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Débora. "Sinto-me muito feliz com a minha vida no Luxemburgo"
Luxemburgo 5 min. 29.04.2022
Portugueses Felizes

Débora. "Sinto-me muito feliz com a minha vida no Luxemburgo"

O sorriso contagiante de Débora Gonçalves, 29 anos, quando descreve a sua vida no Grão-Ducado.
Portugueses Felizes

Débora. "Sinto-me muito feliz com a minha vida no Luxemburgo"

O sorriso contagiante de Débora Gonçalves, 29 anos, quando descreve a sua vida no Grão-Ducado.
Foto: António Pires
Luxemburgo 5 min. 29.04.2022
Portugueses Felizes

Débora. "Sinto-me muito feliz com a minha vida no Luxemburgo"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Deixou Lisboa para fazer o mestrado em Belval e tão depressa não volta a Portugal. "Adoro tudo o que o Luxemburgo oferece", diz a portuguesa Débora Gonçalves. O segundo testemunho dos "Portugueses Felizes" no Grão-Ducado.

O entusiasmo com que Débora Gonçalves fala da sua vida no Grão-Ducado é contagiante. Para esta portuguesa, de 29 anos, que deixou a beira-mar em Oeiras para ir fazer mestrado em Governação Europeia na Universidade do Luxemburgo, em 2017, não há outro local onde preferisse estar do que neste país, que reúne gentes de tantas nacionalidades e culturas. 

“Logo de manhã, se encontro a minha vizinha cumprimento-a com um moien, em luxemburguês, e durante o dia converso em inglês, português, francês. Aqui é impossível não se falar vários idiomas diariamente e eu adoro esta multiculturalidade”, diz ao Contacto Débora Gonçalves, que após o mestrado estagiou no Tribunal de Contas e agora é analista numa firma de consultadoria que trabalha para a União Europeia. 

A lisboeta é outra das protagonistas da série de quatro reportagens sobre os "Portugueses Felizes" no Luxemburgo que o Contacto está a publicar diariamente. 

Quando chegou ao mestrado na Universidade, em Belval, Débora Gonçalves deixou colegas e professores algo espantados por ser uma aluna “fresca de Lisboa”. “Uma portuguesa de Portugal aqui?”, perguntavam-lhe. “Claro que havia lusodescendentes, mas eu era a única que tinha chegado de Portugal”, comenta a rir. E, foi logo ali que percebeu que era neste país que desejava iniciar a sua carreira e ficar a residir por uns bons anos. 

“No Luxemburgo há muito mais ofertas de trabalho na minha área e com o meu diploma, sobretudo pela ligação à União Europeia e a possibilidade de eu concretizar os meus objetivos profissionais”, explica a jovem, salientando que quer no estágio profissional quer na empresa onde está, “procuravam precisamente pessoas com meu currículo e portuguesas”. 

Do trabalho aos esquilos no parque

O facto de ter família próxima imigrada e de já conhecer o país nas várias visitas que fizera anteriormente facilitaram a sua integração. “Mas o Luxemburgo sempre me agradou, não só pela multiculturalidade, como pelas pessoas, pelas paisagens. Adoro tudo o que oferece”, vinca Débora Gonçalves, que tanto aprecia a calma da vida na capital. 

Débora Gonçalves no parque perto da sua casa onde de manhã cumprimenta os esquilos que ali vivem.
Débora Gonçalves no parque perto da sua casa onde de manhã cumprimenta os esquilos que ali vivem.
António Pires

“Vivo a cinco minutos do centro da cidade e estou num local muito calmo e verde, bem diferente da confusão de Lisboa. De manhã quando saio cumprimento os esquilos do parque que por ali passeiam”, exemplifica a rir. Depois há o campo, as florestas, o “verde único da paisagem”, as pequenas cidades e aldeias, “tantos tesourinhos sempre para descobrir, mesmo depois de vivermos cá alguns anos”. 

“É um país pequeno, mas com tanto para oferecer, cá dentro e em redor”, realça a lisboeta que adora viajar com a sua mota pelas estradas verdejantes, uma BMW G310 R. “Comprei a mota mais pequena da loja para ganhar confiança”, confidencia voltando a rir. 

A localização privilegiada do Grão-Ducado é outra das alegrias da jovem. “Recentemente numa só semana estive em quatro países. Além do Luxemburgo, fui a Bruxelas, Bélgica, em trabalho, fui à Alemanha visitar uma loja específica e ainda fui a França tomar conta de um gato, e poder fazer isto tem muita piada”. 

O mundo no Grão-Ducado

Este mundo “cá dentro e à porta”, e a família por perto, diminuem-lhe as saudades de Lisboa. “Tenho saudades dos meus pais e amigos, do mar que via todos os dias porque cresci em Oeiras, tenho saudades da luz única de Lisboa. Sempre que vou lá tenho de ir ver o mar”, diz Débora Gonçalves, lembrando, no entanto, que para os portugueses no Luxemburgo “é fácil ir ao país natal, a distância da viagem de avião é curta e como há muitas companhias aéreas conseguem-se preços em conta”. 

E mesmo no Grão-Ducado consegue sentir-se em Portugal. “Quando vou a um supermercado, um café ou restaurante portugueses sinto-me logo em casa, o que é muito bom”. Esta facilidade de encontrar iguarias portuguesas agrada-lhe muito. Quando vai a casa de amigos luxemburgueses “posso levar-lhes pasteis de nata ou vinho português, como um Porto, e deixá-los felizes”. Do mesmo modo com que lhes confeciona um bacalhau à Brás quando os recebe em sua casa. 


António Castanho, com a mulher Sónia e a filha Maria, de 19 anos, numa foto no seu restaurante em Esch.
A mesa do alentejano que dá felicidade ao Luxemburgo
O restaurante Tapas, de António Castanho, em Esch, é o cantinho alentejano mais falado do país. Com a sua história iniciamos a publicação de quatro reportagens diárias sobre Portugueses Felizes no Grão-Ducado.

"Tenho uma situação confortável"

“Sinto-me muito feliz com a minha vida aqui e nos próximos cinco a dez anos pretendo continuar cá. É verdade que o país tem um custo de vida elevado, é complicado encontrar casa, e sei-o por experiência própria, mas agora tenho uma situação confortável, talvez por ser modesta nos meus gastos”, confessa Débora Gonçalves que vive com o namorado francês e ainda está a mobilar a casa. Contudo, quando frequentava o mestrado trabalhou em limpezas nas férias, uma “profissão tão digna quanto as outras” como faz questão de salientar, e que a tornou “mais resiliente”. 

A portuguesa adora descobrir os "tesourinhos" do Grão-Ducado nos passeios na sua mota BMW.
A portuguesa adora descobrir os "tesourinhos" do Grão-Ducado nos passeios na sua mota BMW.
António Pires

“Dou enorme valor a todos os portugueses aqui imigrados, que tiveram coragem de recomeçar uma vida num país diferente, passar por uma zona de desconforto, da integração e trabalho, mas sempre com a convicção de que depois a situação iria melhorar e chegariam a uma zona de conforto, a uma vida melhor”, elogia a jovem, que conhece muitos destes casos. 

Débora Gonçalves está a aprender, aos poucos, o idioma luxemburguês. “Todos os dias tenta aprender uma palavra de luxemburguês”, idioma que vai melhorando com os vizinhos e com os sobrinhos pequenos de 8 e 9 anos, a quem pergunta muito vocabulário. 

“Já me tentei inscrever num curso de luxemburguês, mas há muita procura e não tive vaga. Tenho um livro em casa também, e quero aprender a falar o idioma deste país, porque quero acompanhar o discurso político e poder votar. Mas não só. Para mim, é difícil imaginar passar a minha vida aqui sem falar o idioma. Como digo, o Luxemburgo dá-me tanto que é uma forma de retribuir”, explica Débora Gonçalves.

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