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Destaque: Luxemburgo volta a ser mau aluno

Destaque: Luxemburgo volta a ser mau aluno

Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo 4 min. 07.12.2016

Destaque: Luxemburgo volta a ser mau aluno

O Luxemburgo volta a apresentar resultados abaixo da média da OCDE em ciências, matemática e leitura. E de acordo com o estudo PISA, o desempenho dos alunos piorou face ao estudo de 2012.

Por Paula Cravina de Sousa - O Luxemburgo volta a apresentar resultados abaixo da média da OCDE em ciências, matemática e leitura. E de acordo com o estudo PISA, o desempenho dos alunos piorou face ao estudo de 2012.

O Luxemburgo volta a ter resultados dececionantes nos testes do PISA – programa internacional de avaliação de alunos – que testam alunos de 15 anos em ciências, matemática e leitura. Em todos estes domínios, o Grão-Ducado ficou abaixo da média da OCDE, tal como nos estudos levados a cabo em anos anteriores. Mas há pior: o desempenho dos alunos ficou abaixo do verificado no último relatório divulgado em 2013.

O estudo divulgado esta terça-feira é feito de três em três anos pelo organismo liderado por Angel Gurría. A edição de 2015 avaliou 540 mil alunos de 15 anos de 72 países. O relatório deste ano centrou-se sobretudo nas ciências e na capacidade que os jovens têm de explicar determinados fenómenos de forma científica. Porém, a matemática e a leitura também foram alvo de avaliação.

Concretamente, no Luxemburgo participaram 5.300 alunos de 44 escolas, ou seja, todos os liceus, liceus técnicos públicos e privados e escolas internacionais participaram no estudo.

Em todas as rubricas analisadas, o resultado fica abaixo da média da OCDE. E quando comparado com os países fronteiriços e com Portugal, o Luxemburgo volta a sair mal na fotografia. A Alemanha, Bélgica, França e Portugal ficam acima da média da OCDE em todas as disciplinas analisadas.

No Luxemburgo, é na matemática que os alunos se saem melhor, porque é aqui que a avaliação mais se aproxima da OCDE, embora fique abaixo da média. A classificação é de 486 pontos, ficando assim apenas a quatro pontos dos 490 pontos da OCDE. Em 2013, os alunos tinham conseguido 490 pontos.

Na leitura, o resultado global é o pior. A nota é de 481 pontos, valor que compara com a média da OCDE de 493 pontos. Há três anos, tinha chegado aos 488 pontos.

Nas ciências, os alunos também estão longe da média: a nota final é de 483 pontos, dez pontos abaixo dos 493 pontos da OCDE. No último estudo, a classificação foi de 491 pontos.

O estudo indica também que há mais alunos com notas fracas nos três domínios (abaixo do nível 2) do que alunos com classificação de topo (nível 5 ou 6). Assim, há 17% de alunos com negativa e 14,1% com nota de excelente.

É em Singapura, Japão e Estónia onde os alunos se saem melhor, ocupando os três primeiros lugares das maiores médias.

O peso da imigração

De acordo com a OCDE, no Luxemburgo mais do que um em cada dois estudantes tem um background proveniente de imigração, o que equivale a 52% dos alunos. Em Macau a percentagem é superior (62,2%), tal como nos Emirados Árabes Unidos (57,6%) e no Qatar (55,2%). Em termos médios, 13% dos alunos tem um background entrangeiro.

O Luxemburgo foi um dos países onde estes alunos mais aumentaram: houve uma subida de dez pontos percentuais no Luxemburgo e no Qatar entre 2006 e 2015.

O documento indica também que em termos médios, o desempenho dos estudantes imigrantes é mais baixo nas ciências, leitura e matemática do que os não-imigrantes que tenham o mesmo background socio-económico e que dominem a língua de alfabetização. No entanto, nalguns países, como é o caso de Singapura e Macau, os imigrantes têm uma performance mais elevada em termos internacionais. No entanto, a OCDE reconhece que as capacidades linguísticas influenciam os resultados. Os estudantes imigrantes que não falam regularmente a língua em que foram feitos os testes do PISA tiveram uma nota de 54 pontos inferior à dos não-imigrantes que dominam o idioma.

Por outro lado, conclui-se que frequentar uma escola com mais imigrantes não tem influência no desempenho dos alunos. O relatório explica que o background social e económico dos alunos e da escola tem de ser tido em conta. Se estes fatores forem incluídos na análise, a diferença no desempenho entre imigrantes e não-imigrantes desce de 55 pontos para sete, no caso específico do Luxembugo. Na Bélgica desce de 41 para 12 pontos. Isto indica que são as desvantagens socio-económi-cas e não a concentração de imigrantes, per se, que influenciam o desempenho dos alunos.

Entre 2006 e 2015, a diferença média entre o desempenho na área de ciências reduziu-se em seis pontos. Neste indicador, o Luxemburgo compara bem, já que a diferença diminuiu entre dez e 20 pontos.

Apesar disso, em países como Portugal, Bélgica e Suíça, por exemplo, a redução foi maior. E em muitos dos países onde se verificou esta tendência, o comportamento fica a dever-se sobretudo a uma melhoria da performance dos imigrantes do que à degradação das notas dos não-imigrantes.

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