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Depois da absolvição, Tun Tonnar lança nova música sobre a liberdade de expressão
Luxemburgo 1 2 min. 09.05.2019 Do nosso arquivo online

Depois da absolvição, Tun Tonnar lança nova música sobre a liberdade de expressão

Depois da absolvição, Tun Tonnar lança nova música sobre a liberdade de expressão

Foto: Screenshot Youtube
Luxemburgo 1 2 min. 09.05.2019 Do nosso arquivo online

Depois da absolvição, Tun Tonnar lança nova música sobre a liberdade de expressão

O rapper luxemburguês não se deixou intimidar pelas acusações de que foi alvo, que levaram a um "processo surreal", como afirmou numa entrevista ao Contacto. Esta quarta-feira, dia em que foi absolvido, Tun Tonnar publicou um vídeo na Internet sobre a liberdade de expressão (ou a falta dela) no Luxemburgo.

O vídeo começa com Fred Keup, candidato pelo ADR às europeias e uma das pessoas que apresentou queixa contra Tun Tonnar, a afirmar claramente que o seu partido respeita a liberdade de expressão. De seguida, surge num fundo negro uma referência ao artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que diz que todas as pessoas têm o direito à "liberdade de opinião e de expressão" e "este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras".


Rapper luxemburguês diz “foda-se” à extrema-direita e é processado
A música chama-se “FCK LXB” (Féck Lëtzebuerg), ou, em bom português, “que se foda o Luxemburgo”, e é uma crítica aos extremistas, populistas e xenófobos do país. Mas valeu uma queixa-crime ao seu autor. Um caso que testa os limites da liberdade de expressão no Luxemburgo.

Ao longo do vídeo, vemos o rapper, que adotou o nome artístico de Turnup, com as mãos atrás das costas a ser levado por dois homens de fato. Atrás deles, caminham várias pessoas que erguem cartazes em que se lê "#Free Turnup" ("Libertem o turnup") e “FCK LXB” (sigla para "Féck Lëtzebuerg", "que se foda o Luxemburgo", em português). A música acaba com planos aproximados dos cartazes e o olhar fixo de Tun Tonnar e do resto dos performers para a câmara, como se quisessem confrontar quem se esconde por detrás dela.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

O Tribunal do Luxemburgo absolveu esta quarta-feira Tun Tonnar, de 25 anos, das três queixas-crime que o levaram ao banco dos réus. O músico era acusado de ofender dois políticos e um dos fundadores da associação nacionalista Lëtzebuerger Patrioten ("Patriotas Luxemburgueses"), por causa da canção “FCK LXB” (Féck Lëtzebuerg) [que se foda o Luxemburgo], em que critica extremistas e populistas no país, um deles o candidato pelo ADR às europeias Fred Keup que se opôs ao direito de voto dos estrangeiros no referendo e fundou o movimento "Nee2015" (Não2015), mais tarde convertido em Wee2050 ("caminho2050").


Tun Tonnar poses for a portrait in his studio. Mersch, Luxembourg - 20. 04. 2019 photo: Matic Zorman / Luxemburger Wort
Entrevista. "É impossível apagar esta canção"
O rapper luxemburguês Tun Tonnar, filho do conhecido músico Serge Tonnar, foi processado por ter, na linguagem normal do rap, mandado bugiar o racismo e os comportamentos xenófobos. Na dia 8 de maio saberá se é condenado.

Na canção, divulgada dias antes das últimas eleições legislativas, em outubro do ano passado, a palavra “Féck” é repetida mais de trinta vezes. O rapper usa-a para protestar contra a intolerância (“Féck Intoleranz”), “os patriotas”, “os idiotas” e os neo-nazis, nomeando também militantes de partidos nacionalistas e movimentos populistas e pessoas já condenadas por incitação ao ódio.