeiro-ministro.
Xavier Bettel, primeiro-ministro.
Foto: Chris Karaba

Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo (DP): Não dei saltos de alegria quando soube da eleição de Trump, mas temos de respeitar esta escolha. Estou é preocupado se o programa político do Presidente Trump é o mesmo daquele anunciado pelo candidato Trump. As primeiras declarações que fez depois da vitória mostram uma atitude mais terra-a-terra e racional.

Corinne Cahen, ministra da Família.
Corinne Cahen, ministra da Família.
Foto: Christophe Olinger

Corinne Cahen, ministra da Família (DP): Temos interesse em manter boas relações transatlânticas, mas questionamo-nos sobre o que vai acontecer com as relações económicas, a política de segurança e a NATO. Temos de refletir se este não é um tempo em que todas as nações estão a atravessar crises identitárias, inclusive no Luxemburgo. Como demcratas, são tendências que nos preocupam.

Claude Wiseler, CSV.
Claude Wiseler, CSV.
Foto: Pierre Matgé

Claude Wiseler (CSV): Não era o resultado que eu esperava, mas é um resultado democrático, que é preciso aceitar. Temos de ver o programa do novo Presidente, a equipa que vai reunir, esperar pelo que vai acontecer nos próximos meses e estar atentos às relações que vamos ter com os EUA.

Alex Bodry (LSAP): Havia duas escolhas claras. Por um lado, um candidato que apostou na demagogia, na exclusão, no fecho das fronteiras e até na vulgaridade. Do outro lado, uma candidata que, quer se gostasse ou não, representava uma certa continuidade com Obama e que tinha experiência governamental. Quem venceu foi o primeiro, o que é decepcionante e mostra que o populismo está na moda.

Christian Kmiotek (Déi Gréng): [A eleição de Trump] é uma má surpresa, mas não é supreendente. Visto o avanço dos populistas e da direita na Europa, e depois do Brexit, podíamos esperar este resultado. É um fenómeno que está a acontecer dos dois lados do Atlântico. É preciso ver como isto se vai traduzir no concreto.

David Wagner, Déi Lénk.
David Wagner, Déi Lénk.
Foto: Gerry Huberty

David Wagner (Déi Lénk): O que me supreende é que haja pessoas que tenham ficado surpreendidas [com a eleição de Trump]. Acho que na Europa há pessoas que esquecem que há mais de 100 milhões de pobres nos EUA. A certos níveis é quase um país em vias de desenvolvimento, há uma enorme exclusão, há veteranos de guerra que ganham apenas algumas dezenas ou centenas de dólares de pensão, há muitos problemas sociais, alguns piores do que na Europa, e isto foi identificado com Clinton. Esta vitória foi um ’Não’ ao ’establishment’. A resposta não é Trump, porque é um milionário reacionário que explora igualmente os pobres. Preferia um candidato como Bernie Sanders, mas o clã Clinton fez tudo para o afastar. Aliás, penso que Sanders teria vencido Trump.

Fernand Kartheiser (ADR): Os EUA são parceiros de primeira importância para o Luxemburgo. Trump é o Presidente eleito e enquanto tal será alguém importante na política internacional. Temos de nos familiarizar com as novas realidades.

Paul Schonenberg, Amcham
Paul Schonenberg, Amcham
Foto: Guy Jallay

Paul Schonenberg, presidente da Câmara do Comércio Americana no Luxemburgo (Amcham): A maioria dos americanos no Luxemburgo apoiavam Hillary. Trump foi eleito com base em promessas de reforçar a segurança, baixar os custos dos medicamentos, criar empregos e melhorar a economia. Penso que é nisso que vai trabalhar. Tem o apoio do Congresso, mas vai ter que negociar com o Senado, porque muitos republicanos não concordam com algumas das suas posições. Os maiores investidores nos EUA são europeus e os maiores investidores na UE são americanos. E há relações fortes de amizade entre a Europa e os EUA, e entre os EUA e o Luxemburgo. Não vejo isso a mudar com Trump. Quanto ao tratado de livre-comércio TTIP, não creio que vá adiante, porque Trump disse claramente ser contra.

Thierry Leterre, politólogo e reitor da filial da Universidade de Miami em Differdange: A minha primeira reação foi pensar ’Acontece, é a democracia! E a democracia é a escolha dos eleitores, não é sobre quem é o melhor para o cargo’. O que Trump propôs na campanha não ficou muito claro: quer manter a supremacia dos EUA, mas também isolar o país. É impraticável e impossível, os EUA são um actor global. Também em termos de política nacional há contradições no que diz. Resumindo, não é um homem com uma visão e tem pouca experiência política. A vitória de Trump deve fazer acordar a União Europeia, fazer-nos entender que precisamos de mais Europa, e que isso deve ser uma prioridade.

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