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Daniel da Mota: o lusodescendente que entrou na política em janeiro
Daniel da Mota é uma das caras do ADR para as próximas eleições.

Daniel da Mota: o lusodescendente que entrou na política em janeiro

Photo: Guy Wolff
Daniel da Mota é uma das caras do ADR para as próximas eleições.
Luxemburgo 2 min. 05.09.2018

Daniel da Mota: o lusodescendente que entrou na política em janeiro

Candidato pelo partido da Reforma Democrática Alternativa (ADR), o jogador de futebol do Racing e da seleção luxemburguesa que, um dia, marcou um golo a Portugal, entrou para a política em janeiro e defende, entre outras ideias, que a língua luxemburguesa tem de ser ensinada nas escolas.

Filho de imigrantes portugueses de Celorico de Basto, Daniel Alves da Mota nasceu no Luxemburgo e completa 33 anos no próximo dia 11 de setembro. Tem três irmãos, é um dos nomes mais conhecidos da seleção luxemburguesa de futebol e uma das caras do ADR, um partido que tem assumido posições contra os direitos dos estrangeiros, embora também tenha sido convidado para integrar as listas de outros partidos.

Cresceu e passou a infância em Ettelbruck. Começou a jogar futebol no Etzella, clube da cidade do norte do país, e tornou-se uma referência no futebol luxemburguês desde o dia em que marcou um golo à seleção portuguesa.

No passado mês de janeiro foi convidado para integrar o ADR, partido que defende posições contrárias aos interesses de estrangeiros, mas diz, numa entrevista ao Contacto no dia 20 de junho, que o partido a que aderiu não é racista: “Muitos veem o ADR como um partido de racismo e não é. A vontade deles é que os estrangeiros que vêm para o país se integrem bem, dando a possibilidade aos filhos de ter melhor educação e melhores diplomas do que os seus pais. Se fosse um partido racista, eu não fazia parte deste partido”, explicou.

Sobre o facto de o ADR ser conhecido por posições políticas como, por exemplo, mostrar-se contrário ao direito de voto dos estrangeiros, à dupla nacionalidade e ao ensino da língua materna nas escolas, incluindo o português, Daniel da Mota deu a sua opinião na referida entrevista e citou o caso de Portugal e outros países, nos quais é necessário ter a nacionalidade para votar nas eleições nacionais: “Não somos contra os estrangeiros para guardar o voto [para os luxemburgueses], é mais para manter a nacionalidade luxemburguesa e a língua materna luxemburguesa. Para mim são pontos importantes para nos integrarmos bem no país onde vivemos, trabalhamos e ganhamos o nosso dinheiro”. Diz que não é contra a dupla nacionalidade, mas defende que “quem está num país que lhe dá de comer, trabalho e outras regalias, o mínimo que deve fazer é integrar-se e dar qualquer coisa de volta a esse país.”

Quanto ao facto de o ADR ser contra o ensino da língua materna nas escolas, foi muito claro: “Nas escolas é o luxemburguês que tem de ser ensinado, porque é a língua do país.” Além disso, o lusodescendente recusou a ideia de estar a ser manipulado pelo partido para angariar votos devido à sua popularidade e esclareceu: “Até agora, todas as ideias sobre as quais falámos no seio do partido, para mim, foram claras”, justificando que, “se entretanto houver ideias de índole racista, acabo com a minha candidatura”. Por outro lado, reforçou que o seu interesse “é ajudar a população a ter uma vida melhor em todos os aspetos e setores da sociedade”. E admitiu: “Se puder ajudar o partido a evoluir nesse sentido, tudo bem. Se for contra as minhas ideias, eu saio e continuo a minha vida”.

Á. Cruz

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