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Depois do tornado, a reconstrução começa pelo telhado
Luxemburgo 3 min. 17.08.2019

Depois do tornado, a reconstrução começa pelo telhado

Depois do tornado, a reconstrução começa pelo telhado

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 3 min. 17.08.2019

Depois do tornado, a reconstrução começa pelo telhado

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
“Com aquele vendaval todo, como é que a gente não havia de ter medo? É claro que tive”, diz Alcides Pires, morador em Pétange, numa das ruas mais afetadas pelo tornado.

Ao chegar a Pétange, o olhar é imediatamente direcionado para cima. Cá em baixo a maioria das estradas já está limpa e desimpedida; a ação passa-se agora nos telhados. É de lá que vem o barulho dos martelos e as vozes dos trabalhadores responsáveis pela recuperação das casas da cidade do sul do país que foi afetada pelo tornado de sexta-feira da semana passada. A prioridade foi garantir que nada mais ruía e é agora tapar as casas que ficaram sem telhado para que não haja mais danos quando chove.

Foi na rue Neuve, uma das mais afetadas pelo tornado, que o Contacto encontrou António Gomes, de uma das empresas que foi chamada pelas seguradoras para reparar os danos – a TG Toitures. António não tem mãos a medir: “chamaram-me para vir fazer uma casa e depois foram-me pedindo para fazer outra e outra e outra”, afirmou.

As férias coletivas dos trabalhadores do setor da construção reduziram o número de homens disponíveis para trabalhar. “Tive de chamar dois da Alemanha”, disse, “senão, não dava para ajudar todos”. António Gomes explica que é preciso trabalhar rápido, “não se pode passar cinco dias na mesma casa, como fazem alguns, senão a chuva inunda as que não são arranjadas”, explica.

Ao lado de António Gomes está Alcides Pires, morador naquela rua de Pétange, agora reformado e ex-trabalhador do setor da construção. De carrinho de mão em riste, está pronto para ajudar quem precisa. “Agora têm de ser todos por um e um por todos”, afirma, “mas alguns não são, ficam em casa fechados”, desabafa.

Alcides teve sorte, a sua casa não foi das mais afetadas e o carro só escapou porque “a mulher tinha ido às compras depois do trabalho”, enquanto ele fazia o jantar. O olhar deste portugês, que chegou ao Luxemburgo em 1991, pára no automóvel estacionado numa das casas ao lado da sua, onde António Gomes está a trabalhar. A viatura tem uma fita à volta e está muito danificada. “Foi um susto”, afirma. “Com aquele vendaval todo, como é que a gente não havia de ter medo? É claro que tive”, diz.

Dois minutos de tornado, mais de 300 casas afetadas

Os ventos entre os 180 km/h e os 250 km/h que se fizeram sentir há pouco mais de uma semana durante dois minutos fizeram 19 feridos, deixaram destruídas mais de 300 habitações entre Pétange e Bascharage, e obrigaram ao realojamento de mais de 70 pessoas.

A conclusão das obras de reparação começou, mas não tem data marcada para acabar. Marie (nome fictício) fala com os olhos rasados de lágrimas. Teve de ser realojada porque a sua casa, numas ruas mais à frente da rue Neuve, e onde morava há 20 anos, ficou inabitável. Perante a pergunta sobre se foi dada uma previsão para o fim das obras, Marie diz apenas: “uma coisa de cada vez. Tem de ser feito uma coisa de cada vez”.

A maioria dos residentes com casas afetadas já contactou as seguradoras. A Associação de Companhias de Seguros (ACA, na sigla em francês) apresentou o seu balanço na semana passada e estima em 100 milhões de euros os custos para as seguradoras. Em comunicado, a associação que inclui 128 representantes do setor segurador adianta que, as empresas de seguros receberam 2.400 pedidos de indemnização. A maior parte – dois terços – diz respeito a imóveis e o restante a viaturas.


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