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Desemprego convoca estratégia de salvação nacional
Luxemburgo 5 min. 09.07.2020

Desemprego convoca estratégia de salvação nacional

Desemprego convoca estratégia de salvação nacional

Foto: AFP
Luxemburgo 5 min. 09.07.2020

Desemprego convoca estratégia de salvação nacional

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Com as previsões económicas a cair ao nível da crise do aço, há mais 40 anos, a taxa de desemprego acompanha a derrocada e deixa o Luxemburgo abaixo da linha vermelha da UE.

Ao ritmo da pandemia, o mundo do trabalho mergulhou na incerteza com milhares de empresas a fechar definitiva ou temporariamente e outras a recalcularem a rota na iminência de novos planos de confinamento. No Luxemburgo, estima-se que sete mil pessoas tenham tropeçado no desemprego, entre janeiro e maio, com um número ainda indeterminado de postos de trabalho destruídos por causa do surto. Com cerca de 20 mil inscritos a Adem continua reduzida a contactos telefónicos e eletrónicos. “Tendo em conta a situação atual e a fim de reduzir o risco de contaminação”, os balcões fecharam-se “temporariamente” aos desempregados. Em contracorrente, a diretora da agência para o desenvolvimento do emprego, Isabelle Schlesser, até admite reforçar a equipa para fazer face ao aumento do número de pedidos de ajuda. Os atuais 620 trabalhadores não dão conta. Chamam-lhe “tsunami”.  

Mau Aluno 

Contra as piores perspectivas do Statec, que no boletim de junho, atirava a taxa de desemprego para máximos de 7,3% em 2021, o Luxemburgo fechou o último mês de maio com uma taxa de 7,7%. Acima da média dos 27, o país está um ponto percentual acima dos 6,7% registados no conjunto da União Europeia (UE). Divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat, os números mostram que ao contrário da Bélgica – onde a taxa de desemprego se situa nos 5,4% – e da Alemanha – 3,9% -, o Grão-Ducado ainda não foi capaz de inverter o cenário que se tem vindo a acentuar desde março. Com 8,1%, França confronta-se com uma derrocada semelhante, ainda longe do quadro “catastrófico” de Espanha que oscila entre os 14,5% e os 14,7%. 

“Geração esquecida”

A tendência é especialmente “alarmante” entre os chamados trabalhadores “sub-25”. Estima-se que no prazo de um ano, o indicador – medido pela percentagem do número de pessoas sem emprego no total do mercado de trabalho – tenha disparado na ordem dos 41%, no Grão-Ducado. Contas feitas, à data de hoje, um em cada quatro jovens está à procura de trabalho. Dez pontos percentuais acima da média europeia, o Luxemburgo contabiliza 26,1% jovens trabalhadores desempregados. Embalados pela segunda “grande crise” do milénio, os jovens da OGBL reagiram com um manifesto para denunciar a instabilidade semeada, dizem, nas “tarefas temporárias e nos contratos a prazo”. 

Sob a premissa de que “não podemos criar uma geração esquecida”, exigem a revisão da política de estágios e a criação de um subsídio de desemprego universal que os inclua no sistema desenhado através da idade e do tempo de descontos. 

Gestão de crise

Estas e outras propostas constam, para já, do plano de ação que o governo liderado por Xavier Bettel desenhou no “tripartido atípico” que pôs frente a frente governo, patrões e sindicatos nesta primeira semana de julho. Como em 1977, quando o Comité de Coordenação Tripartida foi criado no meio da crise da indústria siderúrgica, o pacto desenhado no Château de Senningen em 2020 tem como objetivo central “tomar as medidas necessárias para estimular o crescimento e manter o pleno emprego”. Assim, além do pacote de estímulos para as empresas, o executivo pretende apostar na formação dos trabalhadores, garantindo o equilíbrio entre as necessidades de mercado e a qualificação da mão-de-obra. 

O que vem aí

 No plano das intenções, as propostas de reanimação que a OGBL, LCGB e CGFP reduziram a “uma dúzia de bons passos em frente” vão ser sistematizadas e apresentadas nos próximos dias. Em comunicado, o Governo luxemburguês só desvenda o caderno de encargos concertado com os parceiros sociais. O pacote ainda não está calculado. 

Além de estimular a contratação dos trabalhadores mais velhos e mais novos através de um conjunto de benefícios às empresas, através de uma clausula que permite aos empregadores beneficiar de um reembolso de 12 meses das contribuições para a segurança social,  o executivo está a ponderar cancelar, a título excecional, os limites de idade que dificultam acesso ao subsídio de desemprego. O “recrutamento governamental”, nomeadamente para os municípios, está em cima da mesa, assim como a “ajuda para a criação de novas empresas”. Num futuro próximo, o executivo quer reforçar as modalidades de estágio “profissionalizante” e equaciona reforçar o “Comité de Acompanhamento Adem para assegurar uma colocação eficaz nas empresas e para otimizar a “matchmaking” entre as posições em aberto e os candidatos a emprego. Os termos e condições do contrato de reinserção laboral (CIE) serão revistos, com benefício para os patrões. 

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